08 de julho, de 2022 | 07:35

Com endividamento das famílias elevado, consumidores apelam para o parcelamento das contas

Os dados da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) foram divulgados nesta quinta-feira (7)

Bruna Lage
Sem dinheiro no bolso e enroladas com as contas, famílias recorrem ao parcelamento, isso quando conseguem pagar Sem dinheiro no bolso e enroladas com as contas, famílias recorrem ao parcelamento, isso quando conseguem pagar

O endividamento das famílias tem sido cada vez mais comum no Brasil, mas teve ligeira redução. Em junho, a proporção de famílias com dívidas a vencer ficou em 77,3%, o que representa uma queda de 0,1 ponto percentual em relação a maio. Na comparação com junho de 2021, houve crescimento de 7,6 pontos percentuais. Os dados da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) foram divulgados nesta quinta-feira (7) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Moradora do bairro Canaã, em Ipatinga, Alcinéia Souza teve sua vida financeira revirada pelo acúmulo de dívidas. “Devo o cartão de crédito há meses, tenho pago o valor mínimo faz tempo. Isso porque a conta não fecha. Você parcela a compra do supermercado, depois tem que comprar de novo, porque alimentação é diária, né? Aí você precisa comprar roupa pro menino, compra um calçado e por aí. O problema do trabalhador atualmente é que o salário não está acompanhando o valor das coisas, tudo sobe, só o salário que não”, lamenta.

Juan Silva, que tem apenas 19 anos, tem cartão de crédito há pouco tempo e já está enrolado com as dívidas. Morador do bairro Cidade Nova, em Santana do Paraíso, ele afirma ter se empolgado com a possibilidade de parcelar suas compras. “E não deu bom. Porque eu ganho um salário e ajudo a pagar aluguel de casa. Mas tenho namorada, quero sair, fazer algo legal. Mas está tudo caro, aí pago no crédito. Nem preciso dizer que foi uma opção ruim”, conta.

Queda
De acordo com a CNC, esta é a segunda queda seguida no endividamento, após a alta recorde registrada em abril, quando o indicador ficou em 77,7%. As dívidas no cartão de crédito representam a maior fatia do endividamento, com 86,6% do total de famílias relatando este tipo de dívida. Em seguida vem os carnês, com 18,3%, e o financiamento de carro, com 10,8%. Em junho de 2021, essas proporções eram de 81,8%, 17,5% e 11,9%, respectivamente.

Para o presidente da CNC, José Roberto Tadros, a queda no endividamento reflete a melhora no mercado de trabalho. “Com menos restrições impostas pela pandemia e as medidas temporárias de suporte à renda, como saques extraordinários do FGTS, antecipações do 13º salário, INSS e maior valor do Auxílio Brasil, a população precisou apelar menos para os gastos no cartão”, avalia.

Inadimplência
A pesquisa mostra que a inadimplência também apresentou queda, com retração de 0,2 ponto percentual na proporção de famílias com contas em atraso para 28,5%. Esta é a primeira queda desde setembro de 2021. A mesma queda foi verificada entre as famílias que afirmam não ter condições de pagar as contas atrasadas, com 10,6% do total.

Os dois recortes por faixas de renda apresentaram leve queda na proporção de endividados. Entre as famílias com rendimentos acima de dez salários mínimos, a redução foi de 0,2 ponto percentual para 74,2%, enquanto a parcela com ganhos até dez salários mínimos caiu 0,1 p.p., para 78,2%.
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