13 de julho, de 2026 | 21:43
Oceano Pacífico atinge condições históricas de Super El Niño e acende alerta para impactos no Brasil
Nasa
Fenômeno alcança intensidade muito forte antes do habitual e especialistas apontam possibilidade de um dos eventos mais severos dos últimos 150 anos, com reflexos previstos para o clima brasileiro nos próximos meses.
Fenômeno alcança intensidade muito forte antes do habitual e especialistas apontam possibilidade de um dos eventos mais severos dos últimos 150 anos, com reflexos previstos para o clima brasileiro nos próximos meses.O Oceano Pacífico já apresenta condições de Super El Niño, com um evento de intensidade muito forte ocorrendo antes do período habitual, conforme indicam os dados mais recentes de anomalias da temperatura da superfície do mar na faixa equatorial do Pacífico. A informação foi divulgada nesta segunda-feira pela MetSul Meteorologia.
Segundo a publicação, o monitoramento denominado Índice Oceânico Niño (ONI), baseado em dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), agência de tempo e clima do governo dos Estados Unidos, mostra que a anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, localizada no Pacífico Equatorial Centro-Leste, atingiu +2,0ºC.
Esse é o valor mínimo utilizado para classificar um El Niño de muito forte intensidade, conhecido informalmente como Super El Niño.
Mais detalhes sobre o monitoramento podem ser consultados na reportagem da MetSul Meteorologia: Oceano Pacífico atinge condições históricas de Super El Niño.
Especialistas alertam para possibilidade de evento histórico
Desde o início do ano, meteorologistas vêm alertando para os efeitos do aquecimento das águas do Pacífico Equatorial, capaz de alterar o clima em praticamente todo o continente sul-americano.O assunto já havia sido abordado pelo Diário do Aço na reportagem Ambientalistas cobram preparação das cidades do Vale do Aço para possível intensificação do El Niño.
Para os pesquisadores, o fato de o fenômeno atingir o patamar de Super El Niño muito antes do observado em outros episódios históricos de grande magnitude é um indicativo de que este poderá ser um dos eventos mais intensos já registrados. As projeções apontam que poderá ser o maior dos tempos modernos, em pelo menos 150 anos.
Impactos devem aumentar no segundo semestre
As projeções indicam que o El Niño 2026-2027 deverá provocar mudanças significativas no clima brasileiro. Embora os efeitos possam apresentar características semelhantes às de eventos anteriores, especialistas destacam que o comportamento do fenômeno não será uma repetição exata dos registros passados.Os impactos tendem a se intensificar ao longo do segundo semestre deste ano, principalmente entre o fim do inverno e a primavera, com reflexos também durante o verão.
O tema também é abordado no artigo publicado pelo Diário do Aço: O Super El Niño vem aí. E o seu prefeito está tomando providências?.
Helio Q Filho / Divulgação Governo do ES
O planejamento foi apresentado pelo governador Ricardo Ferraço, na Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (Cepdec)
O planejamento foi apresentado pelo governador Ricardo Ferraço, na Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (Cepdec)Espírito Santo anuncia plano para enfrentar a estiagem
O governo do Espírito Santo foi um dos primeiros do país a anunciar medidas preparatórias para enfrentar os impactos previstos do Super El Niño. A expectativa é que o fenômeno provoque uma estiagem prolongada, especialmente nas regiões Norte e Noroeste do estado.Ao contrário do que poderá ocorrer em parte da Região Sul, onde o El Niño costuma favorecer o aumento das chuvas, a previsão para o território capixaba é de redução das precipitações, aumento das temperaturas e maior risco de incêndios em vegetação.
Entre as ações anunciadas está a criação de um Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), responsável por coordenar as medidas de enfrentamento. O plano também prevê emissão de boletins diários e semanais, reforço do monitoramento climático, ações para garantir o abastecimento de água e suporte ao setor agropecuário, considerado um dos mais vulneráveis aos efeitos da seca.
O planejamento foi apresentado pelo governador Ricardo Ferraço, durante entrevista coletiva na sede da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (Cepdec), com a participação de diversos órgãos estaduais.
Segundo o governador, embora não seja possível impedir os efeitos do fenômeno climático, o objetivo é reduzir seus impactos por meio de ações preventivas. Ele informou que o mês de agosto deverá concentrar as consequências mais intensas do Super El Niño.
"Estaremos desdobrando mais ações para o período em que está prevista uma estiagem mais longa, que irá trazer consequências econômicas e sociais para o nosso Estado", afirmou.
O governo estadual trabalha com a expectativa de que os efeitos do fenômeno se estendam além de 2026, com possibilidade de estiagem prolongada, temperaturas acima da média, ondas de calor e aumento do risco de incêndios florestais.
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