12 de abril, de 2026 | 08:50
Onda positiva para mercado imobiliário no interior de MG
Wallace Barreto Simão *
A construção civil é, historicamente, um dos pilares que sustentam a economia brasileira. Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) mostram que o setor ostenta uma participação no PIB nacional que varia entre 4,3% e 5,8%, aproximadamente. Tão importante quanto esses números é observar a resiliência do setor diante das crises recentes. Poucas atividades econômicas atravessaram períodos tão desafiadores mantendo ritmo de crescimento. Nem mesmo a pandemia e o aumento da Selic nos últimos anos foram suficientes para interromper esse crescimento. Como se costuma dizer em bom português, ganhamos casca!O balanço da própria Cbic sobre o desempenho de 2025 mostra que estamos atravessando um momento de solidez. No ano passado, os lançamentos de novos empreendimentos em todo o país cresceram nada menos que 10,6% em comparação com o ano anterior. As vendas de imóveis tiveram um aumento de 5,4%. Em Minas, o cenário também foi positivo. Estudos do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG) mostram que o Valor Geral de Vendas (VGV), ou seja, o montante de receita estimada com a venda de todas as unidades de um empreendimento, teve um crescimento de 3,3% no último ano, alcançando os R$ 14,5 bilhões.
Mas o que mais chama a atenção na análise do Sinduscon é que há um movimento de descentralização dos empreendimentos para além da capital em Minas. De todos os imóveis comercializados no estado em 2025, mais da metade - 51,5% - estavam localizados no interior. Este é um ponto importante, pois evidencia o processo de verticalização que os principais centros urbanos do interior estão passando. Governador Valadares e Ipatinga, as duas maiores cidades do Leste de Minas, por exemplo, vêm dando respostas bastante positivas quanto à receptividade do público a empreendimentos imobiliários de alto padrão.
A receita estimada com a venda de unidades de um
empreendimento, teve um crescimento de 3,3% no
último ano, alcançando os R$ 14,5 bilhões”
Entretanto, é preciso entender que um estado tão heterogêneo como Minas Gerais cria, naturalmente, nichos regionais que obrigam as empresas a criarem uma cultura corporativa de especialização em sua base de atuação. Isto significa que não basta um player da construção civil se instalar em toda e qualquer cidade de médio e de grande porte sem ter por trás um know-how que passa pelo profundo conhecimento do município e de sua população.
Alcançar este status requer um grau de experiência que só vem com empreendimentos bem-sucedidos. A indústria da construção civil, ao contrário da grande maioria dos demais setores da economia, dificilmente admite erros. É preciso não apenas estabelecer seu público-alvo como também entregar excelência e preço competitivo.
A aquisição de um imóvel é uma conquista marcante para qualquer consumidor. Muitas vezes representa anos, ou até décadas, de planejamento e expectativa. Por isso, mais do que acompanhar indicadores econômicos ou resultados de um ano específico, o setor precisa manter o compromisso permanente com decisões responsáveis e com a confiança de quem investe ali o projeto de uma vida inteira.
* Fundador e CEO da WR Construtora
Obs: Artigos assinados não reproduzem, necessariamente, a opinião do jornal Diário do Aço
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