21 de maio, de 2026 | 09:23

Justiça francesa anuncia nesta quinta novo veredito sobre tragédia do voo Air France

Divulgação Força Aérea Brasileira
O Tribunal de Apelação de Paris deve anunciar nesta quinta-feira (21) a decisão do novo julgamento envolvendo o desastre do voo AF447, da Air France, ocorrido em 2009 e considerado o pior acidente da história da aviação francesa. O caso voltou à Justiça após recurso do Ministério Público francês contra a absolvição da Air France e da Airbus em primeira instância, em 2023.

A decisão é aguardada com expectativa por familiares das 228 vítimas da tragédia, que há quase 17 anos cobram responsabilização criminal das empresas envolvidas. O voo fazia a rota entre Rio de Janeiro e Paris quando desapareceu sobre o Oceano Atlântico, em 1º de junho de 2009. O avião transportava passageiros de 33 nacionalidades diferentes. Entre as vítimas estavam 58 brasileiros e 72 franceses.

As caixas-pretas da aeronave foram encontradas somente quase dois anos após o acidente, a cerca de 4 mil metros de profundidade no Oceano Atlântico, fator considerado fundamental para o avanço das investigações sobre as causas da queda.

Novo julgamento
O novo julgamento reacendeu o debate sobre possíveis falhas operacionais e técnicas que poderiam ter contribuído para o acidente.

As investigações apontaram que o congelamento das sondas Pitot, equipamentos responsáveis pela medição da velocidade da aeronave, provocou falhas na leitura de dados do Airbus A330, o que contribuiu para a perda de controle do avião em meio a uma área de forte turbulência.

Os investigadores franceses também concluíram que a tripulação encontrou dificuldades para reagir corretamente à situação de emergência durante o voo.

Apesar disso, o processo analisou ainda supostas falhas da Air France e da Airbus relacionadas ao histórico de problemas técnicos nos sensores de velocidade e aos protocolos de treinamento adotados para os pilotos.

Empresas foram absolvidas em 2023
Na decisão de primeira instância, divulgada em 2023, a Justiça francesa reconheceu a existência de “negligências” por parte das empresas, mas entendeu que não havia relação causal suficiente para condenação por homicídio culposo.

O Ministério Público francês recorreu da sentença, defendendo que as companhias deveriam ser responsabilizadas criminalmente pelo desastre.

Durante as audiências do julgamento em apelação, familiares das vítimas afirmaram que a tragédia poderia ter sido evitada caso medidas de segurança mais rígidas tivessem sido adotadas antes do acidente.
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