15 de dezembro, de 2024 | 07:10

O que dizem pesquisadores sobre a proibição de celulares nas salas de aula?

Especialistas apoiam proibição de celular em sala de aula e professora teme que crianças fiquem ansiosas

Com informações da Agência Brasil
Arquivo/Agência Brasil
Enquanto técnicos e políticos debatem uma saída, professores lidam com a dura missão de lidar com estudantes que não largam o celular nos períodos de estudo nas salas de aulaEnquanto técnicos e políticos debatem uma saída, professores lidam com a dura missão de lidar com estudantes que não largam o celular nos períodos de estudo nas salas de aula

A relação entre estudantes e celulares nas salas de aula é um tema complexo, com implicações tanto positivas quanto negativas para o processo de ensino-aprendizagem. O lado positivo do uso dos aparelhos surge quando é utilizado como ferramenta de aprendizado. Entretanto, não é o que relatam os professores que lidam com a dura realidade em que, enquanto falam estudantes jogam ou navegam nos vídeos dos aplicativos, com assuntos sem relação com as aulas.

Diante dos problemas gerados, o assunto virou debate no Legislativo. A restrição ao uso de celulares em sala de aula já foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados, em Brasília e tem o apoio de especialistas que estudam o assunto.

Consultadas pela Agência Brasil, duas pesquisadoras da área de educação apontaram benefícios na relação dos professores e alunos com a medida, aprovada na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) em novembro e que, em nível nacional, segue para aprovação no Senado Federal.

Para Sandhra Cabral, do portal Educar para Ser Grande e professora da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), a proibição de celulares nas escolas tornou-se necessária porque crianças e até mesmo adultos no Brasil não são ensinados sobre como usar a internet de forma correta, sabendo os benefícios e prejuízos que ela pode oferecer. Entre os malefícios, Sandhra cita problemas de cognição, perda do foco e distração.

Impacto
Mesmo assim, a professora não acredita que apenas a proibição vai impactar a vida e o foco das crianças e adolescentes de forma totalmente positiva, principalmente no início da implementação da medida.

“As crianças estarão proibidas de usar o celular dentro da escola, sendo obrigadas a interagir com professores e colegas, o que é bom; mas elas ficarão extremamente ansiosas no início porque estão acostumadas a utilizar os aparelhos o tempo inteiro”, opinou.

Atividades pedagógicas
“No primeiro dia letivo de 2025, a pessoa vai para a escola e não pode usar o celular por quatro, cinco horas. Se é integral, por muito mais tempo. Essa criança ou adolescente ficou com o celular na mão as férias inteiras. E aí ela chega lá e não vai ter isso. Então, primeiro será necessário ter uma readequação, os professores terão que criar várias atividades pedagógicas que sejam interativas para as crianças não ficarem sentadas na carteira vendo o professor falar, porque isso vai dar uma ansiedade absurda nesses alunos”, analisou.

Segundo Sandhra, uma saída é adotar aulas de educação midiática dentro das disciplinas curriculares, ainda que de forma interdisciplinar ou transversal. Ela observa que, apesar da lei federal de 1º de janeiro de 2023, que orienta as escolas a terem educação midiática, ninguém fez isso ainda.

“É preciso porque as crianças vão continuar usando a internet sem saber de todos os riscos. E nós vamos continuar tendo fake news e desinformação, porque as crianças não sabem diferenciar fato de opinião. E há uma gama de jovens analfabetos funcionais que também não sabem fazer essa distinção”, opinou.

A professora destacou que um ponto positivo é a flexibilização do uso para fins pedagógicos, porque dessa forma o impacto dessa ansiedade nas crianças diminuirá, ao mesmo tempo que se mostra ser possível fazer as duas coisas – manejar o celular e aprender ao mesmo tempo.

Interação
Pesquisadora do tema, Andreia Schmidt, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), é a favor da proibição porque acredita que a escola será o local onde crianças e adolescentes ficarão longe das telas, permitindo que interajam melhor com as pessoas, sejam professores ou colegas.

Segundo Andreia, aumentar a interação social desses estudantes, mesmo que só dentro da escola, será positivo porque são as pessoas que ensinam como nos regularmos emocionalmente, como lidar com as diferenças, como lidar com o mundo que, em última instância, é o que importa, avaliou.

“O que de fato essa lei vem trazer é a oportunidade para as crianças e adolescentes interagirem no mundo real, tanto com as tarefas, com as demandas do mundo real, como com as demandas sociais, que são as demandas de relacionamento, de interação que a gente precisa aprender ao longo da infância e da adolescência”, finalizou.
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Comentários

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Antonio Oliveira de Abreu

15 de dezembro, 2024 | 19:21

“Sou professor do ensino fundamental maior. A situação do celular em sala é um problema, porém, não vejo que o aparelho seja, sozinho, responsável pelo mal desempenho do aprendizado de nossos estudantes. Vejo que o maior problema está em casa, quando fica claro que o processo ensino-aprendizagem não tem continuidade na família onde esses estudantes ficam a maior parte de seu dia!
Costumo dizer, que, enquanto o processo estudar não virar cultura nas famílias, demais medidas serão como enxugar gelo!”

Bia

15 de dezembro, 2024 | 13:03

“Precisa.ks tratar os adultos para tratar as crianças.
Teremos ansiedade? Sim, teremos. As crianças estão viciadas e isso é muito perigoso para elas. Se um viciado ficar ansioso ou tiver abstinência, iremos abrir exceção e entregar o motivo do vício para ele se acalmar Ou vamos tratar e cuidar e usar tudo ao nosso alcance para que se recupere?”

Luciano

15 de dezembro, 2024 | 12:16

“Está assim por conta de celular, uso para outros fins... Nada pedagogico, só jogos e outras coisas mais!!! Por isso os indicadores mostraram e mostram só coisas ruins e baixa produtividade nas aulas.!! Tem que botar fogo nesse aparelho.”

Zizi

15 de dezembro, 2024 | 11:45

“O celular, na escola em que trabalho, é o vilão. Apesar de discursos, ele ainda consegue vencer todos os professores. O pior é a educação que recebem pelas telas já que não tem pai, mãe ou responsáveis que os limitem. Idolatram influenciadores que nem à escola vão. É triste! Espero que melhore.”

Gildázio Garcia Vitor

15 de dezembro, 2024 | 09:37

“Adorei a dica da especialista Sandhra Cabral sobre as aulas midiáticas. Só não entendo como uma Especialista em Educação não conhece a realidade das Escolas e das famílias brasileiras. Em muitas das nossas Escolas falta infraestrutura básica, não têm água potável e sistema sanitário. Biblioteca, internet, tablet/chromebook etc. é igual ao caviar: "Nunca vi, nem comi/ Eu só ouço falar".
Um exemplo só para ilustrar: os nossos aluninhos do 3° ano do Integral, da E. M. Deolinda Tavares Lamego, chamam a Escola do Futuro de "Sem Futuro". Quando lhes disse que eles não poderiam falar isso, porque o Coordenador da Escola é um grande amigo meu e um dos melhores gestores , o Professor Tio Juciano, e esposo da Professora de Artes deles, me calaram com apenas um argumento: "ô tio, o quadro de lá é de giz!"
A única coisa que tive que fazer foi parabenizá-los pela inteligência. Realmente, é uma "Escola Sem Futuro", igual a mim, que já passei da hora de parar.”

Pai

15 de dezembro, 2024 | 07:24

“O acesso ao conhecimento, que leva pessoas a bons empregos, bons cargos, bom desempenho e independência financeira, nunca foi algo amplo. Sempre foi seletivo. É assim que continua a ser. Quem deixa o celular e estuda chega lá. Os que se prendem no celular depois terá que se contentar com o subemprego, com o trabalho mal remunerado. E passa rápido. Aos 15 anos um jovem está perdendo tempo com um celular, vendo vídeo no Tik Tok. Dez anos depois, aos 25 estará vivendo às custas dos pais ou procurando subemprego. É duro isso, mas é a realidade.”

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