27 de maio, de 2026 | 18:00

Viação Rio Doce anuncia fim do transporte coletivo em Caratinga a partir de 15 de junho

Supercanal
O caso de Caratinga ocorre em meio a outros impasses envolvendo o transporte coletivo urbano na regiãoO caso de Caratinga ocorre em meio a outros impasses envolvendo o transporte coletivo urbano na região
Por Matheus Valadares
A Viação Rio Doce anunciou que encerrará as atividades no transporte coletivo urbano de Caratinga a partir do dia 15 de junho. A informação foi confirmada nesta terça-feira (26), em coletiva, pelo presidente da empresa, Rinaldo Grossi. Segundo ele, o contrato com o município está vencido e a operação se tornou financeiramente insustentável.

Conforme Grossi, os custos do serviço estão superiores à receita obtida com a venda de passagens. Ele afirmou que a empresa manteve a operação nos últimos meses para evitar que os passageiros ficassem sem atendimento, mas que o modelo atual não garante equilíbrio financeiro.

“Esse contrato encerrou em outubro de 2023 e de lá pra cá nós temos trabalhado sem contrato. Sem demagogia, quem trabalha precisa de receber o salário e a empresa também precisa de ter o dinheiro para pagar os compromissos, e não estava dando nem para pagar os compromissos”, afirmou Grossi.

O presidente também citou a redução no número de usuários do transporte coletivo, diante de outras formas de deslocamento, como aplicativos, táxis e mototáxis. Segundo ele, atualmente os ônibus transportam, em grande parte, passageiros com direito à gratuidade. A empresa registra aproximadamente 7 mil gratuidades por mês.

“Eu estive na Câmara, inclusive, para conversar com a comissão que foi feita para estudar esse caso. Expliquei as contas, e a Câmara não disponibilizou muito tempo, não sei se cheguei em uma hora meio ruim. Fato é que eu não consegui sensibilizar as pessoas”, declarou.

Governo cita proposta de subsídio


Em nota enviada ao Diário do Aço, a administração municipal de Caratinga informou que, durante as tratativas com a concessionária, apresentou uma proposta de reajuste no valor do subsídio mensal acima dos índices inflacionários. Segundo o município, a medida demonstrava o esforço da gestão para garantir a continuidade do serviço e minimizar impactos à população.

A proposta, porém, não foi aceita pela empresa. Questionado sobre o assunto, Grossi afirmou que a oferta não foi apresentada de forma definitiva. “Foi colocado sim essa proposta, mas não foi de forma firme. A proposta foi assim ‘ficaria bom esse valor?’, e eu falei não. Não tem condição de trabalhar”, respondeu.

Tarifa zero


Diante do impasse, a administração informou que já iniciou estudos e procedimentos para abertura de novo processo licitatório, com o objetivo de permitir que outras empresas interessadas possam operar o transporte coletivo urbano em Caratinga.

O Executivo também avalia a viabilidade técnica e financeira para implantação futura da tarifa zero no município. Segundo a prefeitura, o projeto exige planejamento responsável e estudos detalhados para implementação gradual.
“Creio que a tarifa zero seria o ideal. É o que está acontecendo e dando certo, e o prefeito tem muita sensibilidade e acha isso também. Mas ele precisa de aprovação da Câmara. Eu estou à disposição, como estive nesses últimos três anos, eu só não posso ficar a vida inteira amargando prejuízo”, completou Rinaldo Grossi.

Em nota, a Prefeitura de Caratinga afirmou que reafirma “seu compromisso com a população, buscando soluções responsáveis, sustentáveis e que garantam mobilidade urbana de qualidade para todos”.

Crise no modelo de transporte


Divulgação
Em Coronel Fabriciano, o processo licitatório para nova concessão foi finalizado na semana passada sem receber propostasEm Coronel Fabriciano, o processo licitatório para nova concessão foi finalizado na semana passada sem receber propostas

O caso de Caratinga ocorre em meio a outros impasses envolvendo o transporte coletivo urbano na região. Em Coronel Fabriciano, o processo licitatório para nova concessão foi finalizado na semana passada sem receber propostas. O certame seguiu mesmo após pedido de impugnação apresentado pelo consórcio Fabri Fácil, atual prestador do serviço no município.

A concessão anterior está com contrato vencido desde 31 de outubro de 2022. Atualmente, o serviço funciona de forma precária por decreto, renovado a cada 90 dias. Extraoficialmente, a informação é que a ausência de interessados pode estar ligada a possíveis erros na modelagem econômico-financeira, que comprometeriam a viabilidade da concessão.

Em nota, a Prefeitura de Coronel Fabriciano informou que a prorrogação do decreto de continuidade do serviço ocorrerá pelo período necessário para a conclusão das adequações técnicas e a homologação do novo certame. Segundo o município, a medida garante que a população não sofra interrupção no atendimento das linhas e horários durante a transição.

Também informou que o trabalho de revisão da modelagem já está em andamento pela equipe técnica, com a intenção de lançar novo processo licitatório o mais breve possível, com foco no equilíbrio econômico-financeiro e na modernização da mobilidade urbana.

Em Ipatinga, no início de abril, uma paralisação de advertência de aproximadamente duas horas no transporte coletivo causou transtornos à população. Milhares de passageiros ficaram sem ônibus e não conseguiram chegar no horário previsto aos locais de trabalho e a compromissos pessoais.

Nos dias anteriores à paralisação, os rodoviários divulgaram um alerta com as principais reivindicações da categoria, como regularização dos depósitos do FGTS, quitação de débitos com prestadores dos planos odontológico e de saúde, além do fim do atraso no pagamento das férias e do vale-refeição.

De acordo com a diretoria do Sinttrocel, sindicato que representa a categoria na região, a empresa alegou enfrentar dificuldades financeiras e aguardar, entre outros fatores, o pagamento de uma dívida de R$ 7 milhões por parte do município de Ipatinga. Ainda conforme os diretores, Coronel Fabriciano deve mais de R$ 5 milhões, enquanto Timóteo possui uma dívida em negociação.
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