24 de março, de 2026 | 06:00

Lanterna azul

Fernando Rocha

O Cruzeiro decepcionou, mais uma vez, a sua torcida: cerca de 40 mil cruzeirenses foram, anteontem, ao Mineirão, para ver o empate de 0 x 0 com o Santos, que estreou um velho/novo treinador, Cuca, mas estava sem Neymar e Gabigol, seus dois principais jogadores.

O treinador não é mais Tite, a quem se atribuía a causa do mau futebol da equipe, mas a cada jogo fica vez mais evidente que o problema não é só treinador.

Trata-se de um combo, um conjunto completo de fatores negativos que passa, sim, pelo trabalho ruim do ex-treinador Tite e sua comissão técnica, mas também pela obsessão da diretoria por conquistar o título de campeão mineiro, o que obrigou a escalação dos titulares em quase todos os jogos e comprometeu a parte física, um dos graves problemas da equipe atual.

Mesmo assim, com o elenco que possui, é inadmissível a atual campanha pífia neste Campeonato Brasileiro, onde é o último colocado, lanterna isolado, com apenas 4 pontos conquistados em 24 disputados e 16% de aproveitamento.

Virou gatinho
O Atlético foi derrotado pelo Fluminense, 1 x 0, no sábado último, no Maracanã, o que só confirma a sua fama de ser “um leão em casa e um gatinho fora”, pois ainda não conseguiu somar um ponto sequer longe de seus domínios na atual competição nacional.

O técnico argentino Eduardo “Barba” Domínguez mexeu no time titular e no esquema tático, mas não surtiu resultado algum e acabou colaborando ainda mais para o fracasso.

Mesmo assim, não se pode dizer que os jogadores não correram; pelo contrário, se esforçaram bastante, criando inúmeras chances claras de gol e todas novamente desperdiçadas, o que escancara as deficiências técnicas do atual elenco, principalmente no ataque.

Os jogadores e o técnico Eduardo “Barba” Domínguez terão agora uma semana para corrigir as falhas, se preparar para o próximo compromisso, mais uma vez fora de casa, no dia 1º de abril, “Dia da Mentira”, contra a Chapecoense, na Arena Condá, onde vai precisar mostrar um futebol muito acima do que vem apresentando, uma atuação de verdade fora de casa, para buscar a primeira vitória longe da Arena MRV neste Brasileirão.

FIM DE PAPO

O técnico Eduardo “Barba” Domínguez ainda está com cartaz junto à massa do Galo. Vem tentando achar o time ideal, muda uma peça aqui, outra ali, mas esbarra nas limitações técnicas do elenco. Nestes seis jogos à frente do alvinegro, no Brasileirão, conseguiu alterar a postura, a atitude da equipe em campo que passou a ser mais competitiva. A ilusão da atuação e vitória sobre o São Paulo pode se transformar em frustração se o time não voltar a vencer no próximo mês, quando terá grandes desafios não só pelo Brasileirão, mas também pela Copa Sul-Americana.

Há muitos medalhões neste time do Cruzeiro que estão jogando apenas com o nome, sem se doar ao máximo. É visível que a Raposa atual pratica o que na gíria do futebol é conhecido como “cerca Lourenço”. Faz de conta que joga, que corre, que marca, que deseja a vitória, mas no fundo não quer nada. Pelo menos uma boa notícia, no meio de tanta coisa ruim, para o torcedor celeste, foi a convocação do jovem lateral esquerdo Kaiki Bruno, pelo técnico Carlo Ancelotti, para os amistosos da seleção brasileira contra Croácia e França, nos Estados Unidos. Muito merecida esta convocação, pois Kaiki é um dos poucos que se salvam na Raposa.

O novo treinador, o português Artur Jorge, terá cerca de dez dias para conhecer o elenco, implantar uma nova estrutura tática e levantar o astral do time para que volte a vencer. A diretoria, por sua vez, precisa mudar a rota do planejamento inicial em relação às contratações de reforços. Gastou uma fortuna para ter Gerson e, agora, se ouvir a torcida, vai ter que investir alto novamente para trazer, pelo menos, um zagueiro, um volante, um meia e um atacante, além de dispensar uma meia dúzia que não rende absolutamente nada no atual elenco.

Viralizou nas redes sociais a imagem do empresário Pedro Lourenço, dono do Cruzeiro, chorando após a derrota para o Santos, no Mineirão, ao ver a torcida gritar “time sem vergonha” e outros impropérios. De maneira geral, a imprensa mineira, sobretudo da capital, tem tido tolerância e paciência com os erros da SAF azul comandada pelo empresário bem maiores e diferentes em relação ao tratamento “porrada” que é dado à administração dos “erres” no Galo. Há, neste caso, três motivos relevantes para isso: a soberba dos donos do Atlético, a humildade do empresário Pedrinho, mas, principalmente, as centenas de milhares de reais gastos em publicidade por suas empresas nos mais importantes órgãos de rádio e TV do estado. (Fecha o pano!)

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