30 de maio, de 2026 | 06:00

Jornada 5x2 avança no Congresso e trabalhadores conquistam vitória histórica

Celinho Sintrocel *

A aprovação do fim da escala 6x1 pela Câmara dos Deputados representa uma conquista histórica para os trabalhadores brasileiros e fortalece uma luta defendida há décadas pelo movimento sindical. A proposta reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, e estabelece oficialmente a escala 5x2, garantindo dois dias de descanso semanal.

Ao contrário do que afirmam críticos da medida, a votação não se consolidou como uma disputa entre direita e esquerda, mas como uma pauta de forte apelo social. O texto foi aprovado por ampla maioria: 461 deputados votaram favoravelmente e apenas 19 foram contrários.

A força do consenso também ficou evidente na bancada mineira. Dos 53 deputados federais de Minas Gerais, 50 votaram a favor da proposta e três se abstiveram, sem nenhum voto contrário. A PEC recebeu apoio de partidos como Avante, MDB, PDT, PL, Podemos, PP, PRD, PSD, PSDB, PSOL, PT, Rede, Republicanos e União Brasil.

Em Minas Gerais participamos da articulação da audiência pública promovida pela ALMG para debater os impactos da atual jornada na saúde, segurança e qualidade de vida dos trabalhadores.

A audiência reuniu representantes sindicais, especialistas, integrantes do Governo Federal e parlamentares. Os debates envolveram a PEC 221/19, do deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), e o PL 1.838/26, do Governo Lula. A mobilização nos estados foi apontada como decisiva para pressionar o Congresso e consolidar a aprovação em Brasília.

Entendemos que a escala 6x1 penaliza principalmente os trabalhadores mais pobres, privados de tempo adequado para descanso, convivência familiar, lazer, qualificação profissional e cuidados com a saúde. “Jornadas acima de 40 horas semanais aumentam o risco de acidentes e de adoecimento físico e mental. Trabalhadores descansados produzem mais, têm mais segurança e melhor qualidade de vida”, afirmou.


“Essa vitória nasceu da luta organizada das centrais
sindicais e da mobilização dos trabalhadores”


O texto aprovado estabelece uma transição gradual para adaptação das empresas. Sessenta dias após a promulgação da PEC, a carga horária cairá de 44 para 42 horas. Após 12 meses, será reduzida definitivamente para 40 horas semanais, em 2027.

Defensores da proposta apontam benefícios como geração de empregos, aumento da produtividade, fortalecimento do mercado interno e redução dos afastamentos por doenças psicossociais.

Para acelerar o avanço da medida foi aprovada na Comissão de Trabalho da ALMG, um requerimento ao Congresso Nacional solicitando agilidade na votação do Senado antes do recesso parlamentar de julho. O documento também pede apoio dos três senadores mineiros à aprovação da proposta.

Essa vitória nasceu da luta organizada dos sindicatos, das centrais sindicais e da mobilização dos trabalhadores nas ruas e nas redes sociais. Agora, precisamos manter essa pressão no Senado para garantir definitivamente uma jornada mais humana, moderna e justa para o povo trabalhador brasileiro.

* Deputado estadual


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