13 de abril, de 2026 | 13:56

Vitória esperada

Fernando Rocha


O Cruzeiro, sob o comando do português Artur Jorge, mesmo sem contar com o artilheiro Kaio Jorge, poupado por questões físicas, teve personalidade e poder de reação suficientes para virar um resultado adverso e vencer o Bragantino, um adversário sempre difícil de ser batido em qualquer lugar.

Logo aos 5 minutos, Matheus Cunha falhou num chute de longe do lateral Hurtado, 1 x 0 para o Bragantino, que fez a torcida celeste perder a paciência e vaiar o goleiro toda vez que pegava na bola.

Aos poucos, o Cruzeiro foi se recuperando do susto e desperdiçando algumas chances incríveis, até que o jovem atacante colombiano, Néiser Villarreal, conseguiu empatar, aos 17.

A virada, que toda a torcida azul esperava e o time precisava, veio aos 4 minutos do segundo tempo com Christian, aproveitando uma sobra na área.

Vitória importantíssima, que fez a Raposa subir para o 17º lugar, sendo agora o primeiro da zona do rebaixamento com 10 pontos ganhos, apenas um ponto atrás do Corinthians, que empatou com o rival Palmeiras com dois jogadores a menos.

Freguês antigo
O Atlético vem na mesma toada há dois anos: ganha uma, perde outra, melhora de rendimento e ganha duas seguidas, empolga a imprensa e a sua torcida passa a acreditar no “agora vai!”.

Volta a jogar mal e perde, traz novamente a desconfiança para junto da torcida, o que aumenta a sua raiva e rejeição quanto ao time e alguns jogadores.

Contra o Santos no último sábado, na Vila Belmiro, quando perdeu por 1 x 0, esta ciranda negativa se repetiu, com uma atuação muito ruim no mesmo padrão das últimas duas campanhas do Brasileirão, onde apenas lutou contra o rebaixamento.

O Atlético, sob o comando do técnico argentino, Barba Dominguez, voltou a sofrer principalmente com a pressão exercida pelo adversário na saída de bola da sua defesa.

Vitória merecida do Peixe, que em sua casa tem ampla vantagem sobre o Galo, - 22 vitórias em 36 jogos na história deste confronto, contra apenas 6 triunfos do Galo -, que se tornou seu grande e antigo freguês.

FIM DE PAPO


Alguns jogadores como Hulk, Lyanco, Alan Franco, Cuello, Victor Hugo, que são fundamentais para a equipe, estiveram muito abaixo do esperado, o que contribuiu decisivamente para o resultado negativo diante do Santos. Mesmo tendo trocado cinco titulares, que nem viajaram à Venezuela na derrota vergonhosa para o Puerto Cabello, em sua estreia pela Copa Sul-Americana, o Atlético voltou a apresentar limitações na saída de bola e pouca capacidade de criação. Barba Dominguez voltou a demorar para mexer no time, mesmo tendo muitas opções no banco de reservas.

Pelo segundo jogo consecutivo, o Cruzeiro mostra sinais de evolução no futebol apresentado em relação ao jogo anterior. Contra o Barcelona, no Equador, a defesa melhorou com a entrada de Jonathas Jesus, mas também com o experiente lateral-direito Fagner, que teve outra grande atuação na vitória sobre o Bragantino. Merece também destaque a força mental da equipe celeste para reagir, após sofrer o gol do Bragantino, tendo o goleiro Matheus Cunha vaiado pela torcida. Claro que o trabalho do técnico Artur Jorge ainda está no começo, mas a tendência é do time crescer com os ajustes a serem feitos.

Para muitos atleticanos, principalmente os mais jovens, Hulk é o maior jogador na história centenária do Atlético. Perto de completar 40 anos de idade, Hulk não aguenta mais o ritmo frenético do nosso calendário, com jogos a cada três dias por competições diferentes. Contra o Santos foi novamente o pior em campo, errou tudo que tentou fazer, inclusive foi seu o erro de passe que resultou no contra-ataque que gerou o gol santista. Não há, no atual desequilibrado elenco do Galo, um substituto à altura para Hulk, mas ele deveria ser poupado em alguns jogos ou substituído mais cedo. Isso evitaria um desgaste maior do ídolo junto à torcida, além de um sinal de respeito ao seu passado vitorioso com a camisa alvinegra.

O melhor centroavante do futebol brasileiro hoje é Pedro do Flamengo, um raro exemplo de jogador clássico, que atua de cabeça erguida e também sabe brigar pela bola em igualdade física com os zagueiros. O primeiro gol que fez no Fla-Flu foi algo espetacular, aproveitando uma falha na saída de jogo do sempre bom goleiro Fábio. Nas redes sociais, torcedores atleticanos voltaram a lembrar o “gol de costas”, que Fábio sofreu quando defendia o Cruzeiro, marcado pelo ex-atacante Vanderlei, no clássico que decidiu o Campeonato Mineiro de 2007. Os dois lances, a meu juízo, só têm alguma semelhança no fato do goleiro estar fora da sua meta, mas agora ele estava de lado e viu toda a viagem da bola chutada por Pedro, até balançar as redes do tricolor. (Fecha o pano!)
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