15 de junho, de 2026 | 18:00
De canários, rolinhas e adivinhações...
Nena de Castro *
Dia, meus lindos e lindas! Tresantonti fui ao meu pequeno quintal e lá no murinho avistei sete rolinhas e três canários, afora os indefectíveis pardais, deliciando-se com a canjiquinha que ali coloco! Festa pros olhos, esperança no coração, lembranças de outros quintais por esse mundão de meu Deus, beleza infinda...Bão, tocando a velha bicicleta que herdei do meu pai João Vieira, que tinha o nome pintado de Lacraia no quadro, muito antes da eguinha Pocotó aparecer por aí, vou contar-lhes uma história lá do Rio Grande do Norte:
Era uma vez um homem muito sábio, mas sem o menor pendor para gerir qualquer negócio. Já quarentão e pobre como Jó, resolveu sair pelo mundo dizendo-se um sábio adivinhão. Pegou a trouxa com as poucas roupas que pissuía” e botou o pé no caminho. Andou, andou, andou e chegou a um palácio onde pediu pousada. O rei concedeu, mandou que lhe dessem comida e lhe disse que o palácio estava cheio de ladrões astuciosos, tipo aqueles que roubaram o Museu do Louvre em Paris, tempos atrás. O homem se ofereceu para elucidar o problema, pedindo um mês para o desfecho desde que pudesse ficar no palácio, no bem-bom! Aceito o acordo, foi-se o primeiro dia sem nada descobrir.
Na hora da ceia, quando um criado trouxe-lhe o café, ele exclamou, referindo-se ao dia que passara: - Um está visto! O criado ficou branco de medo, era justamente um dos larápios e retirou-se rapidamente. No dia seguinte, na ceia da noite, veio outro criado e o adivinhão repetiu: - o segundo está aqui! O gatuno empalideceu, atirando-se de joelhos e confessando tudo e dando o nome do terceiro cúmplice. Foram todos presos e o rei ficou muito satisfeito com as habilidades do adivinho. No entanto a quadrilha era grande, vez que daí a alguns dias furtaram a coroa do rei! Este prometeu muita riqueza a quem encontrasse o meliante; o adivinho reuniu todos os criados numa sala, cobriu um galo com uma toalha e mandou que passassem a mão nas costas” do galo, que cantaria, denunciando o ladrão!
Para melhorar a mis-en-scene, a cada vez que alguém ia enfiar o braço debaixo da toalha, o adivinho dava umas piruetas e dizia alto: adivinha, adivinhão/ a mão do ladrão”! Quando a fila acabou, o adivinho mandou que mostrassem a palma da mão: todos estavam com a mão cheia de fuligem, exceto dois espertinhos que logo foram presos! A coroa foi encontrada os ladrões foram pra masmorra e o rei ficou muito contente com o estratagema do adivinho que passara carvão de panela nas penas do galo! O adivinho recebeu uma bela recompensa, voltou pra sua terra, casou-se, teve uma linda família e viveu feliz para sempre, causa de quê sua terra num tinha uma Seleção de futebol tão ruinzinha e nem sabia que existia um lugar chamado Brasília, onde os inimigos do povo saqueiam o país! E nada mais digo!
* Escritora e Encantadora de Histórias.
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