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29 de abril, de 2026 | 12:57

Administração de Coronel Fabriciano cita cenário fiscal e rebate críticas diante de estado de greve dos servidores

Divulgação
Governo afirma que aguarda a formalização do resultado da assembleia para dar continuidade às tratativasGoverno afirma que aguarda a formalização do resultado da assembleia para dar continuidade às tratativas

Por Matheus Valadares - Repórter Diário do Aço

O governo de Coronel Fabriciano se manifestou, no início da noite de terça-feira (28), em nota enviada ao Diário do Aço, sobre o estado de greve aprovado por servidores públicos durante assembleia promovida na noite de segunda-feira (27), que também culminou na rejeição da contraproposta feita pelo Executivo.

O governo fabricianense afirmou que ainda não foi formalmente notificado sobre o resultado da reunião, mas indicou que irá reavaliar o cenário após comunicação oficial.

De acordo com o sindicato da categoria, 94,2% dos trabalhadores presentes rejeitaram a proposta da Campanha Salarial apresentada pelo governo, que incluía reajuste do auxílio-alimentação e aumento real condicionados à extinção das férias-prêmio.

“Apelo emocional”
Por meio da nota, a administração afirmou que respeita a decisão da assembleia, mas avaliou que a análise dos servidores pode ter sido influenciada por “forte apelo emocional”.

Sobre os pontos mais criticados, o governo sustenta que a proposta não representa retirada de direitos, mas uma readequação dos benefícios à realidade atual da gestão pública. O Executivo defende a substituição das férias-prêmio por um auxílio-alimentação ampliado, que teria impacto direto na renda mensal dos servidores.

“Ademais, é importante lembrar que as férias-prêmio foram criadas em outro momento e hoje já não refletem o contexto atual das relações de trabalho. Também é preciso considerar o impacto na prestação dos serviços. As férias-prêmio, por gerarem afastamentos longos, acabam dificultando a organização das equipes e podem comprometer o atendimento à população, principalmente em áreas mais sensíveis”, alegou o governo.

Queda de receita e equilíbrio fiscal
A administração também citou o cenário econômico e a redução na quota-parte do ICMS como fatores que exigem cautela na ampliação de despesas permanentes. Segundo o governo, houve queda de 11,3% na receita projetada do imposto entre 2025 e 2026, o que impacta o planejamento financeiro do município.

Ainda conforme a nota, qualquer nova proposta deverá considerar o atual contexto fiscal e a necessidade de manter o equilíbrio das contas públicas.

Estado de greve e mobilização
O Executivo também acrescentou que reconheceu o direito de greve, mas afirmou que não deu causa ao movimento e destacou ações adotadas nos últimos anos, como recomposição inflacionária, realização de concursos públicos e pagamento regular de salários e benefícios.

Na terça-feira (28), servidores fizeram um protesto em frente à prefeitura. Novas mobilizações estão previstas para os próximos dias. Com a aprovação do estado de greve, a categoria pode começar a paralisação a qualquer momento.

Retirada de direitos
A presidente do sindicato, Sirlene Vaz de Moura Silva, afirmou que a categoria não aceita a vinculação dos reajustes à extinção das férias-prêmio.

“O prefeito ofereceu um ganho real, um reajuste de 1,45%, entretanto com uma condição, a extinção das férias-prêmio. O auxílio alimentação atualmente é de R$ 300. A contraproposta oferece passar para R$ 400 em 2026, R$ 500 em 2027 e R$ 600 em 2028. Entretanto, com a mesma condição de que os servidores concordem com a extinção das férias-prêmio. Não podemos concordar com a retirada de nenhum direito da classe trabalhadora”, afirmou.

Diálogo
Por fim, a administração afirmou que mantém o diálogo com o sindicato e aguarda a formalização do resultado da assembleia para dar continuidade às tratativas.
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