14 de julho, de 2018 | 10:20

Copa “maluca”

Fernando Rocha

Divulgação
A Copa do Mundo na Rússia, chamada de “maluca” por muita gente, inclusive jogadores, terá hoje a sua grande final, caracterizando-se pela quantidade de surpresas nos resultados.

França x Croácia - a maior novidade e a maior surpresa desta Copa - jogam ao meio-dia, horário do Brasil, numa decisão tida como improvável, por conta dos croatas, que mesmo tendo jogadores de categoria como Modric, Rakitic e Mandzukic, não apresentou uma qualidade técnica à altura do seu trio principal.

Mostrou, isto sim, determinação, aplicação tática, espírito de luta e uma invejável busca da vitória, tornando-se um modelo de superação a ser seguido no futebol mundial daqui em diante, tendo como ícone Modric, que deve ser escolhido o melhor jogador da competição, caso a Croácia se sagre campeã do torneio.

Os franceses, ao contrário, figuram na lista dos favoritos desde o começo pela sua história, pelo elenco qualificado que possui e por ser uma Seleção bem dirigida pelo ex-zagueiro e campeão mundial de 1998, Didier Claude Deschamps.

Ficou claro que a Copa do Mundo disputada na Rússia não apresentou um alto nível técnico. Aliás, ficou muito longe disso ou até abaixo disso, mas não se pode negar que tivemos bons jogos, alguns muito interessantes, com elevado espírito de competição, além de muita disputa, entrega dos jogadores, como é comum de se ver em todas as Copas

Neymar, a decepção
Não tenho ainda um juízo de valor formado a respeito de quem deveria ser escolhido pela Fifa como o melhor jogador deste Mundial. Antes da bola rolar eu acreditava que poderia ser Neymar, mas o nosso único e principal craque foi a decepção que se viu, saindo desta Copa muito menor do que entrou.

Disse lá no começo que poderá ser o craque croata Modric, caso seja campeão, mas também pode ser um outro jogador do time perdedor, como ocorreu em 2002, quando a escolha recaiu sobre o goleiro alemão e vice-campeão Oliver Kahn, numa tremenda injustiça com os craques Ronaldo Fenômeno, Rivaldo ou Roberto Carlos, que brilharam muito mais do que o jogador da Alemanha.

A escolha do zagueiro francês Umtiti como o melhor jogador da semifinal, na vitória de 1 x 0 sobre os belgas, além da escolha do meio-campista croata Perisic, que eliminou a Inglaterra, espelha muito bem como deve ser o critério da Fifa para esta escolha, ou seja, nenhuma lógica.

FIM DE PAPO
A desorganização do nosso calendário fica ainda mais evidente a cada quatro anos, quando se realiza a Copa do Mundo. E agora não poderia ser diferente, com jogos das principais equipes nacionais a cada três ou quatro dias. Essa overdose de futebol dos clubes mineiros começa amanhã, quando o Cruzeiro recebe, no Mineirão, o Atlético/PR, pelas oitavas de final da Copa do Brasil.

Na quarta-feira, o Atlético, atual vice-líder do Brasileirão, reinicia a busca pelo título que persegue há 47 anos, enfrentando o Grêmio, em Porto Alegre. E assim a vida segue para todos, nós da imprensa, também inseridos neste contexto, sempre denunciando e reclamando. O mesmo se pode dizer de técnicos, jogadores, os sempre lampeiros e pimpões dirigentes, sem que nada mude o quadro.

Na última semana fui visitar alguns parentes em São Paulo e aproveitei para conhecer o Allianz Arena, a casa do Palmeiras, que custou cerca de R$ 600 milhões ao grupo WTorre, em troca do direito de exploração até 2029. Segundo os gentis funcionários do estádio palmeirense, trata-se da “maior Arena de eventos (shows) do país”, com capacidade para 43.713 torcedores. Gostei das instalações modernas e do modelo de administração interna, não da concepção geral, pois o ideal é que o clube tenha acesso aos lucros do empreendimento em menor tempo. Mas como diz um ditado popular aqui dos nossos grotões: “Quem não tem cão caça com gato”.

Enquanto visitava o Allianz Arena, cujo gramado coincidentemente estava sendo preparado para o jogo do próximo domingo contra o Atlético, nos bastidores rolava o imblóglio entre as duas diretorias sobre a venda do artilheiro Róger Guedes, que acabou indo embora mesmo para o futebol chinês, com o Galo recebendo aproximadamente R$ 11 milhões como taxa de vitrine. Curioso é que todas as pessoas ligadas ao Palmeiras com quem eu conversei, horas antes do Atlético anunciar oficialmente a saída de Roger Guedes, me disseram que ele já estava negociado com o futebol chinês.

O Cruzeiro trouxe o argentino Hernán Barcos, 34 anos, com passagens por Grêmio e Palmeiras e que estava no futebol do Equador, para suprir a carência de um homem-gol no seu ataque, sem poder contar com o artilheiro Fred, Sassá, além do jovem Raniel, um frequentador assíduo do Departamento Médico. O que disse anteriormente também se aplica neste caso: “Quem não tem cão caça com gato”. (Fecha o pano!)
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário