03 de junho, de 2026 | 14:35

Ex-prefeito de São José do Goiabal lança pré-candidatura à Câmara Federal e defende representatividade para o Médio Piracicaba

Beto Guimarães afirma que a região está há mais de três décadas sem um deputado federal genuinamente local e fala de propostas para infraestrutura, saúde e fortalecimento dos municípios

Divulgação
Na avaliação do pré-candidato, a ausência de representação federal contribui para dificuldades enfrentadas pela população, especialmente na área de infraestrutura Na avaliação do pré-candidato, a ausência de representação federal contribui para dificuldades enfrentadas pela população, especialmente na área de infraestrutura

O empresário José Roberto Gariff Guimarães, conhecido como Beto Guimarães, ex-vereador, ex-presidente da Câmara Municipal e ex-prefeito de São José do Goiabal, anunciou sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados pelo Podemos. Reconhecido como o vereador mais votado da história do município, ele exerceu mandato na legislatura de 2005 a 2008 e, posteriormente, elegeu-se prefeito e governou a cidade em três mandatos: entre 2009/2012; e 2017/2020; 2021/2024.

Ao encerrar sua última gestão, em 2024, Beto destacou avanços em áreas como saúde, infraestrutura, saneamento, educação e meio ambiente. Agora, busca representar a região do Médio Piracicaba em Brasília. Em visita ao jornal Diário do Aço nesta semana, apresentou as principais bandeiras de sua pré-campanha e afirmou que seu principal desafio é devolver à região uma representação federal própria.

Quem saiba das demandas


Segundo Beto Guimarães, o Médio Piracicaba convive historicamente com outras regiões vizinhas, como a Zona da Mata, o Vale do Piranga e o Vale do Aço, mas não elege um deputado federal genuinamente da região há mais de 35 anos. “O Médio Piracicaba não tem alguém que mora, vive, circula pelas cidades e conhece as demandas locais para defender os interesses da região em Brasília”, afirmou.

Na avaliação do pré-candidato, a ausência de representação federal contribui para dificuldades enfrentadas pela população, especialmente na área de infraestrutura. Ele citou como exemplo os trechos das rodovias BR-381 e BR-262 que cortam o Médio Piracicaba e o Vale do Piranga.

“Quando se projeta o orçamento da União, não existe alguém defendendo os investimentos necessários para essa região. Com isso, temos alguns dos piores trechos rodoviários do estado, elevados índices de acidentes, gargalos em trevos e dificuldades para o agronegócio”, argumentou.

Atenção à saúde


Beto também mencionou a importância de instituições hospitalares da região, como o Hospital Margarida, em João Monlevade, e os hospitais Arnaldo Gavazza Filho, em Ponte Nova, e Nossa Senhora das Dores, em Itabira, que, segundo ele, atendem uma ampla população regional e demandam atenção constante dos representantes políticos. O ex-prefeito observou que outras regiões mineiras possuem representantes federais com forte atuação local.

“Se você observar o Vale do Aço, o Leste de Minas, o Sul de Minas, o Norte de Minas, o Oeste e o Triângulo Mineiro, todas essas regiões contam com deputados federais que vivem e atuam nesses locais. O Médio Piracicaba e o Vale do Piranga possuem mais de 355 mil eleitores e têm potencial para eleger um representante próprio”, avaliou.

Políticas públicas e fortalecimento dos municípios
Entre as pautas defendidas por Beto Guimarães está a criação e o fortalecimento de políticas públicas voltadas às pessoas com doenças raras. Ele citou o caso de uma criança de São Domingos do Prata cuja família precisou promover uma ampla mobilização para arrecadar aproximadamente R$ 18 milhões destinados ao tratamento médico.

O pré-candidato afirmou que dados do Ministério da Saúde apontam a existência de cerca de 13 milhões de brasileiros com doenças raras. “Há estudos que indicam que muitos desses casos, quando identificados ainda na infância, podem ter tratamento mais eficaz. Por isso, é necessário construir políticas públicas específicas para essa parcela da população”, defendeu.

Revisão do pacto federativo


Outra bandeira apresentada por Beto é a revisão do Pacto Federativo, conjunto de normas que estabelece a divisão de competências e recursos entre União, estados e municípios. O pré-candidato afirma que a atual distribuição de receitas concentra recursos excessivamente na esfera federal.

“A riqueza é produzida nos municípios. É onde estão os hospitais, as escolas, as estradas e as atividades econômicas. No entanto, os municípios acabam recebendo uma parcela muito menor dos recursos arrecadados. É preciso discutir uma redistribuição mais equilibrada para fortalecer a gestão local”, afirmou.

De acordo com o pré-candidato, a dependência financeira das administrações municipais limita investimentos e dificulta a solução de problemas enfrentados diariamente pela população, especialmente nas cidades de menor porte.

Críticas à polarização e defesa do diálogo


Questionado sobre o cenário político nacional e o debate ideológico que marca a política brasileira, Beto Guimarães afirmou que vê o momento atual mais como um processo de segregação do que de polarização.

“A meu ver, não existe apenas polarização. O que percebo é uma segregação crescente, em que as pessoas constroem muros em vez de pontes. Isso é prejudicial ao país”, avaliou.

O pré-candidato explicou que sua filiação ao Podemos está relacionada à busca por uma atuação política independente e afirmou considerar importante aproveitar contribuições de diferentes correntes de pensamento sem adotar posições extremadas.

“A ideologia é necessária e legítima, mas o radicalismo dificulta o diálogo. Política não pode ser tratada como uma disputa entre torcidas. Precisamos discutir soluções para os problemas reais da população”, disse.

Beto acrescentou que pretende concentrar sua atuação principalmente em temas ligados ao desenvolvimento regional, à melhoria da infraestrutura, ao fortalecimento dos hospitais e ao crescimento econômico. “Minha prioridade é defender as demandas da nossa região. Existem questões emergenciais que precisam ser enfrentadas, especialmente nas áreas de saúde, infraestrutura e desenvolvimento econômico”, concluiu.
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