19 de julho, de 2026 | 08:30
Psicóloga orienta como identificar sinais do vício em apostas
Isabelly Quintão
Arquivo pessoal
Terapeuta Fulvia Cristina aponta que vício em jogos é antigo, mas o imediatismo digital aprofunda o problema
Terapeuta Fulvia Cristina aponta que vício em jogos é antigo, mas o imediatismo digital aprofunda o problemaO que antes era visto como entretenimento se tornou um problema de saúde mental. Casos de jogadores compulsivos tem se tornado cada vez mais comuns. Segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, 25,2 milhões de brasileiros apostaram em plataformas regulamentadas no ano passado. O setor movimenta cerca de R$ 20 bilhões por mês.
O aumento se dá principalmente pela popularização das casas de apostas e pela facilidade de acesso às bets pelo celular, conforme explica a terapeuta Fulvia Cristina, em entrevista à reportagem do Diário do Aço.
A divulgação intensa nas redes sociais normaliza o comportamento, cria sensação de oportunidade fácil e reforça a ideia de ganho rápido, o que pode estimular decisões impulsivas. O vício em jogos não é um fenômeno contemporâneo, ele advém de séculos atrás com apostas em jogos de azar, loterias dentre outros. Porém, o fácil, instantâneo e a profusão midiática tem sido preponderante para capturar cada vez mais pessoas que são suscetíveis ao vício", destacou.
Ao jornal, ela contou que nos últimos anos tem recebido em seu consultório pacientes que buscam psicoterapia em razão do uso compulsivo de jogos de azar. O vício leva ao endividamento crescente, conflitos familiares e perda de controle sobre o ato de apostar.
"Não existe um perfil tipo único de paciente que desenvolve esse transtorno, porque qualquer pessoa pode desenvolver essa dependência. Ainda assim, o risco tende a ser maior em pessoas com impulsividade, ansiedade, depressão, dependência química, dificuldades financeiras, histórico familiar de compulsão em jogo e/ou maior exposição às apostas online", detalhou.
A psicóloga pontuou que o vício em jogos pode gerar ansiedade, culpa, vergonha, frustração e sofrimento crescente, especialmente quando as perdas financeiras se repetem. Muitas vezes a pessoa entra num ciclo de perseguir perdas, apostando de novo para tentar recuperar o dinheiro perdido, o que aprofunda o desgaste emocional e aumenta o risco de depressão".
Ludopatia
Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais - V, a ludopatia é um transtorno mental crônico caracterizado pela incapacidade incontrolável de parar de jogar ou apostar. Também conhecida como jogo patológico e reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), trata-se de um comportamento compulsivo de apostar mesmo diante de prejuízos evidentes.
Fulvia esclareceu que os sinais de problema de saúde mental nem sempre são claros ou fáceis de identificar, mas os primeiros costumam ser a perda de controle e mudança de comportamento. A pessoa passa a apostar com mais frequência, aumenta os valores das apostas, tenta parar e não consegue, e começa a usar o jogo para aliviar ansiedade, tristeza, estresse ou tédio. Outro sinal importante é quando a aposta deixa de ser lazer e passa a ocupar de forma significativa o pensamento, tempo e dinheiro, trazendo prejuízo para as relações, bem como a alteração do humor e do sono".
Ela também mencionou que familiares e amigos podem notar comportamentos como irritabilidade, mentiras sobre dinheiro e o tempo gasto de forma online, pedidos frequentes de empréstimo, afastamento da convivência familiar e social e tentativas insistentes de recuperar perdas financeiras.
A ajuda começa no acolhimento sem julgamento, conversar com objetividade sobre os sinais observados e incentivar a busca por um psicólogo, psiquiatra ou serviço de saúde mental. A psicoterapia pode ter bons resultados, sobretudo quando começa cedo”, enfatizou.
A terapeuta também destacou que o foco terapêutico da abordagem humanista-existencial consiste no resgate da autonomia e a reconexão com valores autênticos para o paciente. O jogo muitas vezes funciona como um anestésico para lidar com o sofrimento ou para suprir necessidades emocionais não atendidas. O comportamento compulsivo busca preencher um vazio existencial, gerando uma falsa sensação de poder, controle ou pertencimento.
Embora a psicoterapia seja o pilar mais importante para o tratamento emocional, a recuperação da ludopatia frequentemente exige uma rede de apoio estruturada”.
Entre as orientações, a psicóloga cita evitar jogar sob estresse, raiva ou uso de álcool. Também é importante desativar notificações, usar ferramentas de autoexclusão quando necessário, manter o jogo apenas como lazer e procurar ajuda ao primeiro sinal de perda de controle. Mas precisamos nos atentar desde a infância, como as crianças estão expostas a telas”, concluiu.
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Gildázio Garcia Vitor
19 de julho, 2026 | 10:19Os vícios nestes jogos online destas "Pests", está virando um grave problema de saúde pública, com um grande número de trabalhadores se afastando por ansiedade e/ou depressão, com um diferencial, não escolhe classe social e nem formação acadêmica.”