21 de julho, de 2026 | 14:37
A alimentação do funcionário, um benefício que merece atenção
Leonardo Garcia *
Por muitos anos, o fornecimento de vales-alimentação e refeição foi tratado pelas empresas apenas como uma exigência para cumprimento de convenções coletivas ou uma simples concessão. Foi com essa premissa, aliás, que eles se transformaram em benefício automático que a maioria das empresas oferece sem questionar. Contudo, há um custo invisível nessa decisão que o departamento de RH dessas corporações raramente coloca na planilha. Esse custo está diretamente relacionado com a transição que vive esse mercado.As evidências científicas ajudam na transformação. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que hábitos alimentares inadequados podem reduzir a produtividade dos trabalhadores em até 20%. Estudos na área também revelam que trabalhadores com dietas inadequadas têm 66% mais probabilidade de perder desempenho e que a implementação de alimentação balanceada pode elevar a produtividade em até 25%.
Isso ocorre porque dietas ricas em açúcares e alimentos ultraprocessados causam picos de energia seguidos por quedas abruptas, gerando a famosa "sonolência pós-almoço". Em contrapartida, refeições ricas em nutrientes, vitaminas e fibras estabilizam a energia, protegem o sistema imunológico e previnem doenças crônicas, reduzindo significativamente os índices de absenteísmo.
A OIT aponta que hábitos alimentares inadequados
podem reduzir a produtividade dos trabalhadores em até 20%”
Os dados reforçam como a produtividade é impactada pelo prato, com efeitos sobre uma dieta balanceada, com nutrientes essenciais que ajudam não só no bem-estar da pessoa, como também na capacidade de raciocínio, na memória e na concentração.
Esse fator nutricional, por si só, já faz da alimentação corporativa algo de imensurável valor. Contudo, há outro ponto muito relevante que essa escolha gera: a socialização. A pausa no restaurante da empresa é, muitas vezes, a única oportunidade que os colaboradores têm para interagir fora do ambiente de pressão direta das tarefas.
Trata-se de um importante respiro coletivo que alivia o estresse e a ansiedade, fortalece os vínculos entre os colegas, sem deixar de citar a melhora no sentimento de pertencimento e a cultura organizacional. A refeição coletiva cria rituais de equipe que têm valor real, especialmente num momento em que as empresas gastam fortunas tentando recuperar cultura depois do trabalho remoto.
Há, ainda, mudanças de cunho administrativo e legislativo acerca do tema. Em outubro de 2024, o Ministério do Trabalho publicou a Portaria 1.707 e em novembro de 2025 o Decreto 12.712, fechando o cerco contra o uso irregular do vale-refeição cashback, academias, streaming, procedimentos estéticos, entre outras tantas atividades alheias ao propósito alimentício. O que parecia um benefício simples se tornou um sistema difícil de controlar e com desvios crescentes.
Por todos esses fatores, a transição do vale-refeição para uma refeição que realmente vale pode e deve ganhar cada vez mais escala. Obviamente, como qualquer movimento de mudança, esse também não é fácil. Ele quase sempre começa com resistência do funcionário.
Os dados reforçam como a produtividade é impactada pelo prato,
com efeitos sobre uma dieta balanceada”
Não é resistência por mal-estar com a comida. É porque o ticket virou, na prática, um complemento de salário. O funcionário usa no mercado no fim de semana, passa para a família, cobre despesas pessoais. A empresa paga achando que está investindo em saúde e produtividade quando, na verdade, entrega um benefício financeiro sem nenhum retorno mensurável. Esse é o segredo que o mercado de benefícios nunca vai te contar.
A mudança de cultura é quase sempre uma luta. Demora. Mas os benefícios vêm. O que destrava a resistência é simples e consistente em todos os casos: o funcionário precisa ver. Ver a variedade, a qualidade, a dieta respeitada, a comida feita de verdade e como a alimentação de qualidade se reverte não só em sua produtividade durante o expediente, mas também em mais qualidade de vida para além do ambiente laboral. Quando isso acontece, a conversa muda.
Oferecer uma alimentação saudável ao colaborador é uma demonstração tangível de cuidado com sua vida fora do escritório. Em um mercado de trabalho tão competitivo, o funcionário que se sente cuidado e valorizado pela organização tende a desenvolver um vínculo de lealdade muito mais forte. Empresas que colocam a nutrição e o bem-estar alimentar em pauta colhem os frutos em forma de times mais motivados, saudáveis e engajados, com ganhos para todas as partes.
* Presidente da Consuma Gastronomia, empresa especializada em alimentação corporativa
Obs: Artigos assinados não reproduzem, necessariamente, a opinião do jornal Diário do Aço
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