15 de abril, de 2026 | 07:00
Fapemig lança edital para inovação em mudança do clima
Antonio Nahas *
A Fapemig Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais, lançou o edital Minas pelo Clima: Ciência e Inovação ao Plano Estadual de Ação Climática, com o objetivo de apoiar projetos de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação que contribuam para o enfrentamento dos desafios definidos no Plano Estadual de Ação Climática de Minas Gerais (PLAC-MG), visando ao alcance da neutralidade de emissões líquidas de gases de efeito estufa (GEE) até 2050 e ao fortalecimento da resiliência do território mineiro frente aos impactos da mudança do clima.É um desafio e tanto. Minas é um dos poucos estados do país que têm Plano Estadual de Ação Climática. O diagnóstico revela que há muito a fazer. Segundo o inventário de emissões elaborado para o plano, em 2019, último ano analisado, as emissões líquidas, descontadas as compensações, alcançaram mais de 122 milhões de toneladas de carbono. O objetivo do plano é ambicioso: que até 2050, daqui a 24 anos, haja neutralidade das emissões líquidas. Ou seja, que ações de reflorestamento, diminuição de queimadas e ampliação da cobertura vegetal compensem as emissões geradas.
Crises e desafios também apresentam oportunidades
para o surgimento de soluções criativas e lucrativas”
Para atingir esse objetivo, será necessário trilhar dois caminhos. O primeiro é reduzir as emissões de carbono. Em Minas, o maior responsável pelas emissões, com mais de 48% do total, é a agricultura, a agropecuária e outras atividades relacionadas ao uso da terra. Entram nesse grupo a fermentação entérica do gado, fertilizantes sintéticos, queima de resíduos agrícolas, queima de resíduos florestais e conversão do uso da terra.
O segundo é a produção de energia, responsável por 26% das emissões, seguida pela gestão de resíduos e pela transformação industrial.
Nessa linha, o edital busca estimular a integração entre instituições científicas, setor produtivo, governo e sociedade civil, ampliando a cooperação e a transferência de conhecimento e tecnologia.
Minas é um dos poucos estados do país que têm
Plano Estadual de Ação Climática”
É uma ótima diretriz. Cientistas e pesquisadores de universidades e centros de pesquisa necessitam testar suas ideias e transformá-las em projetos viáveis, social e economicamente. Indústrias e sociedade, de forma geral, necessitam de soluções para redução de emissões e conservação das áreas verdes existentes, em áreas rurais e urbanas.
A tecnologia permite que o conhecimento científico seja testado e transformado em saber produtivo. Sua utilização pela sociedade faz com que ela evolua e se transforme.
Valores - O edital aceita projetos para setores prioritários do Plano Clima de Minas Gerais. Para a área urbana, as principais linhas de ação são mitigar os impactos das mudanças climáticas e fortalecer a resiliência urbana; fortalecer o sistema de Defesa Civil para redução do risco de desastres; desenvolver estratégias de proteção para famílias em áreas de risco; e avaliar o desempenho ambiental de edificações e sistemas urbanos, entre outras. Para a indústria, há possibilidade de projetos voltados à ampliação da eficiência energética e à substituição de combustíveis e materiais por insumos alternativos de menor intensidade carbônica.
Podem ser proponentes instituições de ensino e pesquisa, empresas e cooperativas. É importante compor a equipe com pesquisadores e cientistas cadastrados na Fapemig, critério de elegibilidade decisivo.
O valor total a ser distribuído será de R$ 50 milhões. Cada projeto poderá receber entre R$ 500 mil e R$ 3 milhões, no caso de projetos estratégicos de transformação sistêmica. Trata-se de recursos a fundo perdido para teste e desenvolvimento de produtos e iniciativas que podem gerar grande proveito para a sociedade.
Quando os projetos estiverem prontos, surge a etapa de implantação, o que pode envolver muitos milhões de reais. A inovação é fator decisivo no desenvolvimento das nações. Crises e desafios também apresentam oportunidades para o surgimento de soluções criativas e lucrativas.
O desafio da transição energética é reduzir emissões sem elevar custos de produção. A reciclagem de resíduos, a redução de sua geração, o menor consumo de energia e a substituição de combustíveis fósseis por fontes renováveis podem se tornar oportunidades relevantes de inovação.
Enfim, é uma possibilidade para empresas e cooperativas do Vale se associarem a instituições de ensino com bons projetos, replicáveis para a sociedade e que aguardam incentivo para serem desenvolvidos. Agora que a UFOP está por aqui, novas oportunidades tendem a surgir.
Para quem se interessar, o edital pode ser acessado no site da Fapemig. O prazo de envio vai até maio. Nossa empresa - NMC Integrativa - pode contribuir na elaboração do projeto. Basta enviar e-mail.
São passos assim que farão surgir soluções criativas para a transição energética do país. A neutralidade na emissão de carbono deve se tornar um grande ativo financeiro para o Brasil.
* Economista e empresário. [email protected]/
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