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26 de abril, de 2026 | 13:11

Canetas emagrecedoras: entenda quando o uso pode fazer mal à saúde

Informações da Agência Brasil
Cristian Camilo/Divulgação
Sbem alerta para mercado ilegal e doenças como pancreatiteSbem alerta para mercado ilegal e doenças como pancreatite

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária discute nesta semana uma proposta de instrução normativa sobre procedimentos e requisitos técnicos relacionados a medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.

A popularização das canetas emagrecedoras, que podem ter diferentes princípios ativos, incluindo a semaglutida, a tirzepatida e a liraglutida, ampliou o uso indiscriminado e o mercado ilegal desse tipo de medicamento que, atualmente, só pode ser adquirido por meio de receita médica.

Em razão dos riscos à saúde da população, a Anvisa vem tomando uma série de medidas para coibir o comércio ilegal, que inclui versões manipuladas sem autorização. A agência também criou grupos de trabalho para dar suporte à atuação no controle sanitário e garantir a segurança de pacientes.

Também este mês, o Conselho Federal de Medicina, o Conselho Federal de Odontologia e o Conselho Federal de Farmácia, junto à própria Anvisa, assinaram uma carta de intenção com o objetivo de promover o uso racional e seguro de canetas emagrecedoras.

A proposta é prevenir riscos sanitários associados a produtos e práticas irregulares, além de zelar pela saúde da população brasileira.

“A Anvisa e os conselhos propõem uma atuação conjunta baseada em troca de informações, no alinhamento técnico e em ações educativas”, informou a agência.

Uso indiscriminado preocupa especialistas


Em entrevista à Agência Brasil, o presidente da :contentReference[oaicite:7]{index=7}, Neuton Dornelas, avaliou que o uso de canetas emagrecedoras para tratar obesidade e diabetes representa uma mudança importante, mas o uso indiscriminado preocupa.

“São medicamentos muito bons, eficazes, potentes, que abriram realmente um grande horizonte para o tratamento, sobretudo para pessoas que vivem com obesidade.”

“Esses medicamentos ajudam não apenas na perda de peso e no controle da glicose, mas também a diminuir o risco cardiovascular”, completou.

Dornelas destacou levantamento da Anvisa que aponta a importação de mais de **100 quilos de insumos farmacêuticos**, suficientes para cerca de **20 milhões de doses**, apenas no segundo semestre de 2025.

“Além disso, foram apreendidos **1,3 milhão de medicamentos** por algum grau de ilegalidade ou irregularidade.”

“Isso é assustador. A Sbem já vem alertando há muito tempo para que as pessoas não consumam medicamentos de fontes que não são legais.”

Bloqueio da manipulação


O especialista afirmou que apoiou a decisão da Anvisa de exigir retenção de receitas desde junho do ano passado e defendeu medidas mais rígidas.

“Talvez valesse a pena a Anvisa bloquear por três meses, por seis meses ou até por um ano qualquer manipulação dessas drogas injetáveis.”

Segundo ele, não há estrutura suficiente para fiscalizar um volume tão grande de produção.

Benefícios x riscos


Os medicamentos atuam no controle da glicose, retardam o esvaziamento gástrico e aumentam a sensação de saciedade, reduzindo o apetite.

A semaglutida pode gerar cerca de **15% de perda de peso**, enquanto a tirzepatida pode chegar a **22% a 25%**, dependendo de fatores como dose e acompanhamento.

Por outro lado, efeitos colaterais incluem náuseas, vômitos e sintomas gastrointestinais.

“A Anvisa começou a registrar efeitos mais severos, como a pancreatite.”

O médico explicou que o uso pode favorecer a formação de cálculos biliares, aumentando o risco da doença.

Pilares da segurança


O especialista destacou quatro pontos fundamentais para o uso seguro:

* Utilizar medicamentos com registro no Brasil;
* Ter prescrição e acompanhamento médico;
* Comprar em farmácias confiáveis;
* Seguir corretamente as doses e evitar o mercado paralelo.

“Entre **30% e 40%** das pessoas podem ter náuseas, mas entre **60% e 70% não apresentam efeitos**.”

Ele alerta que dor abdominal intensa é sinal de atenção.

“A dor é o mais preocupante e pode indicar, ainda que raramente, pancreatite”, concluiu.
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