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09 de junho, de 2026 | 06:00

Sem confiança

Fernando Rocha

A poucos dias da estreia na Copa do Mundo contra Marrocos, a seleção brasileira ainda desperta muitas dúvidas e desconfianças na maioria da torcida.

A vitória suada de 2 x 1 sobre o Egito, no amistoso do último sábado, que encerrou a preparação da equipe comandada por Carlo Ancelotti, só fez aumentar a preocupação quanto ao desempenho do time no torneio mundial.

Para piorar, ainda perdemos o único lateral direito de ofício, Wesley, que após sofrer uma contusão muscular grave precisou ser cortado e não vai mais disputar a Copa do Mundo.

Para substituí-lo foi convocado o volante Éderson - jogador que fez 22 jogos e marcou dois gols pelo Cruzeiro entre 2018/2019, depois saiu de graça naquela crise terrível com atraso de salários etc -, que hoje defende o Atalanta da Itália.

Erro corrigido
Não precisa nem falar que o corte de Wesley é triste para o jogador, mas, sobretudo, para o grupo da seleção e, claro, para a comissão técnica.

Ninguém gosta de ver um atleta, companheiro de seleção, sair de cena dessa maneira sendo retirado da Copa do Mundo às vésperas da competição começar.

Mas, se há males que vem para o bem, a sua saída abre caminho para o técnico Carlo Ancelotti corrigir um erro claro da sua lista de convocados para o Mundial.

Ao chamar Ederson, volante, para o lugar do lateral Wesley, o treinador recompõe o setor de meio-campo que, por força do sistema agora com três homens - Casemiro, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá -, teria apenas Danilo como opção no banco, já que Fabinho foi chamado única e exclusivamente para ser reserva de Casemiro.

FIM DE PAPO

Wesley era o único lateral-direito de ofício na seleção, mas a aposta do técnico Carlo Ancelotti sempre foi ter um zagueiro por ali. Começou com Militão, mas ele se machucou. Depois passou a ser Ibañez e também pode ser Danilo. Com a saída de Wesley por força maior, agora com a convocação do volante Ederson, sua ideia de jogo sem o lateral de ofício volta a ser adotada tendo um meio de campo mais fortalecido.

Muita gente estranhou o fato de a seleção brasileira jogar com meiões pretos contra o Egito, no último amistoso antes da estreia na Copa do Mundo. Na segunda partida do Mundial, contra o Haiti, também está previsto o uso das meias pretas com camisas azuis. As meias pretas já haviam sido usadas pela seleção brasileira na década de 1930, quando ainda não existia a camisa amarela. Agora, a decisão de retornar o uso do preto nos meiões foi da Nike, patrocinadora e fornecedora do material esportivo da equipe, com o objetivo de divulgar e vender sua linha de produtos com a marca da seleção.

Nesta Copa do Mundo, por conta do fuso horário dos Estados Unidos ser quase o mesmo do nosso, não haverá “feriados” nos dias de jogos da seleção brasileira. A estreia, neste sábado próximo, contra o Marrocos, será às 19h, o segundo jogo, diante do Haiti, às 21h30 da sexta-feira dia 13, e o último jogo da primeira fase, contra a Escócia, na quarta-feira, dia 24, às 19h. Nesta quinta-feira próxima, o Mundial será aberto com o jogo México x África do Sul, mas ainda não se vê no país um clima festivo, até por conta da falta de unanimidade em torno da seleção.

Esse distanciamento em relação à seleção brasileira vem de muito tempo atrás, desde que os nossos principais jogadores passaram a sair para jogar no exterior cada vez mais jovens e perderam a identificação com o torcedor nacional. Os inúmeros escândalos envolvendo a CBF, que teve vários dirigentes banidos do futebol por corrupção, também contribuíram para o afastamento cada vez maior do torcedor comum. O brasileiro não apenas deixou de torcer pela seleção, mas em alguns casos, também, passou a torcer contra. Este segmento ganhou nesta Copa o reforço dos que não se identificam com a camisa amarela por motivos políticos, além de serem anti-Neymar. Há também o outro lado, que não liga para nada disso e vai fazer aquilo que durante décadas pareceu tão natural: esquecer suas diferenças por um mês e torcer junto pelo Brasil. (Fecha o pano!)

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