22 de julho, de 2026 | 07:30
Empresas devem adequar gestão de riscos psicossociais às novas exigências da NR-1
Matheus Valadares/Arquivo DA
Riscos psicossociais são situações do trabalho que podem adoecer emocionalmente o funcionário
Riscos psicossociais são situações do trabalho que podem adoecer emocionalmente o funcionárioA atualização das novas diretrizes da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), determina que riscos psicossociais no ambiente de trabalho sejam tratados da mesma forma que os riscos físicos e químicos na gestão de segurança e saúde ocupacional.
Desde maio de 2026, as empresas passaram a ser obrigadas a identificar, avaliar e adotar medidas para preveni-los. Em entrevista à reportagem do Diário do Aço, a psicóloga especializada em saúde mental corporativa, Sâmela Nunes, explicou que a mudança está relacionada à forma como o trabalho é organizado dentro das empresas.
Riscos psicossociais são situações do trabalho que podem adoecer emocionalmente o funcionário, como sobrecarga, metas impossíveis, jornadas exaustivas, falta de clareza nas funções, conflitos e assédio. Não é sobre a pessoa precisar de atendimento clínico, mas sobre como o trabalho é organizado”, afirmou.
Sâmela detalhou que as empresas precisam mapear esses riscos, registrá-los no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), elaborar um plano de ação com prazos e responsáveis e acompanhar os resultados. O descumprimento das exigências pode resultar em multas e aumentar a exposição das organizações em processos judiciais relacionados ao adoecimento ocupacional.
Avanço dos transtornos mentais
A terapeuta acrescentou que a adequação se tornou ainda mais necessária diante do avanço dos transtornos mentais entre trabalhadores brasileiros. Ao jornal, ela destacou que no ano passado o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) concedeu mais de 500 mil benefícios por incapacidade relacionados a transtornos mentais.
Isso mostra que o adoecimento mental já é uma das principais causas de afastamento no país, e boa parte dele tem origem na forma como o trabalho é organizado. Ignorar isso hoje é assumir um risco jurídico, financeiro e humano”, ressaltou.
Entre os principais fatores que comprometem a saúde mental dos trabalhadores, a psicóloga citou sobrecarga, metas inatingíveis, jornadas extensas sem pausas, falta de clareza sobre funções, baixa autonomia, conflitos interpessoais, assédio moral ou sexual, lideranças despreparadas e ausência de canais de escuta.
Esclareceu, ainda, que mudanças de comportamento costumam surgir antes mesmo de um diagnóstico. Queda de produtividade, isolamento, irritabilidade, faltas frequentes, exaustão e dificuldade de concentração são alguns dos sinais que devem ser observados.
O papel da liderança e do RH é observar esses sinais sem julgamento e oferecer canais seguros de escuta, pesquisas de clima e canais de denúncia confidenciais para que as pessoas se sintam à vontade para falar antes que o quadro se agrave”, orientou.
Adaptação
Para as empresas que ainda não se adaptaram às novas exigências, Sâmela recomendou tratar o tema como parte da gestão de riscos organizacionais.
O primeiro passo é não tratar isso como uma ação isolada de RH, mas como um projeto de gestão de risco com apoio da liderança. É preciso mapear os riscos psicossociais reais da empresa, incluí-los no PGR, capacitar gestores e criar canais de escuta confiáveis”, orientou.
Ela complementou que, para os trabalhadores, a atualização da NR-1 representa um respaldo legal para situações que antes eram frequentemente tratadas como questões individuais.
Agora a empresa tem responsabilidade formal de identificar e prevenir fatores que causam sofrimento psíquico no ambiente de trabalho, abrindo espaço para cobrar mudanças estruturais. O primeiro passo é não normalizar o sofrimento, buscar os canais de apoio da empresa é importante, assim como buscar acompanhamento profissional externo. E, sempre que possível, verbalizar para a liderança o que está gerando sobrecarga”, concluiu.
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Anônimo
22 de julho, 2026 | 08:54Papel aceita tudo! Agora na realidade nada vai mudar..
Infelizmente”