05 de junho, de 2026 | 16:20

Casos de câncer colorretal crescem entre jovens e acendem alerta para os hábitos de vida

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Segundo o coloproctologista Marcos Figueiredo Costa, o fenômeno está relacionado a mudanças no estilo de vida da populaçãoSegundo o coloproctologista Marcos Figueiredo Costa, o fenômeno está relacionado a mudanças no estilo de vida da população

O câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino, tem deixado de ser uma doença associada apenas ao envelhecimento. Nos últimos anos, especialistas observam um aumento preocupante de diagnósticos em pessoas com menos de 50 anos, cenário que reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

Segundo o coloproctologista do Hospital Márcio Cunha (HMC), Marcos Figueiredo Costa, o fenômeno está relacionado a mudanças no estilo de vida da população. “Ainda não existe uma causa única, mas observamos o impacto da obesidade, do sedentarismo, do consumo de ultraprocessados e de dietas pobres em fibras”, explica.

Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam mais de 53 mil novos casos por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Em Minas Gerais, são esperadas mais de 6 mil notificações em 2026. O levantamento também registra 23.953 mortes pela doença em 2023, evidenciando a necessidade de diagnóstico precoce e hábitos saudáveis.

Pesquisas recentes indicam ainda que alterações na microbiota intestinal podem contribuir para o desenvolvimento do câncer. Segundo o médico, a disbiose — desequilíbrio da flora intestinal — favorece inflamações crônicas, produção de substâncias nocivas e danos ao DNA.

Entre os fatores de risco estão obesidade, sedentarismo, consumo frequente de carnes processadas, álcool, tabagismo e alimentação pobre em frutas, verduras, legumes e fibras. Os ultraprocessados preocupam por concentrarem açúcar, gorduras de baixa qualidade, sódio e aditivos químicos, além de baixo teor de fibras.

O diagnóstico tardio continua sendo um desafio, pois sintomas como sangue nas fezes, alterações persistentes do hábito intestinal, dor abdominal recorrente, anemia, perda de peso involuntária e sensação de evacuação incompleta podem ser confundidos com problemas menos graves. “A idade jovem não exclui a possibilidade da doença e merece investigação”, alerta o especialista.

A colonoscopia continua sendo a principal ferramenta de prevenção e diagnóstico, permitindo identificar e remover pólipos antes que evoluam para câncer. Pessoas sem fatores de risco devem iniciar o rastreamento aos 45 anos, enquanto pacientes com histórico familiar, doenças inflamatórias intestinais ou sintomas suspeitos precisam de avaliação mais precoce.
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