29 de março, de 2026 | 06:00
Calma...!
Fernando Rocha
Vamos devagar com o andor, que o santo é de barro”. Este ditado popular, que significa em outras palavras pedir calma, menos afobação, eternizado no samba-enredo de 1983 da Unidos da Tijuca, define muito bem o clima criado em torno desse amistoso nos Estados Unidos entre Brasil x França, como se fosse uma decisão de Copa do Mundo.Sem pachequismo, como não reconhecer que a França completa é melhor que o Brasil completo, mas o Brasil nem jogou com seu time completo, mesmo assim fez um primeiro tempo equilibrado.
A rigor, só tínhamos dois titulares absolutos - Vini Jr. e Cassemiro -, além do nosso treinador, o italiano Carlo Ancelotti, ter assumido há poucos meses, enquanto o técnico francês Didier Deschamps está no comando da equipe francesa há 14 anos, vindo de duas finais seguidas de Copas, em 2018 e 2022.
Tem muita água ainda para passar debaixo da ponte, até porque a Copa do Mundo é um torneio de tiro curto, com jogos de mata-mata onde nem sempre o melhor ou a seleção mais bem preparada levanta o troféu de campeão.
Direto ao ponto
O novo técnico do Cruzeiro, Artur Jorge, chegou chegando, na última semana, deixando boa impressão nas suas primeiras declarações à imprensa, além de fazer afagos à torcida, ao demonstrar otimismo em relação à recuperação da equipe.
Diferente dos brasileiros e argentinos, os técnicos portugueses normalmente são diretos e procuram não tergiversar nas respostas, sendo mal educados algumas vezes com os interlocutores.
O português Artur Jorge foi direto ao ponto quando perguntado se iria aproveitar alguma coisa do que vinha sendo feito pelo antecessor Tite. Eu vou mudar a maneira do time jogar”, disse, sem rodeios, sem meias palavras, tudo o que a torcida celeste queria ouvir.
Fica agora a expectativa para o que vai acontecer na próxima quarta-feira, quando o Campeonato Brasileiro recomeça após a data-Fifa, com os jogos da 9ª rodada, e o Cruzeiro terá pela frente o Vitória da Bahia, no Mineirão.
Caso a Raposa volte a jogar mal e tudo dê errado, o técnico Artur Jorge não poderá ser cobrado por nada, mas se vier um triunfo os méritos serão dele ganhando de vez a confiança da exigente torcida azul.
FIM DE PAPO
Apenas três dos grandes estádios do país - Maracanã, Arena do Corinthians e Arena MRV - já estão preparados e capacitados para utilização do VAR com o sistema semiautomático (SAOT), visando dirimir as dúvidas em casos de impedimento. Ao todo, 12 câmeras de alto padrão vão rastrear 29 partes do corpo de cada jogador 50 vezes por segundo. O sistema também utiliza cerca de 28 a 30 iPhones, instalados estrategicamente nos estádios, para captar imagens em 4K e alta velocidade, criando a rede de dados. O investimento da CBF para implantar a tecnologia, que identifica o ponto exato do corpo do atleta mais próximo da linha de fundo e o momento preciso do passe, gira em torno de R$ 40 milhões.
A previsão da CBF é que no segundo turno do Campeonato Brasileiro, a partir da 19ª rodada, o sistema semiautomático seja utilizado no Campeonato Brasileiro/Série A. A decisão precisa e sem erro sobre impedimentos, mesmo que o atleta esteja um milímetro apenas adiantado, sairá no máximo em 25 segundos com imagem em 3D. A choradeira dos clubes quanto aos lances duvidosos, onde o VAR teria errado ao traçar as linhas, tende a acabar. Agora, se tiver de reclamar será contra a regra do impedimento junto à Fifa.
Pegou tão mal essa ideia da Nike, a patrocinadora da seleção brasileira, de chamar Brasil de Brasa”, que seria escrito no uniforme com o qual a seleção disputará a Copa do Mundo, que precisou do presidente da CBF, Samir Xaud, vir a público desmentir categoricamente e afirmar que nada disso irá acontecer. Quem já foi imigrante fora do nosso país sabe que existe o hábito de muita gente se referir ao Brasil como Brasa”. Apesar de ser uma forma carinhosa, a meu juízo, trata-se de um péssimo gosto. Daí a escrever Brasa” no uniforme da seleção é muito pior, uma esquisitice muito grande.
Não se sabe quem costurou o acordo, mas ficou claro que a Federação Mineira de Futebol foi a grande beneficiada na punição proposta pelo seu Tribunal de Justiça Desportiva aos brigões da final do Campeonato Mineiro. Atlético e Cruzeiro vão pagar cada um R$ 400 mil de multa para a FMF e os brigões foram punidos com quatro jogos de suspensão, a serem cumpridos no próximo estadual. Até o torneio de 2027 começar, não duvido que as punições aos jogadores sejam transformadas em doações de cestas básicas, mas a grana das multas vai engordar os cofres da Federação. Um grande incentivo para aumentar ainda mais a violência no futebol, dentro e fora de campo. (Fecha o pano!)
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