26 de maio, de 2026 | 06:00

Outra falha

Fernando Rocha

O Atlético sofreu mais uma derrota fora de casa, desta vez para o Corinthians, 1 a 0, a sétima de nove partidas longe da Arena MRV; trata-se da pior campanha de um time visitante neste Campeonato Brasileiro.

Ainda mais cruel para a torcida alvinegra foi o gol da vitória corintiana, marcado aos 43 minutos do 2º tempo, por um jogador que havia acabado de entrar, Zacarias Labyad, marroquino/holandês, de 33 anos, em um chute certeiro que, certamente, nunca mais conseguirá repetir na carreira.

Mas nada é tão ruim que não possa piorar, pois o gol saiu de outra boa aérea, sem nenhuma marcação ou alguém da defesa alvinegra para atrapalhar o corintiano.

Dos 42 gols sofridos pelo Atlético na atual temporada, 16 foram em jogadas de bola aérea, representando 38%, sendo que, das últimas sete vezes em que o goleiro Everson sofreu gols, em cinco delas o adversário balançou as redes do Galo após cruzamentos sobre a área atleticana.

Apagão inexplicável
Os quase 45 mil torcedores do Cruzeiro presentes, anteontem, no Mineirão, não mereciam e não deveriam ter passado por tanta aflição como se viu na vitória de 2 x 1 sobre o lanterna Chapecoense.

Embora tenha dominado inteiramente a partida no 1º tempo e criado inúmeras oportunidades claras de gol, a Raposa só fez um por intermédio de Kaio Jorge, em cobrança de pênalti.

Veio a segunda etapa, fez o segundo gol com Sinisterra, mas a partir dos 27 minutos, quando a Chapecoense marcou em nova falha da zaga em bola aérea, o time celeste sofreu um apagão assustador.

Porém, ao contrário de outras ocasiões, a sorte esteve do lado celeste: além de gol e pênalti anulados, a ótima fase do goleiro Otávio, com defesas milagrosas, salvou a Raposa de sofrer o empate e talvez a derrota.

FIM DE PAPO

O técnico Eduardo “Barba” Domínguez voltou a ser muito criticado por sua estratégia considerada defensivista e muito pouco ousada. A decisão de escalar o inoperante Alan Franco na volância e deixar Alexsander de fora do time titular, além de ter optado por sacar Alan Minda no ataque, são os principais motivos das reclamações e revoltas da torcida. O fato de o time sistematicamente recuar e deixar o adversário à vontade no 2º tempo dos jogos, também, está no lista das críticas pesadas ao seu trabalho.

As suas entrevistas pós-jogo têm sido um verdadeiro desastre. Eduardo Domínguez foi questionado sobre o time ter sofrido mais um gol em bola aérea e como ajustar essa deficiência da equipe e disse o seguinte: "Se eu soubesse o que fazer estaríamos trabalhando e executando". Quem a não ser ele próprio, que é muito bem pago para isso, deveria descobrir meios de corrigir as falhas do time, sobretudo da atual fraca e deficiente zaga? Com certeza não é a imprensa ou a torcida do Galo. Vida que segue. Amanhã, às 19h, o Galo recebe o Puerto Cabello da Venezuela, na Arena MRV, quando precisa vencer por qualquer placar para se classificar aos play-offs da Sul-Americana. Será?

Importante foi o resultado de vitória que deixa o Cruzeiro em 9º lugar com 23 pontos, sem nenhuma chance de voltar à zona de rebaixamento durante a paralisação no período da Copa do Mundo. Vale lembrar que a Raposa ficou 12 rodadas na zona de rebaixamento e só reagiu depois da chegada do treinador português Artur Jorge. Que sirva de lição e a equipe não repita o mesmo apagão do último domingo, para conseguir, sem maiores sustos, uma vitória diante do Barcelona de Guayaquil, nesta quinta-feira próxima, que vai lhe garantir a classificação às oitavas de final da Libertadores sem depender de outros resultados.

Já vimos outros árbitros validar lances com irregularidades até mais claras do que no pênalti e no gol anulados da Chapecoense, que beneficiaram o Cruzeiro. No futebol brasileiro é comum a arbitragem na dúvida marcar favorável ao lado mais forte. No Campeonato Mineiro, os beneficiados são Galo e Raposa, mas quando estes enfrentam os chamados “grandes” do eixo Rio/SP são prejudicados. Na Roma antiga se dizia que “a mulher de Nero não precisava ser só honesta, tinha também que parecer honesta”. O Cruzeiro não jogou mal, fez por onde vencer a Chapecoense por um placar até dilatado, mas deu mole no final e poderia ter sofrido um empate ou até a derrota. (Fecha o pano!)

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