EXPO USIPA 2026

04 de julho, de 2026 | 10:30

Trabalhadores da Copasa denunciam precarização e adoecimento

Nesta sexta (3), comissão recebeu sindicalistas preocupados com a retirada dos direitos.

Alexandre Netto
Participantes da audiência pública desabafaram sobre transferências forçadas de quase 3 mil funcionáriosParticipantes da audiência pública desabafaram sobre transferências forçadas de quase 3 mil funcionários
Por ALMG
Mesmo com a garantia de 18 meses de estabilidade após a conclusão da privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), os trabalhadores da empresa estão sendo pressionados a aceitar transferências para locais distantes até 900 quilômetros da própria residência. Essa foi a principal denúncia recebida pela Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta sexta-feira (3/7/26).

Durante audiência pública realizada no Auditório do andar SE, representantes manifestaram preocupação com o adoecimento mental causado pela precarização das condições de trabalho. O relato do diretor financeiro do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Minas Gerais (Sindágua), Wanderci Gomes, sintetizou a situação.

Segundo ele, trabalhadores estabelecidos há quase 40 anos em um mesmo município estão sendo surpreendidos por e-mail com o aviso sobre a necessidade de se apresentar para atuar em outra unidade. Se ela estiver situada a até 75 quilômetros, a Copasa não oferece ajuda de custos.

Para distâncias entre 75 e 150 quilômetros, o auxílio é de R$ 1.621 e, acima dessa quilometragem, a indenização é de até um salário do trabalhador. Sem apoio psicológico, respeito pela situação familiar e consideração sobre as condições financeiras para providenciar residência em outra cidade, o trabalhador se sente pressionado a aceitar o deslocamento imposto ou pedir demissão.

Conforme o dirigente do Sindágua, há registro de três casos de suicídio possivelmente relacionados ao adoecimento mental de trabalhadores que não suportaram a piora no ambiente laboral. Dos cerca de 9 mil funcionários, aproximadamente 3 mil estão sendo transferidos de maneira forçada.

“Nunca vi tanta maldade. De todos os processos de privatização que eu vivenciei, o da Copasa é inédito", desabafou a coordenadora do Fórum Sindical e Popular de Saúde e Segurança do Trabalhador, Marta de Freitas. Ela observa que, ignorando a Norma Regulamentadora 1 (NR 1), a empresa não apresenta programa de gerenciamento dos riscos psicossociais.

O superintendente regional do Ministério do Trabalho em Minas Gerais, Carlos Alberto Calazans, frisou que está à disposição dos trabalhadores e da comissão. "Assim que eu tiver a data da reunião que vamos realizar para discutir todos os problemas oriundos da privatização da Copasa, entrarei em contato", garantiu.

Responsável por solicitar a audiência, o deputado Betão (PT) anunciou, como encaminhamento, o pedido de suspensão e reversão das transferências até averiguação dos casos. Entre outras questões, ele deseja saber se os gestores da Copasa estão consultando trabalhadores e representantes sindicais acerca dos deslocamentos e se estão respeitando a NR 1.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Tuckson s

04 de julho, 2026 | 13:13

“Caravelas não fica UM FINAL DE SEMANA com água...”

Envie seu Comentário