02 de julho, de 2026 | 07:00
Denúncia ao Ministério Público questiona intervenção em igreja centenária no distrito de Felicina
Enviada ao Diário do Aço
Tanto a fachada quanto o interior a igreja eram pintados de branco, uma cor amena
Tanto a fachada quanto o interior a igreja eram pintados de branco, uma cor amenaUma intervenção feita na Igreja Nossa Senhora Aparecida, localizada no distrito de Felicina, em Açucena, motivou uma denúncia ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por suposta descaracterização de patrimônio de valor histórico, cultural e paisagístico da comunidade.
A manifestação relata que o templo religioso centenário, vinculado à Paróquia Santo Antônio, de Naque, teria passado por reforma recente sem acompanhamento técnico especializado em restauração e sem participação de órgãos de proteção ao patrimônio.
Conforme consta no documento, a principal alteração apontada foi a substituição da tradicional pintura branca da fachada por coloração azul na área externa, além da aplicação de faixas vermelhas no interior e no altar. Segundo a denúncia, a mudança teria alterado a identidade visual e a autenticidade estética do imóvel, que também é divulgado pelo Poder Público municipal como atrativo histórico e turístico.
Diante dos fatos apresentados, o Ministério Público determinou o registro e autuação da Notícia de Fato e requisitou informações ao município de Açucena, incluindo eventual existência de proteção patrimonial do imóvel, documentação encaminhada ao Iepha/MG, conhecimento prévio sobre a reforma, existência de autorização administrativa e eventual manifestação de conselho municipal ou órgão técnico competente.
Denúncia
À reportagem do Diário do Aço, Nilson Lages, responsável pela formalização da denúncia, afirmou que percebeu as mudanças no início de maio, quando retornou ao distrito durante o período de celebrações religiosas. O comerciante reside em Ipatinga e também tem uma casa nas proximidades da igreja.
A reforma já ocorria há vários meses, porém, não pude acompanhar por dentro. No início de maio, que começam as celebrações do mês, cheguei em um final de semana e me deparei com a igreja toda azul. Durante a celebração questionei alguns fiéis, muitos se mostraram insatisfeitos com a reforma, mas ninguém quis questionar ao padre”, relatou.
Nilson também relatou que após tomar conhecimento da insatisfação, o pároco teria promovido uma reunião com moradores. O padre marcou uma reunião com a comunidade numa quinta-feira às 15h, compareceram umas seis pessoas e, pelo que fiquei sabendo, não tiveram voz. Insatisfeito, fiz a denúncia no MP”, contou.
Enviada ao Diário do Aço
A nova pintura da igreja é foi feita na cor azul, o que gerou reclamação dos moradores
A nova pintura da igreja é foi feita na cor azul, o que gerou reclamação dos moradores O comerciante ainda acrescentou que o histórico visual do templo foi alterado. Essa igreja é centenária e temos fotos antigas dela sempre na cor branca com azul clarinho e as madeiras pretas. Mudarem ela para um azul escuro e colocar faixas vermelhas tanto nas paredes quanto no altar acaba apagando a história de um povo. Essa igreja é utilizada em vários vídeos e eventos, até mesmo da prefeitura, como ponto turístico da região”, mencionou.
O denunciante complementou que deseja medidas para reverter as alterações. Espero que sejam tomadas as medidas legais e que, com base em fotos anteriores e com acompanhamento de pessoas experientes na área, refaçam a pintura da melhor forma possível. Sem custo para a comunidade, pois a comunidade luta para conseguir as coisas para a igreja”, concluiu.
Posicionamento da Paróquia é enviada ao jornal
Em nota enviada ao Diário do Aço, o pároco Gustavo Moreira Mendes informou que a intervenção teve por finalidade a manutenção e a conservação do templo, com o objetivo de assegurar um espaço digno, seguro e acolhedor para os fiéis.
No posicionamento, mencionou que não houve alteração na estrutura da igreja, em sua arquitetura ou em seus altares, e o trabalho ficou restrito à pintura e serviços de conservação, conduzidos com participação dos conselhos paroquiais formados por membros da comunidade.
O padre afirmou ainda que a escolha das cores buscou expressar a devoção local, com referência à Nossa Senhora Aparecida, padroeira da comunidade, e reconheceu que mudanças visuais podem gerar diferentes percepções entre moradores.
A Igreja Nossa Senhora Aparecida não é objeto de tombamento nas esferas municipal, estadual ou federal. Por se tratar de intervenção de conservação e pintura, sem alteração estrutural ou dos altares, não havia exigência legal de laudo de restauro ou de comunicação prévia a órgãos de patrimônio”, informou no documento.
Acrescentou, ainda, que reconhece o valor histórico e afetivo do templo. A condução da conservação deu-se com a participação dos conselhos paroquiais e em comunhão com a Diocese de Governador Valadares, à qual a Paróquia se vincula e cujas orientações observa”, finalizou.
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