05 de março, de 2026 | 06:05

Justiça mantém prisão de Vorcaro e cunhado em audiência de custódia; Sicário cometeu suicídio na prisão

Banqueiro foi transferido para prisão estadual em Guarulhos

Com informações da Agência Brasil
Ex-banqueiro Daniel Vorcaro, CEO do Banco Master. Foto: Esfera Brasil/DivulgaçãoEx-banqueiro Daniel Vorcaro, CEO do Banco Master. Foto: Esfera Brasil/Divulgação

A Justiça Federal em São Paulo manteve nesta quarta-feira (4) a prisão do banqueiro e empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e determinou que ele seja encaminhado diretamente ao sistema prisional estadual.

Depois de ter sido preso pela manhã e encaminhado à sede da superintendência da Polícia Federal em São Paulo, na capital paulista, Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, passaram por uma audiência de custódia na Justiça Federal.

Eles deixaram a Superintendência da Polícia Federal em uma viatura descaracterizada, por volta das 14h, e foram encaminhados à Justiça Federal, onde o juiz avaliou a legalidade e a necessidade da prisão.

O magistrado também verificou, como é o costume em uma audiência de custódia, se houve sinais de tortura e maus-tratos.

Nessa audiência, que terminou por volta das 16h, o juiz manteve a prisão de ambos, e eles foram encaminhados para o Centro de Detenção Provisória (CDP) 2 de Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo.

A transferência de Vorcaro para um presídio estadual foi uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), atendendo a pedido da PF.

De acordo com a corporação, as instalações de sua superintendência na capital paulista, onde ele estava detido, não tinham estrutura para manter presos preventivamente e servem apenas como unidade de trânsito de detentos.
Reprodução

Organização criminosa e amaeças

O ex-banqueiro foi preso por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a nova fase da Operação Compliance Zero, e descreve uma organização criminosa estruturada em diferentes núcleos, com funções definidas entre os integrantes.

Essa organização tinha um núcleo de comando, responsável pelas estratégias financeiras e ordens de atuação, e uma estrutura paralela conhecida como “A Turma”, usada para monitorar alvos, obter informações sigilosas e intimidar desafetos.

Entre as pessoas citadas na investigação está Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Felipe Mourão” ou “Sicário”, que tentou suicídio depois de ser preso pela Polícia Federal, tentou suicídio na cela e teve morte cerebral declarada na tarde de quarta-feira (4). Para a PF ele era responsável por coordenar operacionalmente a chamada “Turma”, uma estrutura de vigilância privada. Segundo a investigação, tinha papel central na organização criminosa e executava ordens de monitoramento de alvos, extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e ações de intimidação física e moral.

Na investigação, a PF identificou ordens de Daniel Vorcaro de ameaças a pessoas que poderiam ser "prejudiciais" aos seus interesses, incluindo jornalistas, ex-empregados e concorrentes. Em uma das ameaças, o banqueiro disse que queria "quebrar os dentes" e "dar um pau" no jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Além disso, um chef de cozinha e uma cozinheira estavam na mira do grupo, por suspeita de vazamento de informações.
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o "Sicário", um dos presos na Operação Compliance Zero, atentou contra a própria vida enquanto se encontrava sob custódia da instituição na Superintendência Regional da Polícia Federal em Belo Horizonte e morreu; PF deverá enviar vídeo da cela onde o fato ocorreu

Operação Compliance Zero

As prisões de Vorcaro e de seu cunhado foram cumpridas na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, além de um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos.

A operação apura fraudes bilionárias no Banco Master, que causaram um rombo de até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos para o ressarcimento a investidores. No ano passado, o empresário também foi alvo de um mandado de prisão, mas ganhou direito à liberdade provisória, mediante uso de tornozeleira eletrônica.

A nova prisão foi fundamentada em mensagens encontradas no celular do banqueiro, apreendido na primeira fase da operação. Nas mensagens, Vorcaro ameaça jornalistas e pessoas que teriam contrariado seus interesses.

O que diz a defesa de Vorcaro

Em nota à imprensa, a defesa de Daniel Vorcaro disse que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades e colaborou com as investigações. Os advogados também negaram as acusações de intimidação atribuídas pela PF ao banqueiro.

"A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta. Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições", disseram os advogados.

A defesa de Zettel também informou que seu cliente já se apresentou à Polícia Federal e está inteiramente à disposição das autoridades.
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Comentários

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Gildázio Garcia Vitor

05 de março, 2026 | 09:40

“Em uma das transcrições publicadas pela FSP, o Vorcaro chama o Presidente Bolsonaro de "BEÓCIO".
Eu, apesar de ser um idiota, nunca fui elogiado por palavra tão clássica e tão grega.”

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