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04 de fevereiro, de 2026 | 18:00

Júri Popular absolve réu acusado de um homicídio e duas tentativas em bar no Veneza I, em Ipatinga

Wellington Fred
Várias pessoas estavam no bar na rua Laguna, Veneza I, onde houve o atentado a tiros e além do alvo, mais duas foram atingidas pelas balasVárias pessoas estavam no bar na rua Laguna, Veneza I, onde houve o atentado a tiros e além do alvo, mais duas foram atingidas pelas balas

Terminou por volta de 14h desta quarta-feira (4), no Tribunal do Júri da Comarca de Ipatinga, o julgamento de Jean Vittor Alves de Jesus, o Zim, de 32 anos, que foi absolvido. Ele respondeu por homicídio qualificado consumado contra Eric de Oliveira Delfino, que tinha 25 anos na data dos fatos, além de duas tentativas de homicídio, também qualificadas. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) foi representado no julgamento pelo promotor de Justiça Igor Citeli Fajardo Castro.

A defesa do réu foi feita pelo advogado Ignácio Luiz Gomes de Barros Junior. Tanto a defesa quanto o Ministério Público sustentaram a absolvição. Em entrevista ao Diário do Aço, o advogado explicou a tese adotada no caso, que permitiu chegar à absolvição:

"Tratou-se de negativa de autoria. O acusado chegou a ser reconhecido por uma das vítimas sobreviventes, porém na visão da defesa havia algumas contradições no depoimento dela, e nenhuma outra testemunha confirmou esse reconhecimento.Durante a investigação e ao longo do processo, foram realizadas três perícias. A Polícia Civil analisou, inclusive, as imagens do circuito interno de câmeras da residência do acusado, concluindo que ele não teria como ter saído de casa no horário em que o crime ocorreu sem ser registrado pelas câmeras de segurança do edifício onde reside.
Além disso, o acusado apresentou dois álibis, ou seja, pessoas que afirmaram estar com ele no momento do crime, bem como disponibilizou seu aparelho celular e a respectiva senha para os policiais. Levado a julgamento, o acusado foi absolvido pelo Conselho de Sentença. Ao final, a prova técnica e objetiva prevaleceu sobre o reconhecimento subjetivo”, detalhou o advogado.

O que a investigação da PC apontou e o MP denunciou

De acordo com a denúncia da 11ª Promotoria de Justiça de Ipatinga, o crime ocorreu na noite de 6 de maio de 2024, no bairro Veneza I, conforme noticiado pelo Diário do Aço na época.

Consta no processo que por volta de 22h30 de uma segunda-feira, em um bar situado na rua Laguna, o investigado, em comunhão de esforços com um indivíduo não identificado, matou Eric de Oliveira Delfino com disparos de arma de fogo.

Segundo o MPMG, a ação foi praticada por motivo torpe, mediante dissimulação e com recurso que dificultou a defesa da vítima, além de empregar meio que resultou perigo comum. Uma pessoa que estava com a vítima e outro homem, frequentador do bar, também foram atingidos por tiros.
Wellington Fred + Reprodução
Eric chegou a correr, mas caiu a cerca de 50 metros do bar onde foi atingido pelo assassino e morreuEric chegou a correr, mas caiu a cerca de 50 metros do bar onde foi atingido pelo assassino e morreu

A motivação para o crime

As investigações apontaram que acusado e vítima se conheciam e já haviam sido parceiros em atividades criminosas. Conforme o texto da denúncia do MP, em 2017, ambos praticaram um roubo no bairro Veneza, mas apenas Eric foi identificado, preso e posteriormente condenado. Durante o período em que a vítima esteve presa, o investigado teria se envolvido com a então namorada de Eric.

Após sair da prisão, em 2018, Eric soube que Jean havia deixado Ipatinga e se mudado para Vitória (ES). Os dois não mantiveram contato até abril de 2024, quando o investigado retornou à cidade. Desde então, a vítima (Eric) teria manifestado a intenção de “tirar satisfações”.

MP aponta vingança e risco a terceiros

No dia anterior ao crime, Eric e Jean se encontraram em um bar no Veneza I e brigaram. Já na noite seguinte, Eric e um amigo, identificado como J.S.S., de 35 anos, foram a outro bar para encontrar o desafeto. Seria um encontro para sanar a desavença entre eles. Na prática, era uma emboscada.

O investigado chegou ao local em uma motocicleta, acompanhado de um indivíduo não identificado, desceu da garupa e efetuou diversos disparos. Eric foi atingido no pescoço, correu cerca de 30 metros e caiu sem vida. O pintor residencial, J.S.S. que estava ao lado de Eric, foi atingido por um disparo na região da barriga, socorrido, sobreviveu ao atentado.
Wellington Fred
Crime na rua Laguna teve grande repercussão em 2024, principal envolvido foi absolvido em julgamento nesta quarta-feira; um comparsa nunca foi identificado Crime na rua Laguna teve grande repercussão em 2024, principal envolvido foi absolvido em julgamento nesta quarta-feira; um comparsa nunca foi identificado

Ainda segundo o MPMG, os tiros colocaram em risco frequentadores do estabelecimento e usuários da via pública. Um dos disparos atingiu o tornozelo do jornalista A.S.M., de 44 anos, que não tinha relação com o conflito e era apenas um cliente do bar. Após o crime, o investigado fugiu.

Qualificadoras que agravam a pena

Para a Promotoria, o homicídio foi cometido por vingança, com surpresa à vítima, que estava distraída e indefesa. O Ministério Público também sustenta que houve dissimulação, ao atrair a vítima ao local sob o pretexto de reconciliação. O réu foi levado a julgamento por homicídio qualificado consumado e duas tentativas de homicídio, também qualificadas. Entretanto, o julgamento caminhou para a absolvição.


Enviada ao Diário do Aço
O momento em que o réu, acompanhando do advogado Ignácio Júnior, acompanha a leitura da sentençaO momento em que o réu, acompanhando do advogado Ignácio Júnior, acompanha a leitura da sentença
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