18 de fevereiro, de 2022 | 09:30

Notícias falsas dificultam a cobertura vacinal em crianças, aponta Fiocruz

Tânia Rêgo /Agência Brasil
Documento mostra que expansão da cobertura vacinal no país é urgenteDocumento mostra que expansão da cobertura vacinal no país é urgente

Mesmo com evidências científicas favoráveis à vacinação contra a covid-19 entre crianças no Brasil, a difusão de notícias falsas, as chamadas “fake news” tem provocado resistência das famílias a respeito da eficácia e segurança da imunização para a faixa etária entre cinco a 11 anos. Em Nota Técnica divulgada esta semana, o Observatório Covid-19 Fiocruz alerta que este processo resulta em lentidão na cobertura vacinal de primeira dose das crianças, em contexto preocupante de retorno das atividades escolares.

O documento apresenta um panorama atual da vacinação entre os pequenos e aponta a grande heterogeneidade no nível subnacional e reforça a necessidade de articulação de todas as esferas de gestão para a expansão da cobertura vacinal no país. Em um cenário em que apenas este grupo não está imunizado, ele se torna particularmente vulnerável à infecção e à disseminação do vírus, inclusive entre outros grupos etários.

Os pesquisadores citam que o crescente movimento antivacina possui contorno diferente daquele observado em outros países. “Trata-se aqui de um receio seletivo para a vacina contra a covid-19. Mais do que nunca, cabe o devido esclarecimento à sociedade civil, com linguagem simples e acessível sobre a importância, efetividade e segurança das vacinas, envolvendo a responsabilidade de todos os níveis de gestão da saúde no país”, pontuam.

Nesse sentido, a volta às aulas é necessária, mas com a devida proteção às crianças. O documento destaca que a urgência, nesse momento, é por acelerar a distribuição de vacinas para todas as unidades da federação e o fortalecimento de uma rede colaborativa que faça os esclarecimentos necessários junto à população.

Discrepância

Os dados apresentados pela Fiocruz apontam que a heterogeneidade entre estados e capitais é notável: todos os estados da região norte do país encontram-se abaixo da média nacional. Apenas sete possuem cobertura de primeira dose maior que a média nacional, que é de 21%: Rio Grande do Norte (32,6%), Sergipe (23,9%), Espírito Santo (21,9%), São Paulo (28,1%), Paraná (28,6%), Rio Grande do Sul (23,2%) e o Distrito Federal (34,6%).

O pior desempenho está no Amapá, com apenas 5,3% das crianças vacinadas. Onze capitais estão abaixo da marca do país: Macapá (1,6%), Boa Vista (20,6%), Rio Branco (6,9%), Porto Velho (16%), Teresina (8,4%), João Pessoa (15,8%), Recife (1,9%), Belo Horizonte (18,4%), Campo Grande (1,6%) e Cuiabá (15,7%).

Indicadores sociodemográficos

A Nota Técnica mostra que a cobertura vacinal de primeira dose é diretamente proporcional e maior nos estados onde a expectativa de vida ao nascer e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) são também maiores. Ao contrário disso, a cobertura vacinal de primeira dose é menor onde há maior desigualdade de renda, pobreza e internações por condições sensíveis à atenção primária. Além disso, a cobertura vacinal de primeira dose possui relação inversa com a proporção de crianças na faixa etária elegível. Nos locais em que a proporção de crianças de cinco a 11 anos é maior, há menor cobertura vacinal de primeira dose para este grupo. “A cobertura vacinal de primeira dose possui forte correlação inversa com a proporção de crianças elegíveis (-0,73). Este parece ser um efeito relacionado ao ritmo de expansão da vacinação, já que nos estados com maior número de crianças elegíveis avançou-se menos”, explicam os pesquisadores da Fiocruz.

Na regional de Saúde do Vale do Aço, apenas 33,94% das crianças foram vacinadas


Nos municípios da Superintendência Regional de Saúde do Vale do Aço, 19.967 vacinas pediátricas foram aplicas, conforme dados do vacinômetro da Secretaria de Estado de Saúde. A regional tem até então 26,17% de cobertura vacinal contra a covid-19.

Em Coronel Fabriciano, foram 1.848 crianças imunizadas, com dados lançados até o último dia 10 de fevereiro. Em Ipatinga, são 5.862 doses aplicadas, com último lançamento feito no dia 16. Em Timóteo, 2.087 também com lançamento até o dia 16. E Santana do Paraíso, 959, com o último preenchimento de dados feito no dia 15.

Em Minas Gerais, foram 631.348 doses aplicadas, sendo apenas a primeira dose até então. O total aplicado na primeira dose representa 33,94% do Estado.
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Comentários

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Tiago

18 de fevereiro, 2022 | 12:47

“Recomendo o trabalho da Dra. Maria Emília, José Nasser, Dr. Zeballos, entre outros...”

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