20 de abril, de 2026 | 15:50

Pior do que tá, pode ficar...

Nena de Castro *


Cansado de viver na pobreza, Zeca Beludo um dia se despediu da mãe “e meteu o pé na estrada like a Rolling Stone embora Mick Jagger  nunca tivesse cantado para ele!! No caminho, encontrou uma cobra prateada, usando uma bolsa Chanel e pitando folha de couve enrolada, soltando baforadas verdes...

A cobra estava montada num ratinho que expelia bicas de suor dourado e gemia em alemão. Zeca Beludo seguiu em frente, encontrou um velho vaqueiro e lhe perguntou onde poderia falar com o rei. “Nonada!” - respondeu o vaqueiro que tinha sobrancelhas hirsutas enfeitadas com minúsculos lacinhos vermelhos. – “O que a vida requer da gente é coragem”! –

Coragem não me falta, atirei o pau no gato, mas a dona Chica achou ruim disse Zé matando uma puiga cazunha! Ara sô dexela pralá, aquela veia depois que teve um fi artão e lorão, que fica brincano com fosque e qué pô fogo no mundo, deu mode azucriná a vida da gente !

Falando nisso - disse o véi coçando o saco -  cê já viu o Saci de duas pernas? O quê, isso num é pussive, sô moço - disse Zeca! Que sem graceza é essa? Ieu, hein! Cuma que ele vai ganhar a vida com uma perna a mais?

Vai vê que perdeu o capuiz e o redemuin tombém! “E agora, José?”  Sei não, mininu - respondeu o véi -  êfalô que vai prum tar de big brode vê se ganha a vida lá! - Ah, bão - disse o Zé catando um carrapato atrais da oreia! - Acá,  tô percurando trabaio mode ficá rico, sabe de argum lugar? - Mô  fi, o trem tá brabo! Pra fica rico ocê tem que muda pra Brasia e fundá um banco, chamá as artoridade mode andá de avião pra riba e pra baxo, contratá umas mocinha estrangêra mode eles se divirti e tomá cuidado pra num sê preso, senão a garapa azeda! Ou pode dá um gorpe nos veim do INSS, esse é mió, causa de quê num descobriro inté hoje quem passô a mão na grana! -Uai, moço, o senhor tá me dando uns conseio danadibão, ieu vô é pra Brasia  e vô sê puliticu e enrolá  e enrolá o povo enquanto dou gorpes e gorpes e guardo o dindim no bolso, nas cueca e nas mala, sô! Inté! E Zeca Beludo se afastou correndo! O véi ficô cuzói vremei, mostrô os chifre e foi atentá o lorão americano, aquele louco que tá botano fogo no mundo! E eu, eu, eu, esporeei minha mula ruana  pra chegá depressa em Pasárgada, doidinha mode papeá com Manuel Bandeira, pois os papos daqui estão de amargá!

Perdão meus cinco leitores! Tô com um amargo na boca que nem a Poesia, nem os livros, nem a “musga” tão dano jeito! Esse mundo tá maluquecendo cada veiz mais, o homi blasfemo até se fantasiou de Jesus e ainda vem muito trem ruim por aí! Só que um bem-te-vi teve a audácia de cantar ali no meu pé de cajá indagorinha e num sei se dou nele um beijo ou uma pedrada! Humpf! O que vocês acham? E nada mais digo!
 
* Escritora e Encantadora de Histórias
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário