21 de julho, de 2026 | 06:00

Outro bi

Fernando Rocha

O futebol mundial ganhou mais um país bicampeão: a Espanha, que dominou e controlou amplamente a Argentina, que sequer conseguiu dar um chute a gol no tempo normal.

Além disso, os espanhóis tiveram um gol injustamente anulado pela arbitragem, mas precisou da prorrogação para encontrar o caminho das redes, por intermédio de Ferrán Torres, que saiu do banco de reservas para fazer 1x0 e dar o título justo e merecido ao seu país.

A diferença da qualidade técnica e do domínio de jogo dos espanhóis imposta aos argentinos foi abissal e muito acima do esperado, anulando a parte anímica, que era favorável aos hermanos.

Mesmo assim, o jogo da final foi um dos mais fracos já visto em toda a história das Copas, uma espécie de carimbo no evento que, pela primeira vez, teve 48 seleções participantes, algumas sem qualidade para disputar até competições amadoras.

Outra marca deixada - além da truculência do governo Trump que barrou milhares de turistas, incluindo um árbitro da Somália que iria apitar jogos, interferiu e obrigou a Fifa a cancelar uma punição contra um jogador da sua seleção, submeteu a seleção do Irã a uma logística desumana e humilhante - foram os atos de racismo praticados nos estádios, sobretudo pelos torcedores argentinos, sem que houvesse qualquer punição.

Por fim, o vexame protagonizado pela nossa seleção, eliminada pela “fortíssima” Noruega, ainda na fase 16-avos, que precedeu às oitavas de final, uma novidade nesta Copa do Mundo e algo que vai demandar muita reflexão e atitude dos dirigentes, para que não mais se repita.

Cair na real
A Copa do Mundo terminou e aqui, nos nossos grotões, o torcedor cai na real, volta a conviver com as deficiências de seus times e as mazelas do nosso futebol, após quase 50 dias de paralisação.

Nos próximos trinta dias, Galo e Raposa vão jogar nove vezes por competições diferentes; praticamente, entrarão em campo uma vez a cada três dias, fazendo deslocamentos continentais de norte a sul do país.

Hoje, às 19h, na Arena MRV, pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro, o torcedor do Atlético vai matar saudades do time, contra o Bahia, sem ter feito contratações de reforços, exceto a do zagueiro Léo Duarte, que se machucou nos treinos e vai ficar de fora das primeiras rodadas.

Amanhã, às 21h30, será a vez do Cruzeiro jogar em Porto Alegre, contra o Internacional, também sob desconfiança da China Azul, devido ao mau desempenho no último amistoso em que foi derrotado pelo Grêmio e apresentou muitas falhas ofensivas e defensivas.

O quadro é preocupante para Galo e Raposa, que estão separados apenas por quatro pontos do Vasco da Gama, o primeiro time da zona de rebaixamento. Por isso, é muito importante não só que vençam, mas também que olhem para trás, e não esqueçam o passado para não sofrer no futuro.

FIM DE PAPO

Uma grande reflexão precisa ser feita pelos nossos atuais dirigentes, se quisermos voltar a ter protagonismo no futebol mundial. A contratação de um técnico estrangeiro, dono de um currículo vitorioso em clubes, o italiano Carlo Ancelotti, não foi suficiente para recuperar o nosso futebol e a nossa imagem cada vez mais desvalorizada. Não duvido da capacidade de Ancelotti, mas se não houver uma revisão completa nos critérios e conceitos atuais de convocações, sem a interferência direta da CBF, além da influência externa de empresários e patrocinadores, vamos continuar na mesmice atual.

Desde 2002, não formamos jogadores diferenciados, com qualidade e responsabilidade para ganhar títulos mundiais. Temos, isto sim, uma geração de “influencers”, sem apego algum à seleção do país, senão pelos milhões que ganham a cada convocação e pelos “likes” nas redes sociais. A geração atual é a pior que já tivemos desde a Copa de 2002, quando conquistamos o pentacampeonato mundial. São jogadores que não têm laços, raízes, desconhecem e não praticam um futebol que respeite a cultura e a camisa vitoriosa da nossa seleção. A maioria saiu daqui muito cedo, construiu ou almeja construir a sua carreira em clubes do exterior, e não sabem de suas origens.

Quando se reúnem para vestir a camisa canarinho faltam-lhes identidade e substância, tudo é superficial e anabolizado. Uma mudança que consiga corrigir essa rota de fracassos é possível, mas a cada ano que passa está ficando mais complicada e difícil. O torcedor brasileiro gosta de ganhar Copa do Mundo e a seleção só vai voltar a recuperar seu prestígio nacional quando isso vier a acontecer.

Depois de ser eliminada nas oitavas de final, em 2022, a Espanha ressurgiu e agora bateu a ex-campeã. O mesmo aconteceu com a Argentina, em 2018, que depois se tornou campeã em 2022. Portanto, não é impossível o Brasil voltar a vencer um Mundial e ser respeitado novamente. Mas, esperar alguma atitude dessa atual CBF, corrupta e submissa às federações estaduais, com seus interesses inconfessáveis e suas competições arcaicas, que atravancam o calendário do nosso futebol, será uma ingenuidade que não podemos compartilhar. (Fecha o pano!)


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