28 de maio, de 2026 | 00:02

Aprovada PEC pelo fim da escala 6x1 e proposta vai ao Senado

A PEC determina a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem perda salarial

Com informações da Agência Brasil
Tomaz Silva / Agência Brasil
Comissão Especial na Câmara dos Deputados iniciou nesta segunda-feira a análise da proposta do fim da escala 6x1. O colegiado pretende votar o relatório do deputado Leo Prates (Republicanos-BA), que reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais.Comissão Especial na Câmara dos Deputados iniciou nesta segunda-feira a análise da proposta do fim da escala 6x1. O colegiado pretende votar o relatório do deputado Leo Prates (Republicanos-BA), que reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais.

A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira (27), em dois turnos, a proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19 que acaba com a escala de trabalho 6x1. Foram 461 votos favoráveis e 19 contrários, no segundo turno. O texto vai agora a votação no Senado.

A PEC determina a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem perda salarial. A proposta ainda garante duas folgas semanais, sendo uma preferencialmente aos domingos. As mudanças entrarão em vigor 60 dias após a promulgação do texto.

O texto aprovado hoje foi apresentado pelo relator, Leo Prates (Republicanos-BA), para duas propostas de emenda à Constituição que já tramitavam: a PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que estabelecia 36 horas semanais após um período de 10 anos, e a PEC 8/25, da deputada Erika Hilton (Psol-SP), que introduzia a escala 4x3 (quatro dias de trabalho e três de descanso), com limite de 36 horas semanais, depois de um ano.

Após o fim do primeiro turno de votação, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que a Casa deu um passo importante para "uma mudança fundamental para os trabalhadores e trabalhadoras do país desde a Constituição de 1988".

"Assumi esta condução com todo o equilíbrio, responsabilidade e, principalmente, compromisso com os brasileiros. Por isso, já no início do debate, tratei três pilares como inegociáveis para esta Casa e para o governo federal: a redução da jornada para 40 horas semanais, dois dias de descanso e a manutenção dos salários dos trabalhadores", disse Motta.

"Essa aprovação ficará registrada na história desta legislatura e na trajetória de cada parlamentar, que compreendeu que desenvolvimento econômico e dignidade humana precisam caminhar juntos", completou.

Transição
De acordo com o texto aprovado, após 60 dias, a jornada será reduzida de 42 horas semanais para 40 horas. Doze meses após a entrada em vigor das 42 horas, a duração do trabalho será reduzida para 40 horas semanais, com o máximo de 8 horas diárias de trabalho.

A transição foi incluída após um acordo do governo com o presidente da Câmara dos Deputados.

Depois do prazo de 60 dias e dentro do período de redução da jornada, o texto prevê a possibilidade de ampliar a duração diária do trabalho normal. Essa ampliação deverá ser feita por negociação em convenção ou acordo coletivo de trabalho.
Bruno Spada / Agência Câmara
Pela proposta, o fim da escala 6x1, com garantia de ao menos duas folgas semanais, das quais uma preferencialmente aos domingos, entrará em vigor 60 dias após a promulgação do textoPela proposta, o fim da escala 6x1, com garantia de ao menos duas folgas semanais, das quais uma preferencialmente aos domingos, entrará em vigor 60 dias após a promulgação do texto

Veja as regras de transição da PEC que acaba com a escala 6x1:

- escala de 5 dias de trabalho com 2 dias de descanso (após 60 dias);
- redução da jornada de 44 horas para 42 horas semanais (após 60 dias)
- jornada de 42 horas para 40 horas semanais, mantida a escala 5x2 (em 14 meses).

Antes da votação em plenário, o texto foi aprovado na comissão especial que analisou a matéria. Pela manhã, Motta realizou uma sessão protocolar de oito minutos para que fosse liberada a votação do texto na comissão especial. Dos 38 membros da comissão, 34 votaram a favor e 4, contra. Na sequência, a PEC foi incluída na Ordem do Dia da Câmara, ou seja, na pauta de votações no plenário.

A aprovação da PEC foi comemorada pelos parlamentares da base governista e criticada pela oposição. “Vamos fazer história mostrando em que lado nós estamos. Nós estamos do lado do povo mais sofrido, das pessoas que mais precisam”, comemorou o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS).

A deputada Dandara (PT-MG), que trabalhou como caixa de loja de departamento em escala 6x1, recordou a rotina desgastante e afirmou que a redução vai dar tempo para os trabalhadores poderem viver.

“Eu conheço o barulho do busão [sic] lotado às 5h, o café corrido, o uniforme vestido ainda no escuro. Eu conheço o pé inchado de tanto ficar em pé: oito, 10, 12 horas. Eu conheço porque eu vivi. Eu sei que a escala 6x1 não cabe no calendário. Não cabe, porque não é sobre tempo, somente, é sobre a vida”, disse.

A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) lembrou que a iniciativa é uma pauta de várias centrais sindicais. “Essa é uma luta que começou há muito tempo. Mas, no Brasil, essa batalha não evoluiu, a cultura escravocrata, a visão colonialista, a visão racista, prevaleceu, mas nós vamos derrubar a escala seis por um. Hoje, aqui, vamos fazer história”, afirmou.

Durante a sessão, deputados da oposição se posicionaram contra a redução da jornada de trabalho. O deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) afirmou que a proposta não vai melhorar a vida do trabalhador.

"Eu não vou mentir para o trabalhador dizendo para ele que com a aprovação dessa PEC vai acabar a escala 6x1”, disse.

O deputado Sérgio Turra (PP-RS) chamou a proposta do governo de eleitoreira. “Estamos tratando do futuro de um país e da dignidade dos trabalhadores", afirmou o parlamentar que tentou emplacar outra proposta inviável: a escala 4x3.

Entenda mais pontos da PEC pelo fim da escala 6x1:

- Jornada de trabalho não deverá ser superior a oito horas diárias e 40 horas semanais, podendo haver compensação e redução de jornada mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho.

- Lei ordinária irá tratar da jornada e descanso de regimes diferenciados, como trabalhadores com seis horas diárias de trabalho.

- Nova regra não se aplica: a quem tem jornada igual ou inferior a 40 horas semanais, a empregados com nível superior e com remuneração mensal igual ou superior a R$ 8.475,55 (equivalente a duas vezes e meia o limite máximo dos benefícios do INSS)

- Lei complementar poderá adotar medidas de transição para os microempreendedores individuais, as microempresas e as empresas de pequeno porte.
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Comentários

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Vieira

28 de maio, 2026 | 21:08

“Tem uns deputados de Minas que votaram a favor , mais com o coração apertado, um tal de Nikolas chupetinha, Rosângela Reis,Eros biondine, Ercílio Coelho Diniz, e mais alguns aí pra ter votos na próxima eleição. Mais no gás do povo eles votaram contra mais recebem vários auxílios e um ótimo salário as nossas custas e nos traindo.”

Viewer

28 de maio, 2026 | 09:19

“Só agora cedo já recebemos 10 pedidos para demitir funcionarios, e em breve provavelmente receberemos mais, o aviso foi dado.”

Bigd

28 de maio, 2026 | 09:10

“Engraçado como tem gente que apoia a escala 6x1. Tenho certeza que a maioria deles ou são os donos dos estabelecimentos ou são os que trabalham na 5x2 e tem medo de não conseguir ir no supermercado fazer compras no domingo.
Entendam que trabalhar 6 dias e ter apenas 1 dia de folga é extremamente desumano, e, isso não é questão de direita ou de esquerda, isso é questão de saúde das pessoas.
A automatização que muitos dizem ser a solução, possuem muitas falhas. Aqui em Ipatinga mesmo os supermercados são roubados quase todos os dias (isso já vi acontecendo). Além disso existe os idosos, que não possuem facilidade em sistemas automatizados, sendo assim, de qualquer forma terá a necessidade de funcionários, não adianta tentar botar medo no povo ou coisa do tipo.
A vida é muito mais que trabalhar sem interrupção pra receber um salário miserável, que vocês tenham um pouco de consciência e empatia, até porque quando não é com você, tá tudo bem né?”

Márcio

28 de maio, 2026 | 07:31

“Até quem fim algum ganho aos trabalhadores e trabalhadoras. Podem ter certeza que significa muito pra quem enfrenta essa jornada no dia a dia, principalmente pra quem vive em cidade grande, mães, pais, estudantes. Atenção defensores do livre mercado, não contem com a boa vontade do ser humano, é preciso virar lei para que as coisas melhorem um pouco para o trabalhador. E não se preocupem, não haverá mais fome por causa dessa pequena correção.”

Gildázio Garcia Vitor

28 de maio, 2026 | 05:57

“Dos 22 Deputados que votaram contra no primeiro turno, 10 são de SC, 5 do RS, 5 de SP , 1 do MA e 1 de RR. Portanto, nem unzinho das nossas Minas Gerais, mas não porque são a favor dos trabalhadores e trabalhadoras de Minas e do Brasil, mas por covardia e medo de perder votos..”

Sebastião Ioliveira

28 de maio, 2026 | 04:45

“O poder dominante no Brasil foi tão eficiente, desde o Brasil Colônia, que aqui o pobre odeia pobre, pobre acha que é rico, se recebe um pouco acima do salário mínimo já se acha classe média e como tal age como o cachorro que defende a propriedade e dorme no terreiro. O que tem de pobre contra essa proposta não está escrito. Quanto aos deputados, vale lembrar que eles só trabalham na escala 4x3.”

Pagador de Impostos

26 de maio, 2026 | 17:06

“Lamentável como certas pessoas só olham o lado dos patrões.
Esses deputados da direita,daqui de Minas , Nikolas chupetinha, Rosângela Reis, Eros biondine, Ercílio Coelho Diniz,e os Cleitinho ,Carlos Viana e mais outros por aí, tudo que é a favor do povo eles votam contra mais recebem fortunas de auxílios pago por nós,todos bandidos e corruptos.”

Gilson Nunes

26 de maio, 2026 | 16:35

“Os mesmos deputados que votaram contra o gas do povo, contra a isenção do imposto de renda , são contra o bolsa família vão ser contras a escala 5 x 2.
Mais esses deputados que tem um salário de 46 mil reais recebem auxílio paletó,plano de saúde, auxílio aluguel,passagens de avião e acessores a vontade”

Jane

26 de maio, 2026 | 13:10

“O ruim da democracia é que a gente entra num site de notícias e tem que se deparar com comentários de gente estúpida.”

Viewer

26 de maio, 2026 | 10:10

“Ultraliberalista ? mais um adjetivo ao invés de discutir a realidade ?

Esperar debate honesto de extrema esquerda é o mesmo que jogar xadrez com pombo.”

Antônio Carlos

26 de maio, 2026 | 08:22

“Pronto, Já veio o ultraliberalista defender os patrões. Vá para argentina, seu Viewer.”

Viewer

26 de maio, 2026 | 08:05

“Quando a fome vier e ela vai vir, lembrem se de quem propôs e lutou por essa loucura.”

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