30 de novembro, de 2025 | 11:30

90 milhões de pessoas nunca foram ao dermatologista, segundo estudo

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É um paradoxo da nossa época: essa é a geração que mais consome conteúdo sobre skincare na internet, mas é a que mais distante está do profissional que poderia separar o modismo da medicina de verdadeÉ um paradoxo da nossa época: essa é a geração que mais consome conteúdo sobre skincare na internet, mas é a que mais distante está do profissional que poderia separar o modismo da medicina de verdade

Uma pesquisa inédita joga luz sobre um problema que muita gente despreza, mas que é fundamental para a saúde pública: o acesso aos cuidados com a pele. Os números são alarmantes. Mais da metade dos adultos no Brasil, precisamente 54%, nunca foi a uma consulta com um dermatologista. Isso significa que cerca de 90 milhões de pessoas vivem sem qualquer orientação especializada sobre o maior órgão do corpo humano.

O estudo, realizado pelo Datafolha a pedido da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da L'Oréal Brasil, não mostra apenas um descuido generalizado. Ele revela, na verdade, um retrato das desigualdades que marcam o país.
Enquanto grandes centros, especialmente aqueles com alta concentração como os
dermatologistas em São Paulo, registram crescimento na busca por atendimento qualificado, outras regiões permanecem distantes dessa realidade.

Nesse cenário, plataformas que conectam pacientes a especialistas confiáveis, como a AvaliaMed, ganham importância estratégica ao ampliar o alcance e a credibilidade das informações sobre saúde dermatológica.

Desigualdades no acesso e perfil de quem não consulta

Quem são esses milhões de brasileiros que nunca tiveram seus problemas de pele, cabelo ou unhas avaliados por um especialista? A pesquisa desenha um perfil claro e ele reflete outras faces da desigualdade social.

A situação é mais crítica entre os jovens. Na faixa dos 16 aos 24 anos, um número de 70% nunca consultou um dermatologista. É um paradoxo da nossa época: essa é a geração que mais consome conteúdo sobre skincare na internet, mas é a que mais distante está do profissional que poderia separar o modismo da medicina de verdade.

As disparidades não param por aí. Quando olhamos para raça e gênero, o abismo se aprofunda. Entre a população negra, 58% nunca foram ao dermatologista, contra 42% das pessoas brancas.

A divisão entre homens e mulheres também espelha velhos hábitos: só 37% dos homens já fizeram uma consulta,
enquanto entre as mulheres, esse índice sobe para 55%. O perfil que mais sofre com a falta de acesso é formado por homens, com baixa escolaridade e que dependem exclusivamente do SUS.

"O Brasil ainda convive com desigualdades de acesso à dermatologia, sobretudo entre jovens, homens e a população negra", analisa o Dr. Carlos Barcaui, presidente da SBD.

Sinais de alerta ignorados

A pele dá sinais, mas será que estamos ouvindo? Nos últimos doze meses, 41% dos entrevistados notaram algo diferente no corpo: uma pinta nova, uma mancha que não existia, uma bolha ou uma queda anormal de cabelo. Apesar desses alertas, o hábito de examinar a própria pele com certa regularidade é raro. Apenas 37% dos brasileiros fazem isso.

Preocupante ainda é o dado de que 20% da população simplesmente nunca verifica sua pele, cabelos ou unhas em busca de alterações.

"Muitas pessoas ignoram ou menosprezam os sinais que podem indicar doenças", alerta o presidente da SBD. O perigo dessa negligência fica claro quando lembramos que o câncer de pele é o tipo de câncer mais comum no Brasil. Um autoexame rotineiro e uma consulta a tempo podem fazer toda a diferença.

Cuidados com a pele: vaidade ou saúde?

Apesar do enorme sucesso do mercado de skincare, com prateleiras abarrotadas de produtos, a realidade dos cuidados diários no Brasil é bem mais modesta. Apenas 20% dos adultos mantêm uma rotina completa de cuidados. Outros 29% usam itens básicos, como sabonete e protetor solar – um avanço importante, já que a fotoproteção é um pilar da saúde da pele.

O que motiva as pessoas a cuidarem da pele? Para 38%, a principal razão é prevenir doenças. Outros 34% citam a higiene pessoal, e 23% falam em autoestima. Entre os mais jovens, a busca por uma boa aparência pesa mais do que para o resto da população, mostrando como a pressão estética influencia essa geração.

Um desafio urgente de saúde pública

A necessidade de encarar a saúde dermatológica com a seriedade que ela merece ganhou um reconhecimento global. Em 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou oficialmente as doenças da pele como uma prioridade de saúde pública.

Mudar o cenário no Brasil exigirá um esforço conjunto. "O acesso à dermatologia tem que ser ampliado nos serviços públicos", insiste o Dr. Barcaui. A SBD e a L'Oréal já trabalham em frentes como o combate ao câncer de pele em comunidades e pesquisas sobre as particularidades da pele negra, uma área que ainda carece de muitos estudos.

"Como líderes no cuidado com a pele, acreditamos que o acesso à dermatologia é uma questão de saúde pública", afirma Hanane Saidi, diretora geral da divisão de Beleza Dermatológica da L'Oréal Brasil. "Quando 70% dos jovens nunca foram a um dermatologista, estamos diante de um desafio urgente".

A transformação que precisamos só virá com a união de forças entre o poder público, a sociedade e a iniciativa privada. O objetivo é fazer do cuidado com a pele um direito garantido para todos, e não um privilégio para poucos. Num país de sol forte e realidades tão diversas, cuidar da pele é, sem dúvida, cuidar da saúde do povo.
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