16 de julho, de 2026 | 06:52

Governo Trump confirma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e Brasil prepara reação

Medida entra em vigor em 22 de julho, atinge setores como aço, etanol e máquinas agrícolas, inclui críticas ao Pix e leva governo brasileiro a anunciar aplicação da Lei da Reciprocidade

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Vários produtos estão na lista e Brasil é o segundo país mais tarifado do mundo, pelos EUA, ficando atrás apenas da China Vários produtos estão na lista e Brasil é o segundo país mais tarifado do mundo, pelos EUA, ficando atrás apenas da China

O governo dos Estados Unidos concluiu a investigação comercial aberta contra o Brasil e confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros exportados para o mercado estadunidense. A decisão, anunciada nesta quinta-feira (16), foi oficializada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e chancelada pelo presidente Donald Trump. As novas tarifas entram em vigor em 22 de julho.

A medida repercute no mundo econômico. O jornal britânico The Guardian publicou esta semana um editorial no qual afirma que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usa acusações comerciais e tarifas contra o Brasil para atacar a autonomia do país, inclusive em relação ao Pix. "A ameaça de tarifas de Donald Trump enquadra os esforços do Brasil para proteger sua democracia como uma prática comercial desleal - e confere ao bolsonarismo um palco em Washington", afirma o editorial do jornal.

A afirmação é confirmada pelo USTR, que assume que medida foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, de 1974. O governo estadunidense alega que o Brasil mantém práticas consideradas desleais, entre elas políticas relacionadas ao Pix, ao acesso ao mercado de etanol, além de questionamentos sobre combate à corrupção e ao desmatamento.

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que as tarifas têm o objetivo de proteger trabalhadores e empresas estadunidenses e disse que, apesar da decisão, Washington permanece aberto ao diálogo com o governo brasileiro.

Produtos atingidos

A lista de produtos sujeitos à tarifa de 25% inclui etanol, aço, máquinas agrícolas, roupas, calçados e materiais elétricos. Já café, laranja, suco de laranja e carne bovina ficaram fora da cobrança adicional.

Em publicação na rede social X, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, atribuiu a decisão ao que classificou como falta de negociação de boa-fé por parte do governo brasileiro. O governo brasileiro contesta e afirma que esteve à mesa de negociação desde o começo e não encontrou respostas.
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A lista de produtos sujeitos à tarifa de 25%, imposta por Trump, inclui etanol, aço, máquinas agrícolas, roupas, calçados e materiais elétricosA lista de produtos sujeitos à tarifa de 25%, imposta por Trump, inclui etanol, aço, máquinas agrícolas, roupas, calçados e materiais elétricos

Brasil anuncia reciprocidade

Em nota oficial, o governo brasileiro repudiou a decisão e classificou a medida como um "marco lastimável" nas relações entre os dois países. Também informou que dará início aos procedimentos para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional, e recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Antes da confirmação das tarifas, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, já havia afirmado que o Brasil poderia retomar o processo de reciprocidade caso o novo tarifaço fosse confirmado. O governo também informou que tentou negociar um acordo com Washington antes da decisão.

Pix está entre os principais alvos

Um dos principais pontos da investigação foi o Pix, sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central. O governo dos Estados Unidos sustenta que o Brasil favorece o sistema em detrimento de empresas privadas que oferecem serviços concorrentes de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito e débito e empresas de tecnologia de pagamentos.

Também questiona o fato de o Banco Central atuar simultaneamente como regulador e operador do sistema. O governo brasileiro rejeita as alegações e afirma que o Pix não prejudica empresas estadunidenses nem será objeto de negociação. A investida foi anunciada em junho, conforme já noticiado.

Investigação começou em 2025

A investigação foi aberta em julho do ano passado com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Além do Pix, o processo abordou decisões judiciais envolvendo plataformas digitais, tarifas comerciais concedidas pelo Brasil a outros países e alegadas falhas no combate à corrupção, à pirataria e ao desmatamento ilegal.

Com a entrada em vigor das novas tarifas, o Brasil passará a figurar entre os países mais afetados pelas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos, ficando atrás apenas da China.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que as tarifas prejudicam empresas dos dois países e destacou que parte dos produtos atingidos tem o Brasil como principal fornecedor para o mercado norte-americano.

Tarifaço e a disputa política

A imposição de novas tarifas deverá intensificar, ainda mais, a disputa política entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ambos são pré-candidatos à presidência da República.
De um lado, Lula e integrantes do governo acusam a família Bolsonaro de ter atuado junto às autoridades americanas em favor do tarifaço com o suposto objetivo de prejudicar a campanha à reeleição de Lula, mesmo que isso cause grande transtorno à economia brasileira.

Do outro, Flávio tenta se afastar da imagem de responsável pelo tarifaço e reforçar a mensagem de que, na realidade, Lula é que teria se esforçado para que o tarifaço fosse imposto para se beneficiar eleitoralmente.

A ofensiva do governo se intensificou depois que o senador participou de uma audiência pública do USTR, em Washington.

Na ocasião, Flávio pediu às autoridades americanas que não aplicassem as tarifas, preservassem o Pix e cancelassem a medida para abrir espaço a negociações entre os dois países caso ele fosse eleito presidente neste ano.

Para ele, uma taxação de 25% seria explorada politicamente pelo governo Lula e acabaria fortalecendo a campanha do presidente.

Em entrevista à BBC News Brasil, o ministro Márcio Elias Rosa, afirmou que Flávio, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), além do colunista e empresário Paulo Figueiredo, seriam responsáveis por um eventual novo tarifaço.

Segundo ele, a viagem do senador serviria para reduzir o risco de o pré-candidato ser associado ao novo tarifaço. Com informações da Agência Brasil e BBC Brasil
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O governo dos Estados Unidos sustenta que o Brasil favorece o Pix em detrimento de empresas privadas estadunidenses, que oferecem serviços concorrentes de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito e débito e empresas de tecnologia de pagamentosO governo dos Estados Unidos sustenta que o Brasil favorece o Pix em detrimento de empresas privadas estadunidenses, que oferecem serviços concorrentes de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito e débito e empresas de tecnologia de pagamentos

Nota do governo brasileiro:
O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável.
O governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo governo dos EUA relativa à imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil.
Em 2025, 76% das importações originárias dos EUA entraram no país sem pagar imposto de importação, e a alíquota média efetivamente aplicada sobre produtos norte-americanos foi de apenas 3,1%.

O Brasil não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio. Apesar disso, nunca deixamos a mesa de negociação para defender os interesses nacionais.

Ao longo do último ano, o governo brasileiro atuou ininterruptamente junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pelo encerramento das investigações baseadas na Seção 301, apresentando evidências que refutam cada uma das alegações sobre supostas práticas desleais de comércio adotadas pelo Brasil.

Demonstramos que são descabidas as alegações contra o PIX e a regulação de plataformas digitais, bem como são absurdas as acusações sobre desmatamento. O PIX é um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital. No Brasil, não vamos abdicar de proteger nossas famílias e nossas crianças contra a ganância de um punhado de tecno-oligarcas. A liberdade de expressão não é carta branca para a criminalidade. O mundo inteiro sabe que, a partir de 2023, combatemos de forma incisiva os ilícitos ambientais e reduzimos drasticamente o desmatamento em todos os biomas brasileiros.

Nas audiências públicas promovidas pelo USTR na semana passada, 63 das 78 intervenções feitas por representantes do setor privado brasileiro e norte-americano foram contrárias ao tarifaço.

O governo do Brasil seguirá adotando medidas para reduzir os danos causados à economia e à renda dos brasileiros. Continuaremos a diversificar parcerias comerciais e a abrir novos mercados para nossos produtos, como fizemos ao firmar acordos do MERCOSUL com a União Europeia, a Associação Europeia de Livre Comércio e Singapura.

Por meio do Plano Brasil Soberano, manteremos medidas de proteção aos setores afetados por tarifas ilegais e arbitrariamente impostas pelo governo dos EUA, preservando empregos e a capacidade produtiva nacional.

O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC.

É triste constatar que o lamentável desfecho das investigações baseadas na Seção 301 faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro. São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros.

Não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições. Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências. O governo brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la.

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Comentários

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Gildázio Garcia Vitor

16 de julho, 2026 | 07:13

“Pelo jeito, os Três Patetas: Eduardo, Paulo Figueiredo, o Neto do último ditador, e o TariFlávio Rachadinha Vorcarão, conseguiram dar um "tiro no pé e acertar o próprio peito".
A solução, é, mais uma vez, plagiar o Camarada Lenin: "Imbecilismo/Idiotismo: Doença Infantil do Bolsonarismo".”

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