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10 de junho, de 2026 | 14:25

Em meio à greve, sindicato envia ofício e aguarda nova contraproposta da administração de Coronel Fabriciano

Por Matheus Valadares
Em média, 150 trabalhadores do serviço público se concentram em frente à Prefeitura de Coronel Fabriciano, no Centro, em uma mobilização que começou na segunda-feira (8) e chegou ao terceiro dia nesta quarta-feira (10), com o objetivo de pressionar a administração municipal por um acordo salarial que agrade a categoria.

O movimento grevista é liderado pelo Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Coronel Fabriciano (SinmtCelf), e teve adesão de servidores da área administrativa, da assistência social, da saúde, e sobretudo, da educação.

Conforme Sirlene Vaz, presidente da entidade, na terça-feira (9) foi enviado um ofício ao governo pedindo que fosse reaberta a mesa de negociação. A expectativa é que o documento seja respondido ainda nesta quarta.

“Ontem nós protocolamos um ofício solicitando uma reunião para dar continuidade às negociações ou que [a prefeitura] nos envie uma nova contraproposta. Nesse sentido nós estamos na expectativa que no decorrer desta quarta-feira a administração nos apresente uma nova proposta para que possamos fazer uma assembleia, apresentar a contraproposta e a assembleia decidir se aprova e encerra o movimento grevista ou se reprova e dá continuidade ao movimento”, afirmou Sirlene em entrevista ao Diário do Aço.

De acordo com a líder sindical, a “porta” da prefeitura virou o “grevódromo” dos trabalhadores, que têm permanecido no local durante o horário de expediente.

Greve prejudicada


Ainda conforme a presidente, um decreto publicado no Diário Oficial contribuiu para que servidores da área da educação ficassem com receio de aderir ao movimento.

“Os trabalhadores se sentiram prejudicados porque foi editado um decreto com os requisitos para pagamento do rateio do Fundeb caso ocorra a sobra no final de 2026. E no decreto fala que se tiver três faltas injustificadas ou suspensão do contrato de trabalho, essas pessoas não receberão o Fundeb. Nós sabemos o quanto é importante qualquer valor no final de ano na conta dos trabalhadores. Nesse sentido acabou desmobilizando muito a categoria quando a Secretaria de Educação na semana passada fez a reunião com as diretoras de escola, colocou essa situação e pediu que cada diretora reunisse com seus funcionários e colocasse a situação, que se fosse para greve não receberia o rateio do Fundeb, assim como a administração iria contratar trabalhadores para substituir grevista, além de não dar o direito de reposição desses dias, que no caso da educação existe um calendário que são 200 dias letivos. Via de regra, quando ocorre greve na educação, esses trabalhadores repõem esse dia posteriormente e é restituído o valor dos dias das greves”, explicou Sirlene.

Sindicato rebate governo


Na terça-feira, a administração garantiu que as unidades da rede municipal de ensino permanecem abertas e com equipes administrativas e pedagógicas em funcionamento “normal”.

Ainda de acordo com o Executivo, todas as unidades escolares permanecem acolhendo os estudantes. Porém, Sirlene afirma que há sim perda pedagógica aos alunos devido à ausência de servidores nas instituições de ensino.

“Não procede porque nós temos em média aqui 150 trabalhadores nesses dias, e a maioria são das escolas municipais, ou seja, está causando sim transtorno nas escolas. Nós já vimos no Instagram de algumas escolas publicações falando para os pais não mandarem os alunos para escola. Os alunos dos anos finais não terão aula ou serão dispensados a partir das 9h. Do ensino infantil estão unindo as turmas e aí segundo informação, colocam um videozinho [para as crianças assistirem], ou seja, o pedagógico mesmo nesses dias está sendo prejudicado sim”, garantiu.

O Diário do Aço procurou a administração municipal e questionou sobre o recebimento do ofício e a possibilidade de enviar uma nova contraproposta, mas até a publicação desta reportagem, o município não se manifestou.

Proposta rejeitada


No fim de abril, durante assembleia, os servidores rejeitaram a contraposta considerada “definitiva” do Executivo. Entre os pontos apresentados, foram oferecidos o reajuste do auxílio-alimentação de forma escalonada, condicionado à extinção imediata das férias-prêmio. O benefício passaria de R$ 300 para R$ 400 em 2026, R$ 500 em 2027 e R$ 600 em 2028.

A proposta também previa aumento real de 1,45%, também condicionado à retirada das férias-prêmio, além da reposição inflacionária, e manutenção de diversos itens já praticados, como fornecimento de uniformes e equipamentos de proteção individual, exames admissionais e periódicos, além de ações relacionadas à segurança do trabalho.
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