22 de abril, de 2026 | 07:00
Minas sem rumo: o vazio deixado pela política de aparência
Miguel dos Santos *
No dia em que se comemora o mártir Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, aproveito o dia de folga para escrever esse artigo. Consternado. É necessário defender que Minas Gerais reassuma o seu protagonismo na história. O mineiro Tiradentes atuou ativamente na disseminação das ideias libertárias e serviu de ponte entre intelectuais e a população. Faz falta um homem assim na política mineira atual. Ideais defendidos no século XVIII, como igualdade e autonomia, criação (ou ampliação) de universidades, desenvolvimento de indústrias locais e liberdade de comércio, nunca estiveram tão atuais.Chega a doer ver parlamentares mineiros gravando vídeos apenas com a intenção de viralizar, disseminando notícias falsas, como ocorreu no episódio do Pix há dois anos, ou propondo medidas sem sentido, como atropelar leis federais e acabar com a apreensão de veículos sem licenciamento.
Minas Gerais precisa voltar a ser prioridade para os políticos eleitos, a fim de recuperar seu protagonismo na história do Brasil. Neste momento, surgem vários nomes para a eleição, defendidos por partidos e grupos de esquerda ou de direita, quando a preocupação não deveria estar centrada em nomes, mas em propostas para o estado.
Entre vídeos e promessas vazias, o estado perde
protagonismo e adia soluções reais”
O cenário atual é desanimador. Na eleição passada foram eleitos deputados e senadores que, em sua maioria, limitam-se a postar vídeos e recortes nas redes sociais. Isso não muda a vida das pessoas. É necessário ter deputados federais que cheguem a Brasília e busquem o Ministério dos Transportes ou a sede do DNIT para apresentar ofícios com soluções para as rodovias mineiras. Gravar vídeos ao lado de buracos é cortina de fumaça: dá visibilidade, mas não resolve o problema. Enquanto isso, as estradas de Minas estão entre as piores do Brasil.
Também é preciso uma atuação efetiva em projetos estruturantes, como a criação de um metrô para Belo Horizonte, além de políticas que beneficiem quem produz no campo. Minas necessita de representantes em Brasília que deixem de lado a superficialidade das redes sociais, parem de apenas criticar e passem a apresentar soluções concretas.
O estado precisa construir um caminho para sair da dívida bilionária, que saltou de R$ 124 bilhões em 2018 para R$ 201 bilhões até o fim de 2025. Esse passivo, acumulado há mais de três décadas, trava o desenvolvimento mineiro. Acima de disputas entre esquerda, direita ou centro, Minas Gerais precisa se reerguer.
Sem articulação e propostas concretas, bancada
mineira falha em responder aos desafios históricos”
É necessário retomar a tradição de diálogo produtivo, em que os interesses do estado estejam acima de projetos políticos e partidários. São 53 deputados federais na bancada mineira, um número expressivo e que custa caro aos cofres públicos e deveria se traduzir em resultados. No entanto, muitos ainda priorizam conteúdos para viralizar, enquanto as rodovias continuam matando pessoas e gerando prejuízos para quem produz.
Minas precisa de propostas que ampliem as ferrovias, mais eficientes e seguras que o transporte rodoviário, além da implantação de hospitais regionais e da expansão dos campi universitários. O estado carece de políticos comprometidos com a solução de problemas urgentes.
Ao analisar os rumos adotados nos últimos anos, fica evidente que a polarização não contribui para melhorar o estado. Minas Gerais precisa, com urgência, reencontrar seu caminho.
* Economista
Obs: Artigos assinados não reproduzem, necessariamente, a opinião do jornal Diário do Aço
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