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08 de abril, de 2026 | 07:00

Itabira: pesquisas científicas revelam tesouro de 35 bilhões de dólares

Antonio Nahas Junior *

Algumas semanas atrás a Vale anunciou que a exploração de minério de ferro em Itabira vai se prolongar por mais doze anos. Estava previsto o encerramento das atividades da mineradora na cidade em 2041 e, agora, será em 2053.

A produção total de minério estava estimada em 760 milhões de toneladas até 2041. Agora serão 1,15 bilhão - um acréscimo de 355 milhões de toneladas. Em valores, essas toneladas representam mais de 35 bilhões de dólares, ou quase duzentos bilhões de reais. Como a Vale manterá estável a tonelagem produzida, a exploração continuará até 2053.

Segundo a empresa, duas razões explicam o aumento da produção mineral. A primeira é o aprofundamento do conhecimento geológico da região, aliado “à evolução das tecnologias de beneficiamento, que passaram a permitir o aproveitamento de materiais anteriormente classificados como estéreis. É o caso da incorporação do itabirito dolomítico ao processo produtivo, que no passado não apresentava viabilidade técnica e econômica e hoje contribui para ampliar a vida útil da operação, além de reduzir os impactos ambientais.” (1).

Ou seja: aquilo que antes era considerado rejeito passou a ser matéria-prima. Novas tecnologias permitem o aproveitamento do minério contido nesse material. O que antes era lixo e problema ambiental grave, por exigir descarte e gerar impactos, passou a ter valor econômico, aumentando a produtividade das jazidas exploradas.

Há ainda outra vertente: se na exploração das atuais jazidas haverá aproveitamento do itabirito dolomítico, torna-se possível a exploração - ou remineração - das montanhas de resíduo estéril existentes em Itabira.

A Vale já caminha nessa direção. “Em 2025, o município contribuiu com cerca de 1,5 milhão de toneladas de minério de ferro provenientes de fontes circulares e avança no desenvolvimento de novos projetos de reaproveitamento de rejeito no complexo, atualmente em processo de licenciamento ambiental”, informa a companhia.


“Avanços geológicos e tecnológicos ampliam o horizonte
da mineração em Itabira, transformam rejeitos em matéria-prima
e prolongam a exploração mineral com impactos econômicos e
ambientais relevantes”


Basta lembrar que a mineração na cidade começou na década de 1920, antes mesmo da criação da Vale, com a Itabira Iron. Há rejeitos acumulados por mais de um século na região, pois, para cada tonelada exportada, gera-se pelo menos outra de rejeito. Existem ali acumuladas mais de 500 milhões de toneladas desse material.

Economia circular e mineração - A ampliação dos horizontes da mineração produz impactos para toda a sociedade. Haverá aumento da produtividade, pois, com a mesma quantidade de recursos, será possível produzir mais minério de ferro. A redução e o reaproveitamento de rejeitos podem deixar territórios minerados livres das grandes pilhas que, antes das tragédias de Brumadinho e Mariana, eram depositadas em barragens.

Esses resultados se alinham aos princípios da economia circular presentes nos ODS - Objetivos de Desenvolvimento Sustentável - da Agenda 2030 da ONU. O ODS 9 - Indústria, Inovação e Infraestrutura - incentiva tecnologias e processos industriais limpos, ambientalmente corretos e mais eficientes no uso de recursos.

A iniciativa demonstra que sustentabilidade industrial e economia circular não apenas são viáveis tecnicamente, como também ampliam a riqueza das empresas e da sociedade. Além de preservar o meio ambiente e reduzir emissões de gases de efeito estufa, podem diminuir o uso de matérias-primas ao reduzir resíduos. O que antes era descartado torna-se produto.

Esse princípio pode integrar a agenda empresarial como vantagem competitiva, permitindo que empresas exportadoras como a Vale fortaleçam seu posicionamento de mercado.

Para o setor mineral isso é ainda mais relevante, pois seus produtos são exportados para todo o mundo. A extração mineral sempre gera desconforto para municípios e estados que a abrigam. A sustentabilidade reduz o passivo ambiental, aumenta a riqueza gerada e prolonga a vida útil das jazidas.

Para Itabira, a expectativa é que apenas essa nova fase da mineração gere mais de cem milhões de reais por ano em CFEM - Compensação Financeira pela Exploração Mineral. Além disso, a mineração gera empregos e contrata serviços na região, como aluguel de equipamentos, zeladoria e manutenção.

Na história brasileira, a mineração criou condições para o desenvolvimento do país e da siderurgia. A ela se devem empreendimentos como CSN, Usiminas, Cosipa, Açominas e Acesita, que formaram a base da indústria nacional por décadas. Em 2025, a Vale gerou 26,1 bilhões em impostos e contribuições para diferentes esferas governamentais.

Resta torcer para que o que ocorre em Itabira seja apenas o primeiro passo de grandes transformações e que esse tesouro produza resultados para toda a região.

* Economista. Empresário. Na luta pela sustentabilidade da nossa indústria.

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