31 de março, de 2026 | 06:00
Lobby do Neymar
Fernando Rocha
Depois da derrota para a França, 2 x 1, em Boston, na última quinta-feira, a seleção brasileira se despede hoje dos Estados Unidos em amistoso internacional contra a Croácia, no Camping World Stadium, em Orlando, às 21h30.Na imprensa do eixo Rio/SP, o jogo ficou em segundo plano e perde para o lobby fortíssimo que visa à convocação a qualquer custo de Neymar, mesmo sem o craque jogar em alto nível há pelo menos quatro anos.
O técnico Carlo Ancelotti já disse em alto e bom som que só irá convoca-lo se estiver cem por cento fisicamente, mas um número considerável de colegas da prateleira de cima do nosso jornalismo, ajudados pelos parças” do adulto Ney”, fazem barulho e exigem a sua convocação, mesmo que seja para ficar no banco de reservas.
Sinuca de bico
Carlo Ancelotti já vivenciou quase tudo no futebol, mas, certamente, nunca passou por algo semelhante: uma autêntica sinuca de bico” vivida no comando da nossa seleção.
O italiano já mostrou claramente seu descontentamento com esta situação, obviamente, por entender que seu trabalho será melhor executado sem Neymar no grupo.
O dilema do treinador é grande: se não levar Neymar à Copa do Mundo e o Brasil for eliminado será chamado de teimoso e achincalhado pela mídia e pelo povo; se leva e, mesmo assim, o Brasil for eliminado, pelo menos Neymar estava lá; se leva e o Brasil vence, mesmo com Neymar no banco, foi porque ele deu força aos companheiros, seus parças”, pois sem ele não haveria hexa etc., coisa e tal.
A única chance para Ancelotti sair por cima é não convocar Neymar e o Brasil levantar a taça do hexa, o que hoje se tornou algo improvável, diante da inferioridade da nossa seleção se comparada às equipes de França, Espanha, Argentina e outras potências do futebol mundial.
FIM DE PAPO
Se, para Ancelotti, esta situação de pressão para levar um jogador à Copa do Mundo é inédita, não é a primeira vez que acontece na seleção brasileira. No Mundial de 2002, disputado na Coreia/Japão, houve um lobby ainda maior a favor da convocação de Romário, que tinha sido o herói na conquista do tetra em 1994 e vivia um grande momento na carreira. O técnico Felipão achava que Romário atrapalharia o ambiente da família Scolari” e não o levou apesar de toda a pressão. O Brasil conquistou o penta e Felipão ficou grandão” na fita, mas se perdesse o título seria defenestrado.
A França trocou os onze jogadores do jogo contra o Brasil para enfrentar a Colômbia. E atropelou os sul-americanos, 3 x 1, sem dó nem piedade. Mbappé entrou em campo quase no fim da partida e fez um belo gol anulado por impedimento. O grande erro dos colombianos, parecido com a nossa seleção, foi tentar jogar de igual para igual e encarar os vice-campeões mundiais, hoje disparado a melhor equipe de futebol do planeta.
Com La Bombonera” lotada e a fraca Mauritânia como adversária, esperava-se uma vitória de goleada da Argentina em amistoso jogado no último sábado. Nada disso aconteceu e a vitória de 2 x 1 só foi possível porque o árbitro paraguaio, com a conivência do VAR, deixou de marcar um pênalti claro a favor dos africanos. Atuais campeões mundiais, os argentinos arranjaram mil desculpas para não enfrentar a fortíssima Espanha pela Recopa da Fifa, que reuniria os campeões da América do Sul e da Europa. Hoje, voltam a jogar amistosamente em casa, na Bombonera” lotada, contra Zâmbia, outra fraca seleção da África. Apesar do ambiente favorável para aplicar uma goleada, se o bicho pegar, certamente, contará com a boa vontade e a colaboração dos assopradores de apito.
Cruzeiro e Atlético retornam ao Brasileirão nesta quarta e quinta-feira, respectivamente, enfrentando Vitória-BA e Chapecoense. Ambos farão 18 jogos até a parada da Copa no fim de maio, mas o Galo precisa vencer para melhorar o aproveitamento fora de casa, que é o pior da competição. A Raposa vai ter a estreia do técnico Artur Jorge, uma grande oportunidade para vencer no Mineirão e iniciar a arrancada para sair da lanterna. Após oito rodadas, o Cruzeiro conquistou apenas 4 pontos em 24 disputados, uma campanha pífia, muito abaixo de todas as expectativas da sua torcida. (Fecha o pano!)
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