28 de maio, de 2026 | 17:30
Ney Franco fala da experiência na Jordânia e da possibilidade de retornar ao exterior
Waldecy Castro
O médico Rogério Machado ao lado de Ney Franco, num dos momentos de lazer do técnico, após o sucesso na Jordânia
O médico Rogério Machado ao lado de Ney Franco, num dos momentos de lazer do técnico, após o sucesso na Jordânia Após cinco meses de trabalho no Al-Hussein, da Jordânia, comandando o time na campanha do título do campeonato nacional e da Copa da Jordânia, o treinador Ney Franco retornou ao Vale do Aço. Atualmente, divide seu tempo entre atenção à família e aos amigos. Em paralelo, cuida dos seus negócios em Ipatinga, na sua terra Vargem Alegre e em outras localidades brasileiras. Num desses períodos de cuidados da vida pessoal, concedeu entrevista ao Diário do Aço.
Ney Franco, estranhamente, foi desligado do clube jordaniano a duas rodadas da rodada final, numa tentativa da direção de não pagar uma premiação especial pela conquista do título nacional. A iniciativa foi em vão, pois o profissional já recorreu à Fifa, que lhe deu ganho de causa e o clube terá que lhe pagar os meses de salários em atraso e o prêmio pelo título, conforme previsto em contrato.
Experiência valiosa
Em que pese este problema financeiro, o treinador considerou a experiência na Jordânia muito boa, onde considera que realizou bom trabalho e abriu mercado no mundo árabe e também no mercado asiático.
Foi uma experiência espetacular, a primeira trabalhando no exterior, embora já tenha disputado competições fora do país por clubes brasileiros que eu treinava, assim como a seleção brasileira Sub-20. Quando recebi o convite para trabalhar lá, estudei o clube e vi que era uma equipe que tinha potencial para ganhar títulos. Quando cheguei, procurei me adaptar à cultura do país, onde fui muito bem recebido e a gente já conseguiu ajustar a nossa equipe, pois tivemos, logo de início, 20 dias de treinamentos. Pegamos o time na terceira colocação no campeonato nacional, recuperamos dentro da competição, na qual fomos campeões, assim como na copa nacional da Jordânia”, falou sobre a campanha da equipe.
Entretanto, aconteceu um fato, no qual o clube me procurou a dois jogos da final do campeonato e propôs uma rescisão de contrato. Deixamos lá um trabalho muito bem montado”, pontuou Ney Franco.
Novo mercado de trabalho
Além do mercado na Jordânia, Ney Franco acredita ter aberto possibilidade de trabalhar noutros países do mundo árabe, bem como na Ásia, ambos emergentes e atualmente contratando técnicos brasileiros. Isto porque, ao contrário de um certo tempo, a licença adquirida junto à CBF passou a ser aceita pelas federações daqueles países.
Estamos atualmente na parada para a Copa do Mundo, mas temos boas conversas, trocando figurinhas com alguns clubes e empresários e estou otimista quanto a um retorno ainda este ano, ou para a Arábia ou mundo asiático; existem boas perspectivas”, confidenciou o treinador.
Disse, ainda, que se trata de um mercado interessante do ponto de vista financeiro, ao nível dos melhores clubes brasileiros.
Sobre a comunicação no dia a dia de trabalho, confirmou que havia um intérprete para contato com os atletas. Com aqueles que falam o inglês, Ney Franco tinha comunicação direta.
Jordânia e Brasil na Copa
Ney Franco confidenciou que, depois da seleção brasileira, irá torcer para a Jordânia na Copa do Mundo, competição que disputará pela primeira vez. Realista, considera uma zebra caso avance num grupo que tem Argentina, Argélia e Áustria. Diz que o selecionado jordaniano joga bem fechadinho”, explorando os contra-ataques em velocidade, pelas características desses jogadores. Sabe que a Argentina será favorita à primeira vaga do Grupo J da primeira fase, mas considera que a surpresa pode acontecer.
O treinador, que completará 60 anos em julho, disse que são oito jogadores do Al-Hussein convocados para a Copa, sendo três ou quatro deles titulares.
Sobre a seleção brasileira, considera que a camisa pesa” numa Copa do Mundo, e que a tradição e os bons jogadores que possui levará certamente a uma boa campanha. Principalmente pela presença de um treinador vencedor no comando (Carlo Ancelotti) e a possibilidade desses bons jogadores deslancharem na competição. O Brasil é, sim, um dos favoritos a ganhar a Copa do Mundo, pois tem atletas inteligentes taticamente e com um período de duas semanas para treinarem, as perspectivas são boas”, profetizou.
Treinadores estrangeiros no país
Sobre a presença de treinadores estrangeiros atuando no futebol brasileiro, Ney Franco considera normal e que pode trazer melhorias para os aspectos tático e técnico.
Penso que não atrapalha o mercado; não sou contra a presença de estrangeiros trabalhando nos clubes brasileiros. Eu gosto é do bom treinador, do bom profissional, há bons profissionais de fora. Claro que se tornou um mercado mais disputado ante a esta nova realidade, pois anteriormente eram somente profissionais daqui. Mas o que vale é o trabalho bem realizado, agrega valores; é importante para o crescimento de todos do meio”, pontuou.
Comentarista na Cazé TV
Ney Franco recebeu uma proposta e irá comentar dois jogos da Jordânia pela CazéTV no Mundial: contra a Áustria, dia 17/6; e contra a Argentina, dia 27/6. Ele irá se deslocar até os estúdios da emissora no Rio de Janeiro, de onde fará a sua participação.
Carreira de sucesso
Natural de Vargem Alegre, o técnico sempre foi um apaixonado pelo futebol. Graduou-se em educação física na Universidade Federal de Viçosa, seguindo carreira nas divisões de base do Atlético e, em seguida, do Cruzeiro. Iniciou como técnico profissional no Ipatinga, comandando o time no inédito título estadual de 2005. Depois, esteve no Flamengo, Botafogo, seleção brasileira Sub-20, Coritiba, Goiás, Athletico-PR, São Paulo, Vitória, Sport, Chapecoense, Cruzeiro, Joinville, CSA, ABC.
Campeão da Copa do Brasil e Campeonato Carioca (Flamengo), da Série B do Brasileirão (Coritiba), do Sul-Americano e do Mundial Sub-20, da Copa Sul-Americana (São Paulo) e, agora, do campeonato nacional e da copa da Jordânia, além de acesso à Série A do Brasileirão com o Goiás.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]
















