16 de fevereiro, de 2022 | 15:50

Moradores buscam desaparecidos em Petrópolis; mortes chegam a 58

Polícia civil e Ministério Público montaram força-tarefa

(Vladimir Platonow - repórter da Agência Brasil*)
© Tânia Rêgo/Agência Brasil
Chuva no começo da noite de terça-feira destruiu parte da cidade de Petrópolis, na região serrana do Rio de JaneiroChuva no começo da noite de terça-feira destruiu parte da cidade de Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro

Em meio a catástrofe causada pelas chuvas em Petrópolis, na região serrana do estado do Rio de Janeiro, moradores buscam, por conta própria, familiares desaparecidos. Ouvidos pela Agência Brasil, eles relataram que passaram a última madrugada com enxadas e até mesmo com as próprias mãos, buscando sobreviventes no meio dos escombros. O número de mortos agora é de 58.

Veja a atualização desta notícia. Saiba mais👉: Petrópolis volta a enfrentar chuva e alagamento; já são 120 vidas perdidas desde a tempestade do dia 15/2

"Estou procurando meu pai e minha mãe", disse Danter Menezes que, desde às 3h da madrugada de hoje (16), está com o irmão, Simon Menezes, no local onde era a casa dos pais, no Morro da Oficina, no bairro Alto da Serra. "Tenho certeza que estão aqui, eles estavam na sala, os móveis todos estão aqui, achei os documentos deles", contou.

A região foi uma das mais atingidas. Somente ali, de acordo com os moradores, mais de 50 casas vieram abaixo com os deslizamentos de terra. Danter não mora no local. Assim que soube da tragédia, tentou contato com os pais, mas não conseguiu falar com eles e foi imediatamente para lá.

A casa do irmão, que fica na mesma área, também corre risco de desabamento. "Vou levar meu irmão, sobrinho e cunhada para minha casa. Eles moram naquela casa que está rachada e com risco de cair", explicou Danter.

José Costa reside em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, e, assim que soube do desastre, foi para Petrópolis para ajudar o filho, Marcelo Castro, que teve a casa levada pelas chuvas. Eles também buscam por conta própria a esposa de Marcelo, que estava em casa quando ocorreu o deslizamento de terra.

"Ele ligou para mim e eu vim porque numa hora dessas é difícil. Tentamos [escavar] beirando a casa, tirando o que tinha que tirar de barro", relatou José.

Sozinho, Paulo Eckardt procura a mãe, Antonieta, 99 anos, que estava em casa quando tudo desabou. Ele tentou chegar ao local ontem, mas não conseguiu. "Ela está dentro do quarto, debaixo daquela barreira. Tem que esperar agora para tirar o corpo", disse com muita tristeza. Ele morava com a mãe e não tem esperanças de que ela esteja viva. "O rapaz falou que [ela] está soterrada. Não tem como. Não tem chance [de alguém] estar vivo, é terra pura, sem chance, ainda mais com a idade que ela tem".

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Em 2011, temporal que atingiu Petrópolis, Nova Friburgo e Teresópolis causou a morte de 918 pessoasEm 2011, temporal que atingiu Petrópolis, Nova Friburgo e Teresópolis causou a morte de 918 pessoas

Hoje, as ruas de Petrópolis estão cobertas de lama. O terreno acidentado dos morros e a terra ainda muito molhada dificultam o trabalho de buscas. O Corpo de Bombeiros não dá conta de todo o trabalho. A população ajuda na procura de sobreviventes e por corpos. O trabalho é lento, pois as vítimas podem estar vivas em meio aos escombros, em espaços com ar. A escavação é feita devagar. Bombeiros contam que estão exaustos. Alguns estão em ação há dois dias, emendado jornadas de trabalho.

Com o tempo nublado, muitas pessoas estão também deixando as casas com medo de novas chuvas e deslizamentos. Muitos estão nas ruas com malas e bolsas. A comunicação na cidade foi prejudicada, faltam luz e internet em muitos locais. Como há muitos fios soltos nas ruas, para que não haja acidentes a energia foi desligada em algumas localidades.

Vítimas

Até o momento, há a confirmação de 58 mortos em razão das enchentes e do mau tempo que castigaram Petrópolis, segundo a Defesa Civil Estadual. Os bombeiros seguem nos trabalhos de busca por desaparecidos, uma vez que vários deslizamentos de terra e alagamentos foram registrados na cidade.

A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio montaram forças-tarefas para ajudar na identificação de cadáveres e na busca por desaparecidos. Uma estrutura foi erguida ao lado do Posto Regional de Polícia Técnica Científica (PRPTC) de Petrópolis para preservar os corpos.

O secretário estadual de Defesa Civil do Rio de Janeiro, Leandro Monteiro, pediu que as pessoas façam doações de água mineral aos quartéis dos bombeiros, para que possam ser entregues em Petrópolis.

Há ainda vários pontos que estão recebendo donativos, como a Câmara Municipal de Petrópolis, que está aceitando alimentos não perecíveis, água, roupas limpas para todas as idades, produtos de higiene pessoal, produtos de limpeza, roupas íntimas e roupa de cama, entre outros.
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Petrópolis teve ontem chuvas mais intensas que em 2011, diz professor



O temporal que caiu nesta terça-feira (15) em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, deixando mais de 50 mortos, foi muito mais intenso do que o ocorrido em janeiro de 2011. Naquela ocasião, chuvas torrenciais causaram enchentes e deslizamentos de terra na região, atingindo principalmente as cidades de Nova Friburgo e Teresópolis e causando a morte de 918 pessoas.

Petrópolis registrou ontem ao menos 229 ocorrências relacionadas a chuvas. Foram 189 deslizamentos de terras, e a prefeitura decretou situação de crise.

De acordo com o professor da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e especialista em drenagem urbana Matheus Martins, a topografia da cidade é propícia a inundações e deslizamentos, já que fica em uma região de encostas e é cortada por rios, sendo o principal o Rio Piabanhas, afluente do Paraíba do Sul.
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