21 de junho, de 2026 | 09:00

Chegada do inverno exige atenção com doenças respiratórias e vacinação

Climatologista estima que as temperaturas devem voltar a cair na região do Vale do Aço nos próximos dias

Matheus Valadares
Temperaturas devem cair à noite e durante as primeiras horas do diaTemperaturas devem cair à noite e durante as primeiras horas do dia
Por Matheus Valadares
O inverno começou oficialmente às 5h24 deste domingo (21) e deve trazer para a região um cenário típico da estação: manhãs e noites mais frias, tardes relativamente mais quentes e aumento na circulação de vírus respiratórios.
Especialistas alertam que, além da queda das temperaturas, a baixa cobertura vacinal contra a influenza amplia os riscos de agravamento de doenças respiratórias, especialmente entre idosos, crianças e pessoas com comorbidades.

Nas primeiras semanas de junho, moradores do Vale do Aço já perceberam uma redução nas temperaturas,
principalmente durante as madrugadas e no início das manhãs. Segundo o professor climatologista do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), campus Governador Valadares, Fulvio Cupolillo, a mudança foi provocada por condições atmosféricas características desta época do ano.
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Climatologista estima que temperaturas devem permanecer amenas nos próximos diasClimatologista estima que temperaturas devem permanecer amenas nos próximos dias

“No Sul de Minas e no Triângulo Mineiro, a queda de temperatura teve a ver com uma entrada de frente fria que se firmou na região. Aqui na região, a queda de temperatura estava mais relacionada ao mecanismo atmosférico que nós chamamos de cavado, que contribuiu para uma redução da temperatura”, explica.

Nesta semana que passou, houve um leve aumento nos termômetros, mas de acordo com o climatologista, a população ainda pode sentir novas oscilações térmicas nos próximos dias, especialmente com a chegada oficial da estação.

“Há possibilidade de, a partir dos dias 20 e 21, quando começa o solstício de inverno, ocorrerem quebras de temperatura. Nesta semana, os termômetros devem permanecer em torno dos 15 graus, um padrão considerado normal para esta época do ano”, afirma.

Manhãs frias e tardes mais quentes


Uma das características do inverno mineiro é a grande variação de temperatura ao longo do dia. Enquanto as manhãs e as noites costumam registrar temperaturas mais baixas, as tardes podem apresentar sensação de calor.

“As temperaturas na parte da manhã e a partir das 18h caem bruscamente. Já durante a tarde é comum termos dias de inverno um pouco mais quentes. Essa é uma característica de Minas Gerais. As pessoas saem de casa com blusas e jaquetas e, ao longo do dia, acabam retirando essas peças porque a temperatura sobe”, observa Cupolillo.

Baixa vacinação preocupa


Com a chegada do período mais frio, profissionais da saúde também chamam a atenção para o aumento da circulação de vírus respiratórios. A infectologista Carmelinda Lobato, referência técnica em Ipatinga, destaca que a cobertura vacinal contra a influenza permanece abaixo da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde no município.

“Infelizmente, a cobertura ainda está abaixo daquilo que é recomendado pelo Ministério da Saúde. A vacina de influenza continua disponível nas unidades de saúde, mas ainda estamos com uma baixa cobertura. Isso gera preocupação para nós, os profissionais de saúde, porque a gente sabe que a vacina protege contra a evolução para as formas graves da doença”, afirma. No sábado (20), houve o Dia D de Multivacinação em diversas cidades mineiras, incluindo municípios do Vale do Aço. Dentre as ofertas de imunizantes, haviam doses para combater doenças respiratórias.

Segundo a médica, a vacinação é uma das principais formas de prevenção contra complicações que podem levar à hospitalização e até ao óbito.

“Só o fato de ter a vacina de influenza e as pessoas procurarem atualizar o seu cartão vacinal já é um grande passo para evitar complicações relacionadas a esses vírus respiratórios, o que pode sobrecarregar os serviços de saúde com casos graves”, acrescenta.

Grupos de risco merecem atenção especial

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Infectologista Carmelinda alerta para importância de vacinar e evitar as formas graves das doenças respiratóriasInfectologista Carmelinda alerta para importância de vacinar e evitar as formas graves das doenças respiratórias
Os idosos, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos mais vulneráveis às complicações provocadas por infecções respiratórias.

“Esses indivíduos são considerados grupos de risco, ou seja, têm maior probabilidade de evoluir para formas graves de doenças respiratórias. Antes de tudo, precisam estar adequadamente vacinados contra influenza e Covid. Também devem evitar aglomerações e, se apresentarem sintomas respiratórios, permanecer em casa e procurar atendimento médico o mais cedo possível”, orienta Carmelinda.

Mais atendimentos e internações


A infectologista destaca que o aumento dos casos de doenças respiratórias já é percebido pelas unidades de saúde da região. Entre os vírus que mais circulam atualmente estão a influenza e o vírus sincicial respiratório, responsável por muitos casos entre crianças.

“Assim como todos os anos, as doenças respiratórias apresentam aumento significativo neste período. Estamos na época de maior circulação desses vírus, principalmente influenza e vírus sincicial respiratório”, explica.

Segundo ela, os hospitais também registram crescimento nas internações relacionadas às síndromes respiratórias agudas graves.

“Os serviços de saúde estão observando um aumento mais significativo de casos de internação por doenças respiratórias. Também estamos observando aumento no atendimento de pacientes com síndrome respiratória aguda grave, inclusive em unidades de terapia intensiva. Mas existe hoje uma rede mais preparada e profissionais atentos para atender esses pacientes, principalmente os que pertencem aos grupos de risco”, conclui.
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