01 de janeiro, de 2026 | 09:00
Isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil entra em vigor
Informações da Agência BrasilSancionada em novembro, a reforma do Imposto de Renda (IR) entra em vigor nesta quinta-feira (1º). O novo modelo, que aumenta a faixa de isenção para cerca de 15 milhões de brasileiros que ganham até R$ 5 mil por mês, traz mudanças relevantes tanto para os trabalhadores quanto para investidores e contribuintes de alta renda.
As novas regras afetam desde a retenção mensal no salário até a tributação de dividendos. Para compensar a perda de arrecadação, quem ganha a partir de R$ 50 mil por mês passará a pagar mais Imposto de Renda, assim como parte das pessoas que recebem dividendos (parcela de lucro das empresas distribuídas aos acionistas). Ao todo, 141 mil brasileiros, segundo o governo, passarão a pagar mais IR.
Em relação à Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, nada muda para o documento deste ano, porque a declaração se refere ao ano-base 2025. Somente em 2027 (ano-base 2026), o novo modelo de IR será ajustado definitivamente na declaração.
A seguir, veja o que muda na prática e como isso pode impactar o seu bolso.
Quem passa a ficar isento do IR?
A principal mudança é a ampliação da faixa de isenção:
Renda mensal de até R$ 5.000: isenção total do Imposto de Renda. Atualmente, a isenção vai apenas até dois salários mínimos (R$ 3.036).
Segundo o governo, cerca de 15 milhões de brasileiros ficam totalmente isentos com a nova regra, o que representa uma renúncia fiscal de R$ 25,4 bilhões.
Economia estimada
Quem ganha até R$ 5 mil pode economizar até R$ 4 mil por ano, considerando o décimo terceiro salário.
Desconto gradual para salários até R$ 7.350
A reforma cria uma faixa intermediária de alívio tributário:
De R$ 5.000,01 a R$ 7.350 por mês: isenção parcial, com desconto decrescente no imposto.
Acima de R$ 7.350: nada muda; segue a tabela progressiva atual (até 27,5%).
O desconto diminui gradualmente conforme a renda sobe, evitando o chamado degrau tributário”.
Exemplos práticos
Salário de R$ 5.500: imposto mensal cai cerca de 75%.
Salário de R$ 6.500: economia aproximada de R$ 1.470 por ano.
Salário de R$ 7.000: economia em torno de R$ 600 por ano.
O valor exato do desconto depende do cálculo individual.
O que muda no desconto em folha já em janeiro?
A mudança é sentida imediatamente: quem se enquadra na nova isenção ou no desconto parcial já deixa de sofrer a retenção integral do IR na fonte sobre o salário de janeiro.
Atenção: mesmo isento, o contribuinte terá de declarar IR em 2026, pois a declaração será referente ao ano-base 2025.
Imposto mínimo para alta renda
Para compensar a perda de arrecadação, a reforma cria o Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM):
Renda anual acima de R$ 600 mil (R$ 50 mil/mês).
Alíquota progressiva de até 10%.
Renda acima de R$ 1,2 milhão por ano: alíquota mínima efetiva de 10%.
Estimativa do governo: cerca de 141 mil contribuintes serão afetados.
O que entra no cálculo do IRPFM?
Salários; lucros e dividendos; rendimentos de aplicações financeiras tributáveis.
Em salários acima de R$ 50 mil por mês, o valor já pago na fonte (27,5%) gera abatimento no imposto mínimo.
Ficam fora
Poupança, LCI, LCA, fundos imobiliários, Fiagro e investimentos incentivados.
Heranças e doações.
Indenizações por doença grave.
Ganhos de capital na venda de imóveis, exceto fora da bolsa.
Aluguéis atrasados.
Valores recebidos acumuladamente por ações judiciais.
O imposto mínimo será apurado apenas na declaração de 2027.
Tributação de dividendos
10% de imposto retido sobre dividendos, apenas quando superarem R$ 50 mil por mês, pagos por uma única empresa à pessoa física.
A maioria dos investidores não será afetada.
O imposto retido poderá ser compensado na declaração anual.
Pontos de atenção e possíveis disputas
Dividendos relativos a lucros apurados até 2025 só permanecem isentos se a distribuição tiver sido aprovada até 31 de dezembro de 2025.
Resumo rápido: o que muda a partir desta quinta
Isenção total até R$ 5 mil por mês.
Desconto gradual até R$ 7.350.
Nada muda para salários acima disso.
Imposto mínimo de até 10% para renda acima de R$ 600 mil por ano.
Dividendos acima de R$ 50 mil por mês passam a ser tributados.
A reforma redesenha a tributação da renda no país e começa a ser sentida agora no salário, mas os efeitos completos aparecerão apenas na Declaração do Imposto de Renda de 2027.
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