22 de julho, de 2026 | 07:30
Risco climático atinge saúde, biodiversidade e segurança alimentar
Antonio Nahas Junior *
O Diário do Aço publicou neste mês duas reportagens reveladoras da mobilização da sociedade sobre a necessidade de prevenir os riscos climáticos. A primeira foi sobre nossa participação na Conferência Nacional dos ODS, realizada em Brasília no início do mês. A conferência contou com quase mil delegados de todo o país e teve como objetivo disseminar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em todo o Brasil. Nosso país é signatário do Acordo de Paris e da Agenda 2030. Temos metas importantes a alcançar, entre elas a redução das emissões de CO₂ em 59% até 2035. Sem a participação de todos, será muito difícil atingir esse objetivo.A segunda reportagem revelou a preocupação com os efeitos do fenômeno climático denominado El Niño, que neste ano promete ser muito severo, com consequências preocupantes para todo o país.
Essa mobilização é muito importante e será ela que sensibilizará empresas e agentes políticos a estruturarem políticas regionais sólidas de enfrentamento aos efeitos das mudanças climáticas.
Contribuindo com essa discussão, sugerimos aos interessados acesso ao programa AdaptaBrasil, formulado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O programa tem como objetivo implementar planos de ação em todos os estados brasileiros e em, pelo menos, 35% dos municípios.
O Painel Cidades é uma ferramenta de consulta às
informações sobre risco climático em cada um dos
5.570 municípios brasileiros”
Recentemente foi lançado o Painel Cidades, uma ferramenta destinada a facilitar a consulta às informações sobre risco climático em cada um dos 5.570 municípios brasileiros. A plataforma é uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em conjunto com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), e conta com a colaboração de diversas instituições setoriais. Ela permite consolidar, integrar e disseminar informações sobre riscos climáticos para subsidiar os tomadores de decisão com base na melhor ciência disponível.
O Painel reúne informações sobre 15 setores e subsetores estratégicos. Além da visualização integrada das informações, com foco no âmbito municipal, é possível obter detalhamento sobre indicadores de ameaça climática, exposição e vulnerabilidade.
Os setores de risco selecionados são: biodiversidade, desastres geo-hidrológicos, saúde, segurança alimentar, segurança energética e recursos hídricos, além de diversos subsetores.
Em Ipatinga, o Painel informa que o risco de deslizamentos de terra é muito alto, revelando não apenas a possibilidade de ocorrência desses eventos, mas também o contingente populacional que pode ser atingido, bem como seu grau de vulnerabilidade. Da mesma forma, os riscos de enxurradas e inundações permanecem altos.
Já Coronel Fabriciano apresenta risco alto para deslizamentos de terra, inundações, leishmaniose e arboviroses. O mesmo ocorre em Timóteo.
A plataforma apresenta também o Painel Nacional, que reúne indicadores dos setores estratégicos de infraestrutura e projeções futuras das ameaças que compõem cada tema.
A médio prazo, os municípios do Vale do Aço podem
acessar recursos de programas específicos, como o
Cidades Verdes e Resilientes”
Também são apresentados mapas das áreas de risco, detalhando até mesmo as ruas e a população que pode ser atingida. Tudo isso para fornecer aos municípios todas as informações necessárias à estruturação de ações preventivas.
Importante também é o fato de o Painel abranger questões relacionadas à saúde, à segurança alimentar e à biodiversidade.
A ameaça climática não se resume apenas a tragédias, enchentes e deslizamentos. Ela também atinge a fauna e a flora, além de favorecer a proliferação de doenças.
O fato é que as chuvas estão chegando e, com elas, virão inundações, enxurradas, deslizamentos de terra, desmoronamentos e o aumento das arboviroses. Dados e informações para que medidas preventivas sejam adotadas - como a remoção de famílias de áreas de risco, a proteção de áreas de preservação ambiental e a execução de obras emergenciais - existem. Basta agora passar à ação, impedindo que os riscos se transformem em tragédias, como ocorreu no ano passado em Juiz de Fora, quando mais de cem pessoas morreram. E, conforme indicam as notícias sobre a intensidade do El Niño, o ano promete grande severidade climática.
A médio prazo, os municípios do Vale do Aço podem acessar recursos de programas específicos para essa questão, como o Cidades Verdes e Resilientes, que já apoia 581 municípios brasileiros em iniciativas de adaptação.
Também é urgente a elaboração dos Planos Locais de Ação Climática, nos quais todas as variáveis relacionadas ao tema sejam levantadas e os problemas e soluções, equacionados. Os municípios que tomam essa iniciativa criam melhores condições para acessar recursos destinados à execução das ações necessárias, pois passam a alinhar suas iniciativas às metas climáticas nacionais já estabelecidas.
Parabéns aos autores das iniciativas citadas no início deste artigo. Que outras semelhantes se repitam. O Vale do Aço precisa dessa ação coletiva. Para os interessados, os sites abaixo oferecem informações importantes:
painelcidades.adaptabrasil.mcti.gov.br
cemaden/pt-br
Vale a pena conhecê-los.
* Economista, empresário. Morador do Vale do Aço. Na luta pela Justiça Climática.
Obs: Artigos assinados não reproduzem, necessariamente, a opinião do jornal Diário do Aço
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