19 de junho, de 2026 | 07:00
IBGE identifica 39 etnias indígenas residentes nos municípios do Vale do Aço
A população indígena quase dobrou em 12 anos em todo país, que também registra aumento da diversidade étnica e linguística
Por Matheus ValadaresAo menos 39 etnias, povos ou grupos indígenas vivem nos municípios do Vale do Aço e do Colar Metropolitano do Vale do Aço. Os dados foram revelados em uma nova publicação do Censo Demográfico 2022: Etnias e Línguas Indígenas - Principais Características Sociodemográficas - Resultados do Universo, divulgado nesta quinta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O volume traz os resultados publicados apenas na internet no dia 24 de outubro de 2025, cuja versão não havia sido submetida aos protocolos formais de normalização e editoração. Essa segunda edição, atualiza o conteúdo digital originalmente divulgado, incorporando os ajustes desses protocolos.
A etnia que concentra mais indígenas na região é a Pataxó. Dos 64 mapeados pelo IBGE, 50 vivem na Aldeia Gerú Tucunã, localizada em Açucena. A comunidade está localizada dentro do Parque Estadual do Rio Corrente. Eles lutam pela demarcação e transformação da área em reserva indígena, além de desenvolverem trabalhos de restauração ambiental e sistemas agroflorestais para fortalecer sua autonomia e cultura. Outros 7 moram em Ipatinga, 4 em Santana do Paraíso, 1 em Caratinga, Coronel Fabriciano e Timóteo, cada.
Há também 8 indígenas Krenák, dentre eles, 3 residem em Ipatinga, 2 em Coronel Fabriciano e Timóteo, cada; e 1 em Santana do Paraíso. Destacam-se também as comunidades Maxakali e Tupi-Guarani, com 6 pessoas, cada.
Crescimento da população urbana
Os dados também apontam aumento expressivo da população indígena residente fora das Terras Indígenas, especialmente nas cidades.
Em áreas urbanas, a nível nacional, o contingente passou de 324.834 pessoas em 2010 para 844.760 em 2022. Já nas áreas rurais fora das Terras Indígenas, o número subiu de 80.663 para 227.232 indígenas.
Brasil
O Brasil possui atualmente 391 etnias, povos ou grupos indígenas e 295 línguas indígenas em uso. Os números revelam um crescimento significativo em relação ao levantamento de 2010, quando foram identificadas 305 etnias e 274 línguas indígenas.
De acordo com o estudo, a população indígena brasileira chegou a 1.694.836 pessoas em 2022, praticamente o dobro dos 896.917 indígenas contabilizados no Censo de 2010. Do total registrado no último levantamento, 74,51% declararam pertencimento a uma etnia específica.
As etnias mais numerosas identificadas pelo IBGE são Tikúna, com 74.061 pessoas, Kokama, com 64.327, e Makuxí, com 53.446 integrantes.
Segundo Marta Antunes, gerente de Povos e Comunidades Tradicionais e Grupos Populacionais Específicos do IBGE, os resultados evidenciam a ampla diversidade cultural existente no país.
O Brasil, quando você olha para outros países da América Latina, tem essa diversidade étnica e linguística. Esse quantitativo expressivo de etnias, esse quantitativo expressivo de línguas faladas”, destacou.
Diversidade cresce
A pesquisa mostra que o número de etnias aumentou em praticamente todas as unidades da federação. Apenas o Amapá não registrou crescimento nesse indicador.
Dentro das Terras Indígenas, o Censo identificou 335 etnias em 2022, ante 250 registradas em 2010. Fora desses territórios foram contabilizadas 373 etnias, contra 300 no levantamento anterior.
Marta Antunes acrescenta que esse resultado reflete processos de valorização da identidade indígena e de reafirmação étnica observados nos últimos anos.
Depois de anos de ocultação para lidar com o racismo, principalmente no contexto urbano, se reúnem condições favoráveis para a declaração do pertencimento étnico”, explicou.
Quase 300 línguas indígenas
O levantamento também revelou a existência de 295 línguas indígenas faladas no país. Ao todo, 474.856 indígenas com dois anos ou mais utilizam alguma dessas línguas.
As três mais faladas são Tikúna, com 51.978 falantes, Guarani Kaiowá, com 38.658, e Guajajara, com 29.212. O Censo identificou ainda idiomas utilizados por grupos muito pequenos e até mesmo por apenas uma pessoa.
Nas Terras Indígenas foram registradas 249 línguas diferentes, número superior às 214 identificadas em 2010. Entre os indígenas residentes nesses territórios, 63,35% utilizam línguas indígenas no domicílio.
Fora das Terras Indígenas, foram contabilizados 102.855 falantes. Nas áreas urbanas, 68.675 indígenas utilizam essas línguas, enquanto nas zonas rurais o número chega a 34.180 pessoas.
Etnias identificadas no Vale do Aço
Aimara, Apurinã, Aimoré, Aranã, Atikum, Aikanã, Botocudo, Guarani, Guarani Kaiowá, Krenák, Katxuyana, Kayapó, Mapuche, Mucurim, Maxakali, Quechua, Quíchua, Pankararú, Pataxó, Potiguara, Puri, Parintintim, Pataxó Hã-Hã-Hãe, Paiaku, Patamóna, Parakanã, Tapajós, Tapayuna, Tikúna, Tupinambarana, Tukano, Tupari, Tupiniquim, Tupi-Guarani, Tupinambá, Wai Wai, Xukuru, Waimiri Atroari, Xavante.
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