11 de junho, de 2026 | 08:21
MPT chama mediação entre sindicato e governo de Coronel Fabriciano em meio à greve dos servidores
Por Matheus ValadaresA greve dos servidores municipais de Coronel Fabriciano chegou ao quarto dia nesta quarta-feira (11) com um novo desdobramento: o Ministério Público do Trabalho (MPT) chamou o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Coronel Fabriciano (Sintmcelf) e a administração municipal para uma reunião de mediação, após pedido feito pela entidade representante dos trabalhadores.
Segundo o informativo divulgado pelo sindicato no fim da tarde de quarta-feira (10), o pedido foi feito em razão dos impasses históricos e imediatos” entre os servidores e a administração municipal. A expectativa do sindicato é que a mediação, conduzida pelo procurador do Trabalho Túlio Motta, possa abrir caminho para uma nova contraproposta a ser apresentada à categoria.
Ainda conforme o Sintmcelf, a reunião no MPT foi marcada para esta quinta-feira (11), às 9h30. A entidade afirma que espera que o encontro tenha caráter de urgência” e possibilite a construção de uma proposta diferente da apresentada anteriormente pelo governo.
Nova assembleia
Também nesta quinta-feira, os servidores foram convocados para uma nova Assembleia Geral Extraordinária, às 17h, na Praça Louis Ensch, no Centro, em frente à prefeitura. A assembleia deverá discutir os desdobramentos da reunião de mediação no MPT e deliberar sobre a continuidade ou não da greve.
O edital de convocação, assinado pela presidente do Sintmcelf, Sirlene Vaz de Moura Silva, prevê entre os pontos de pauta informes sobre o movimento grevista, avaliação da reunião de mediação, deliberação sobre uma eventual proposta construída no MPT e definição dos próximos passos da categoria.
Contraproposta mantida
Ainda segundo o Sintmcelf, após três dias de paralisação, a administração municipal chamou o Comando de Greve, formado por diretores do sindicato e servidores da base, para uma reunião. Na avaliação da entidade, porém, foi apresentada a mesma contraproposta já rejeitada duas vezes em assembleias da categoria.
Na quarta-feira (10), o Executivo informou ao Diário do Aço que havia recebido o ofício encaminhado pelo sindicato, pedindo a reabertura das negociações, e que o documento foi encaminhado para análise pelas áreas competentes. A administração também informou que a resposta oficial seria enviada ao sindicato ainda na quarta-feira.
Na mesma manifestação, o governo local afirmou que não havia, naquele momento, previsão de apresentação de nova contraproposta financeira, sob o argumento de que a proposta já formalizada representava o limite máximo de concessão possível dentro da realidade fiscal do município”.
Serviços públicos
A greve é liderada pelo Sintmcelf e teve adesão de servidores de diferentes áreas, como administração, assistência social, saúde e, principalmente, educação. Na quarta-feira, a entidade estimava que cerca de 150 trabalhadores participavam da mobilização em frente à prefeitura.
A administração municipal informou que as secretarias monitoram os impactos da paralisação e adotam medidas de contingência para reduzir transtornos à população. O governo também sustentou que as unidades da rede municipal de ensino permanecem abertas, com equipes administrativas e pedagógicas em funcionamento.
O sindicato, por outro lado, contesta a informação de funcionamento normal nas escolas. A presidente da entidade, Sirlene Vaz, afirmou que há prejuízo pedagógico aos estudantes, com ausência de servidores, dispensa antecipada de alunos e reorganização de turmas em algumas unidades.
Proposta rejeitada
A contraproposta do Executivo havia sido rejeitada pelos servidores no fim de abril. Entre os pontos apresentados estavam o reajuste escalonado do auxílio-alimentação, condicionado à extinção imediata das férias-prêmio. Pelo texto, o benefício passaria de R$ 300 para R$ 400 em 2026, R$ 500 em 2027 e R$ 600 em 2028.
A proposta também previa aumento real de 1,45%, além da reposição inflacionária, também condicionado à retirada das férias-prêmio. A administração ainda apontou a manutenção de itens já praticados, como fornecimento de uniformes e equipamentos de proteção individual, exames admissionais e periódicos, além de ações ligadas à segurança do trabalho.
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