08 de abril, de 2026 | 07:00
Nuremberg, um filme obrigatório
Normando Rodrigues *
É a repetição da história enquanto tragédia, nas guerras, na coisificação do ser humano e no genocídio, o que faz de Nuremberg” um filme obrigatório. Em meio à descrença nas instituições e à normalização da monstruosidade fascista, surge Nuremberg”, de James Vanderbilt.
Fruto da tradicional família milionária novaiorquina, por décadas o cidadão operou na indústria do cinemão como produtor e roteirista, com altos e baixos, até que decidiu dirigir Russell Crowe, Michael Shannon, Rami Malek e Leo Woodall em Nuremberg”, seu primeiro filme.
Na tela, com algumas licenças históricas, está a tentativa de punir três tipos de crimes: de guerra; contra a paz; e contra a humanidade. O esforço, mais do que nas penas dos condenados, materializou-se na Carta da ONU, de junho de 1945 (meses antes de começarem os julgamentos); na Declaração Universal dos Direitos Humanos, de dezembro de 1948; e na Convenção Internacional contra o Genocídio, do mesmo mês e ano.
O que torna Nuremberg” um libelo tristemente atual é o fato de o tolerado pedofilocrata Donald Trump, acumpliciado ao sanguinário teocrata Benjamin Netanyahu, ter violado cada um dos preceitos e valores centrais estampados na Carta da ONU, na Declaração e na Convenção contra o Genocídio.
Parte significativa das corporações midiáticas norte-americanas - para as quais estava tudo bem enquanto ele apenas” estuprava crianças - admite hoje que a conduta do pedofilocrata é criminosa. Mais relevante ainda, analistas políticos de renome anunciam que Trump prepara, desde maio de 2025, um golpe de Estado.
Durante seu mandato anterior e até o patético 6 de janeiro de 2021, o pedofilocrata Trump foi impedido de se tornar ditador (em sentido explícito) por diversos setores da institucionalidade irracional dos EUA, com destaque para os militares.
O filme provoca uma reflexão incômoda sobre a
repetição contemporânea de práticas que violam
princípios fundamentais do direito internacional
e da dignidade humana”
Os generais (que lá prestam juramento à Constituição, enquanto cá juram obedecer ao chefe”) foram uma pedra no sapato do pedofilocrata Trump, que, em razão disso, no ano passado alterou o currículo da academia militar de West Point à revelia da comissão permanente do Congresso dedicada à fiscalização da formação de oficiais.
Em setembro de 25, o pedofilocrata Trump e seu secretário de defesa/guerra - o tal Hegseth, digno do head-hunter-às-avessas” formador do governo Bolsonaro - reuniram, de forma inédita, cerca de 800 oficiais-generais para uma tentativa de lavagem cerebral fascista, no que poderia ser descrito, em linguagem de autoajuda, como torne-se imbecil em duas horas”. Um general italiano adido, presente ao evento, declarou que aquilo seria impensável até na ditadura de Mussolini.
Sem unanimidade, a ponto de terem que demitir o chefe do Estado-Maior do Exército em 2 de abril (o general Randy George, imediatamente aposentado, declarou que o país é dirigido por um lunático que está a destruir o U.S. Army), a pedofilocracia norte-americana logra, no entanto, seduzir segmentos de seus guerreiros profissionais ao cometimento de crimes de guerra.
O renomado Paul Krugman, Nobel de Economia, alerta que há uma preocupante penetração da ideologia fascista MAGA entre os militares. E o historiador Timothy Snyder, professor em Yale, aponta para a resultante probabilidade de um golpe de Estado pedofilocrata nas eleições parlamentares agendadas para 3 de novembro próximo.
Golpe de Estado” nos EUA, porém, não prescinde de militares. Pode ser algo ainda mais sutil do que o perpetrado contra Dilma por Temer, o Usurpador, há dez anos. Basta que outros governadores pedofilocratas sigam o do Texas e alterem, na mão grande, distritos eleitorais, de modo a reduzir o número de representantes a serem eleitos em colégios reconhecidamente democráticos (não apenas Democratas”).
Mantida a maioria parlamentar via golpe, o pedofilocrata Trump continuará a protagonizar crimes contra a humanidade em seu próprio país e no resto do globo, e a comandar crimes de guerra e contra a paz. E formará e aliciará, com dinheiro, militares cada vez mais fascistizados.
É a repetição da história enquanto tragédia o que faz de Nuremberg” um filme obrigatório. As tragédias da guerra, da coisificação do ser humano e do genocídio ressurgiram majoradas, pois, mesmo juntos, Alemanha, Itália e Japão não representavam a ameaça de uma superpotência. Falta ressurgir um novo tribunal”.
* Advogado. Graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
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